19 de dezembro de 2025

Uncategorized

Produção de etanol de milho cresce, mas disputa por biomassa ameaça ritmo das usinas

Com a produção brasileira de etanol de milho projetada para alcançar 10 bilhões de litros até o final de 2025, segundo dados da Unem, o setor entra em uma fase de expansão que vem reconfigurando o mapa industrial do país. O avanço, porém, expõe um desafio que até pouco tempo era secundário e agora se torna decisivo para a competitividade das plantas: garantir energia térmica confiável, barata e sustentável para assegurar a operação crescente das usinas. A demanda por biomassa já dá sinais de pressão em polos importantes do Centro-Oeste, onde projetos de etanol, fertilizantes, processamento de grãos e indústrias madeireiras passaram a disputar o mesmo insumo. Em algumas regiões, agentes do setor já falam abertamente sobre o risco de “estreitamento de oferta”, fenômeno equivalente a um possível apagão de biomassa em períodos de alta demanda. Um ponto sensível nesse contexto é a energia térmica, já que o vapor é o responsável por sustentar etapas críticas do processo industrial e responde por grande parte do custo operacional. Sem previsibilidade de preço e de suprimento, qualquer oscilação impacta diretamente margens e produtividade. A alternativa que começa a ganhar tração no setor é a adoção de soluções térmicas flexíveis, capazes de operar com múltiplas biomassas ao longo do ano, reduzindo o risco de escassez e garantindo a continuidade da operação. Em alguns projetos industriais, já existem caldeiras aptas a trabalhar com até 14 tipos diferentes de biomassa, incluindo cavaco de madeira, bagaço de culturas regionais e resíduos agrícolas. Nesse cenário, empresas especializadas na gestão de energia térmica passam a ocupar um espaço relevante. A ComBio, por exemplo, opera unidades dedicadas dentro de diferentes plantas industriais, assumindo integralmente a responsabilidade por suprimento, operação e desempenho das caldeiras. O modelo surgiu como alternativa para mitigar a volatilidade no mercado de biomassa e dar previsibilidade a setores que dependem de grandes volumes de vapor. Na prática, a empresa funciona como uma gestora térmica de longo prazo, capaz de adaptar a matriz de combustível conforme a disponibilidade regional e reduzir o impacto das oscilações do mercado. Segundo Ricardo Blandy, diretor comercial da ComBio, essa flexibilidade deixa de ser um diferencial e passa a ser condição básica de segurança energética: “Para o produtor de etanol de milho, a atenção ao suprimento de biomassa é vital, pois a usina simplesmente não funciona sem ela. Em várias regiões do país, já há um risco concreto de escassez desse insumo. Por isso, adotar caldeiras que operem com diferentes tipos de biomassa deixou de ser opção e se tornou uma exigência para garantir segurança e continuidade operacional”. O consumo elevado do setor também exige novas formas de organizar a cadeia. Uma única usina pode demandar 300 mil a 400 mil toneladas de biomassa por ano, volume que pressionará ainda mais o mercado conforme novos projetos entrem em operação. Para garantir estabilidade, especialistas defendem o uso de contratos de longo prazo, rastreabilidade da origem da biomassa e desenvolvimento de novas cadeias regionais. A discussão energética também se conecta à pauta climática. Em 2024, soluções térmicas baseadas em biomassa evitaram a emissão de centenas de milhares de toneladas de CO₂ no país, reforçando a narrativa de sustentabilidade que acompanha a expansão do etanol de milho. Para Blandy, o setor vive um momento de tomada de decisão estratégica. “Vale a pena pensar em flexibilidade e em desenvolver novas biomassas. A região que hoje não tem oferta pode ter daqui a cinco ou dez anos. E o projeto térmico precisa estar preparado para isso”, afirma. Com novos projetos prestes a sair do papel e a competição global por biocombustíveis de baixo carbono aumentando, a forma como o setor lidará com sua matriz térmica pode definir não apenas o ritmo de expansão, mas quem conseguirá manter competitividade em um mercado cada vez mais exigente. (ComBio) Autor/Veículo: Notícias Agrícolas

