O mercado nacional de combustíveis está reagindo à alta no preço internacional do barril de petróleo causada pela guerra no Oriente Médio com maiores pressões para reajustes nos preços praticados nas refinarias pela Petrobras e o reforço do pleito pelo aumento da mistura de biodiesel para 16%.
Três Frentes Parlamentares do agronegócio divulgaram um manifesto na quarta-feira (4/3) defendendo a elevação da mistura para 16% de biodiesel no diesel (B16).
O segmento afirma que a elevação do uso do biodiesel pode diminuir a dependência da importação de combustíveis e minimizar a exposição cambial.
O aumento já está previsto na Lei do Combustível do Futuro, mas depende de uma decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Já as refinarias privadas e importadores de combustíveis estão operando com prejuízo, pois os preços praticados pela Petrobras para o diesel e a gasolina estão muito abaixo do mercado internacional.
Cálculos da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) indicam que o cenário é mais grave para o diesel, justamente o derivado em que o Brasil tem maior dependência do exterior.
Dados da associação indicam que o diesel vendido pela estatal estava 42% abaixo das cotações internacionais no fechamento de terça (3/3), com necessidade de um reajuste de R$ 1,37 por litro. A Petrobras não altera os preços do diesel desde maio de 2025.
Já para a gasolina a defasagem era de 18%, correspondente a R$ 0,45 por litro. O combustível teve um reajuste no final de janeiro, quando a Petrobras reduziu os preços em 5,2%.
Hoje, o Brasil importa cerca de 600 mil barris/dia de derivados, para suprir cerca de 20% da demanda nacional, sobretudo de diesel.
Os refinadores privados acabam seguindo preços similares aos praticados pela Petrobras, já que a companhia é responsável por suprir 60% do mercado.
“As refinarias domésticas aqui no Brasil não vão ficar indefinidamente produzindo e vendendo para perder dinheiro” diz Evaristo Pinheiro, presidente da Refina Brasil, entidade que representa as empresas privadas nesse setor no Brasil.
A Petrobras segue indicando que evita internalizar volatilidades externas para o preço dos combustíveis brasileiros.
No entanto, caso se confirmem os novos patamares nas negociações internacionais, a estatal vai precisar alterar os preços.
Na quarta (4/3), o Brent para maio fechou a US$ 81,40 o barril, estável em relação ao dia anterior.
Autor/Veículo: Eixos


