O plano de recuperação extrajudicial da Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, protocolado na terça-feira, prevê, além da capitalização da empresa de etanol, uma reorganização societária, o que pode incluir “fusões, cisões e incorporações de ações”, de acordo com a petição encaminhada para a Justiça, à qual o Valor teve acesso. A companhia citou, em sua petição inicial do pedido, um risco de aceleração de cobrança de R$ 60 bilhões sem a blindagem na Justiça.
Os detalhes dessa futura capitalização ainda serão discutidos nas próximas semanas, com a possibilidade de conversão de dívidas de credores em ações da empresa, o que pode diluir as participações dos dois acionistas, ambos com 44% cada do negócio.Nas últimas semanas, credores se mostraram insatisfeitos com os valores que estavam sendo discutidos pelos acionistas em uma injeção de capital e formalizaram, em um pedido conjunto, incluindo bancos e detentores de dívidas externa, um aporte robusto de até R$ 20 bilhões, conforme revelou o Valor.
Na petição inicial, a Raízen aponta que a situação se deteriorou ainda mais com o rebaixamento de ratings pelas agências de classificação de risco, o que poderia gerar uma onda de antecipação de cobranças. As dívidas financeiras com bancos e “bondholders” (detentores de títulos externos) somam R$ 65,1 bilhões, dos quais 64% concentradas nas mãos de cinco grupos de credores. O montante sobe para R$ 98 bilhões, incluindo dívidas entre companhias do grupo. Para ler esta notícia, clique aqui.
Autor/Veículo: Valor Econômico