Uncategorized

Petrobras planeja diesel coprocessado com 20% de conteúdo renovável

Um combustível idêntico ao diesel fóssil que de tão parecido é difícil identificar qual é qual até mesmo com testes de laboratório. Essa é a proposta da Petrobras com o novo Diesel-R, uma mistura do tradicional combustível fóssil com óleos vegetais. Atualmente, a estatal consegue alcançar apenas a concentração de 10% de insumos renováveis no combustível, mas mira dobrar o nível nos próximos anos em meio à estratégia de avançar na agenda de sustentabilidade. Ao CNN Money, Magda Chambriard, CEO da Petrobras, destacou o impacto positivo do produto na redução de emissões de gases poluentes. “Nessa parte de óleo vegetal, conseguimos uma redução de emissões de 87%, isso significa uma redução de emissões importante no Brasil e o compromisso da Petrobras com a descarbonização”. Para avançar para o patamar de 20%, serão necessários novos investimentos no curto prazo — um movimento que já está no pipeline da empresa. “Ele é tão escalável que nós já estamos investindo, o projeto já está na rua, para a primeira biorrefinaria 100% no Brasil, no Rio grande do Sul”, diz a CEO. O óleo de soja a Petrobras usa é igual ao usado para cozinha. A matéria-prima chega na refinaria para ser misturado com diesel mineral. A mistura vira hidrogênio e tira poluentes contaminantes. O resultado é um combustível idêntico ao S-10, já usado em veículos, sem a necessidade de adaptações. O foco do produto está em clientes que buscam reduzir a pegada de carbono e cumprir metas ambientais voluntárias. A Volvo faz parte deste grupo, e usa o combustível em diferentes frentes na sua planta de produção de Curitiba. “Estamos utilizando para o primeiro abastecimento de todos os caminhões que são abastecidos na fábrica, e também utilizamos esse combustível em todos os testes que realizamos dentro da planta”, explica Alan Holzmann, diretor de estratégia e planejamento de produto caminhões da Volvo. O produto será uma evolução do Diesel-R10, lançado durante a COP30 e utilizado para abastecer os ônibus que transportaram participantes da cúpula do clima, realizada em Belém. Atualmente, a linha Diesel-R, em diferentes concentrações, é comercializada apenas para grandes consumidores que, de forma voluntária, buscam reduzir suas emissões de carbono. A venda ocorre sob demanda, sem produção contínua. Na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão (SP), por exemplo, a capacidade instalada é de até 60 milhões de litros do combustível. Ainda assim, a produção depende do apetite dos parceiros. O aumento da concentração de conteúdo renovável para 20% envolve desafios técnicos e financeiros. O processo de hidrotratamento do diesel coprocessado demanda maior volume de hidrogênio do que o diesel convencional e resulta em uma reação mais instável. “Por passar por esse processo de remoção de impurezas, ele tem uma condição de estabilidade e dificuldade maior de formação de gomas e outros componentes que podem ser prejudiciais ao motor”, detalha Edson Bruel, gerente de empreendimentos da RPBC. Além disso, o projeto precisa ser economicamente viável. Hoje, o biodiesel é comercializado a preços muito próximos aos do diesel fóssil, o que limita margens e pressiona a competitividade do produto. Essa estratégia deve orientar a atuação da Petrobras na transição energética ao longo da próxima década. De acordo com a presidente da companhia, o foco da estatal seguirá concentrado em soluções baseadas em “moléculas”, ou seja, combustíveis líquidos. Autor/Veículo: CNN Brasil

Uncategorized

Critério ambiental incentiva redução no consumo de diesel no transporte rodoviário

