Petrobras nega que esteja racionando diesel; mercado põe no radar reajuste em meio à guerra no Irã

A Petrobras passou a aplicar a “cota-dia” para o diesel, segundo pessoas a par do assunto ouvidas pelo Estadão/Broadcast. Esse sistema fraciona o volume mensal contratado pelas distribuidoras em remessas diárias e impede que empresas antecipem retiradas e formem estoques maiores às vésperas de um provável reajuste. O aumento do preço do diesel por causa da guerra no Oriente Médio suspendeu as importações do produto e colocou em risco o abastecimento do País.

Lida como um racionamento por parte dos distribuidores, a medida é normalmente usada em cenários de escassez e teria sido adotada após a disparada internacional do petróleo e a percepção de corrida de grandes consumidores para encher tanques enquanto o preço interno permanece defasado. A Petrobras, porém, negou que tenha alterado a venda de diesel às distribuidoras. Segundo a companhia, responsável por cerca de 80% do mercado de refino no País, as entregas do produto estão ocorrendo normalmente.

“A Petrobras informa que não houve qualquer alteração em relação às entregas de diesel por parte de suas refinarias e que elas estão ocorrendo conforme planejado e alinhadas aos compromissos comerciais vigentes”, disse em nota, ao ser questionada pelo Estadão/Broadcast sobre a restrição de cotas de diesel para as distribuidoras de combustíveis.

Segundo a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a empresa está esperando o momento certo de agir, em meio à grande volatilidade do petróleo por conta da guerra entre Estados Unidos e Irã.

No fechamento do mercado de petróleo na segunda-feira, 10, o diesel vendido no Brasil registrava defasagem de 60% em relação ao praticado no mercado internacional, abrindo espaço para a Petrobras elevar o preço do combustível em R$ 1,94 por litro.

Um executivo de distribuidora, em condição de anonimato, disse que, na prática, a Petrobras está fazendo um tipo de racionamento diante do risco de crise. Com estoques privados estimados para no máximo 15 dias, o risco de falta de diesel começa pelas “pontas” do mercado, como Nordeste e Rio Grande do Sul, mais dependentes de volumes estrangeiros.

Refinarias privadas, como Ream, no Amazonas, e Mataripe, na Bahia, já repassaram altas sucessivas, mas a estatal mantém os preços congelados. Executivos e analistas defendem ajuste imediato para restabelecer a atratividade das importações e evitar problemas de suprimento. Caso o impasse persista, alertam, o racionamento informal tende a se intensificar e poderá chegar ao consumidor final.

TRRs
As empresas autorizadas a comprar combustível a granel (principalmente óleo diesel) e revender diretamente ao consumidor final, sem posto fixo, as chamadas TRRs (Transportador-Revendedor-Retalhista), que abastecem fazendas, indústrias, construtoras e transportadoras, já sentiram a falta do produto no mercado.

“O setor já sentiu o problema e a posição é tentar fracionar as entregas de forma a não deixar nenhum cliente sem produto. As regiões com agro acabam sentindo primeiro. Vale ressaltar que o TRR é abastecido pelas distribuidoras”, informou a assessoria do segmento, afirmando que o problema está bem distribuído, mas que o primeiro estado a reclamar mais fortemente foi o Rio Grande do Sul”, afirmou.

Na segunda-feira, 9, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que recebeu informações sobre dificuldades pontuais de aquisição de diesel por produtores rurais no Rio Grande do Sul. De acordo com a agência, no entanto, a produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pelo principal fornecedor da região, a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), da Petrobras.

“Cabe destacar que o Rio Grande do Sul é um Estado que produz mais diesel do que consome, encontra-se com nível de estoque regular e não foram constatadas justificativas técnicas ou operacionais que expliquem uma eventual recusa no fornecimento do produto”, explicou a agência.

Autor/Veículo: O Estado de S.Paulo

plugins premium WordPress
Rolar para cima