A exigência de critérios mínimos de sustentabilidade na nova linha de crédito de R$ 6 bilhões para renovação da frota de caminhões cria um incentivo direto à redução do consumo de diesel no transporte rodoviário, ao estimular a troca de veículos antigos por “modelos mais eficientes e de menor impacto ambiental“, segundo a Medida Provisória nº 1.328, publicada nesta terça-feira (16/12). Como o transporte de cargas é majoritariamente movido a diesel no Brasil, a vinculação do crédito a requisitos ambientais tende a acelerar a saída de caminhões mais antigos — que consomem mais combustível por quilômetro rodado — e a priorizar a entrada de veículos com melhor desempenho energético, alterando gradualmente o perfil de demanda por diesel no setor. Segundo nota do Planalto, a MP, em vigor a partir da publicação, autoriza a destinação de até R$ 6 bilhões a linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a compra de caminhões novos ou seminovos por caminhoneiros e empresas de transporte, com foco na renovação da frota nacional. A linha atende transportadores autônomos, cooperados, empresários individuais e pessoas jurídicas do transporte rodoviário de cargas. Os financiamentos deverão cumprir critérios mínimos de sustentabilidade ambiental, social e econômica, definidos pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No caso de caminhões novos, o crédito ficará restrito a veículos de fabricação nacional credenciados pelo BNDES. Para caminhões seminovos, o financiamento será limitado a transportadores autônomos e cooperativas, conforme estabelece a medida provisória. A norma também autoriza condições diferenciadas de juros, prazos e carência para quem entregar caminhões antigos como contrapartida, especialmente veículos com mais de 20 anos de uso. O texto prevê ainda estímulos adicionais para transportadores autônomos que optarem por modelos mais eficientes e de menor impacto ambiental. De acordo com o governo federal, a exigência de critérios de sustentabilidade será central na concessão do crédito e funciona como mecanismo de indução à modernização da frota, com reflexos tanto na eficiência logística quanto no consumo de combustíveis fósseis no transporte pesado. Os financiamentos poderão ser contratados até 30 de junho de 2026, segundo a MP. Além da linha voltada ao transporte rodoviário, a MP amplia regras de renegociação de dívidas rurais ao alterar a MP nº 1.314, permitindo a liquidação de financiamentos do Plano Safra 2024/2025, inclusive operações renegociadas ou prorrogadas. Autor/Veículo: Eixos

Uncategorized

Reforma tributária: ‘Split payment’ avança, mas setor financeiro negocia custo para operar sistema

Uma das peças-chave da reforma tributária, o split payment deve entrar em operação em 2027, com aplicação para transações entre pessoas jurídicas. Esse é o plano do setor financeiro, que vem desenvolvendo a funcionalidade com o governo. A informação foi repassada ao Estadão/Broadcast durante a primeira entrevista de Cristiane Coelho como presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), instituição que reúne 15 associados, como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (Anbima), a B3 e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). E, afinal, o que é o “split payment”, que em um futuro próximo entrará no dia a dia dos consumidores? Em vídeo, a Duquesa de Tax, colunista do Estadão, explica. O sistema separa automaticamente a parcela que corresponde ao imposto e a envia diretamente aos cofres públicos. Já o valor referente ao preço da mercadoria ou do serviço segue para a conta da empresa. Nada muda na operação: mesma alíquota, mesmo tributo, mesmo valor final. O que muda é apenas o caminho do dinheiro. Na prática, é como se alguém estivesse na porta da conta bancária avisando: “Essa parte nunca foi sua. Sempre foi imposto”, diz a Duquesa. Do ponto de vista técnico, o desenvolvimento do produto está avançado, e falta apenas conectar os sistemas das instituições financeiras (IFs) às bases do governo. Mas o setor financeiro ainda quer debater com o Executivo a remuneração das instituições que vão aplicar o split payment, que requer o manejo de grandes quantidades de informações. Além disso, apesar de ser apenas B2B (de negócio para negócio) e, consequentemente, haver um volume menor de transações do que haveria se também servisse ao consumidor final, trata-se de operações de altos valores e que requerem grande responsabilidade e garantia de segurança. “O split payment não é uma obrigação acessória, e está muito claro que não é o nosso business que gera isso. Não temos nada a ver com a criação de base tributável”, disse a presidente da Fin, que sucede o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia no cargo. “A remuneração não inviabiliza os ganhos do split payment, o governo ainda vai ter muitos ganhos depois disso”, alegou. Segundo a executiva, ainda não há um consenso com o governo sobre o ponto da remuneração. O entendimento da Fin, que sempre apoiou a reforma tributária e não queria ser vista como uma barreira agora, é o de que o pagamento deve ficar a cargo da Receita Federal, que já arca com obrigações similares — por exemplo, na emissão de um Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf). Reuniões para debater o tema já ocorreram, mas as negociações sobre os valores que serão pagos às instituições financeiras ainda não avançaram. Modelo ‘com maionese’ Resolvido o problema da remuneração, Coelho diz que há condições de colocar o split payment de pé já em 2027, com os primeiros efeitos da reforma tributária. O modelo desenhado pelo setor financeiro e governo para o primeiro momento vem sendo chamado de “split payment superinteligente B2B”. A ferramenta é considerada sofisticada porque analisará de forma instantânea o crédito tributário das partes envolvidas na operação. O escopo inicial é o B2B opcional, que tem esse nome porque dependerá da opção do pagador ou do fornecedor de uma das Pessoas Jurídicas envolvidas acenar que deseja a operação “com maionese”, como vem sendo nomeado informalmente o instrumento entre os seus desenvolvedores. Nessa primeira fase, serão alcançados boletos e a maioria dos tipos de Pix (como QR Code, por exemplo) entre as empresas. A avaliação inicial é a de que o comprador tenda a ser mais proativo e peça sua transação “com maionese”, já que poderá fazer o pagamento com o split, dando mais segurança de que terá o crédito tributário associado àquela empresa. O acionamento do mecanismo pode ser feito por qualquer empresa que inicia um pagamento. Basicamente tratam-se das quase 300 companhias que atuam com o Pix atualmente. Apesar de a consulta ao crédito ser praticamente instantânea, não é possível ter a mesma rapidez de execução com Pix chave para pessoas físicas. Este é um dos motivos pelos quais essa fase não será adotada num primeiro momento e só no futuro, portanto, é que deve ser lançado o split powerful. O layout da plataforma também é importante porque ele é que determinará o tamanho do tributo, segundo Coelho, e aqui está outro argumento para que haja remuneração do governo para o setor privado pelo serviço. Atualmente, bancos arrecadam para a Receita, por exemplo, a tributação de IOF, sem custos para a administração pública. “A gente nunca poderia aceitar essa mesma lógica porque a empresa seria a corresponsável por todas as transações de pagamento”, salientou a executiva, explicando que não haveria segurança para afirmar que determinado produto foi realmente transacionado entre as partes. O temor faria com que a alíquota aplicada fosse estratosférica como uma forma de garantia, mas a definição do tributo não é um papel das empresas do setor, mas do governo. Riscos de ataques financeiros A presidente da Fin constatou durante a entrevista que o split payment pode funcionar como um mecanismo de conformidade, ainda que este não tenha sido o objetivo inicial, em meio a tantas operações do governo em busca de sonegadores e lavadores de dinheiro, além da própria aprovação recente pelo Congresso do projeto de lei do Devedor Contumaz. “Esta é uma boa perspectiva”, considerou. Inicialmente, o setor privado estava reticente com a aplicação do instrumento e chegou a considerá-lo como um “cavalo de Troia”, mas depois entendeu que ele seria a “espinha dorsal” para colocar a reforma de pé. Isso porque, na avaliação do setor privado, trata-se de uma ferramenta cara e “desafiadora” para que possa ser operada plenamente. A defesa do split payment no Congresso, por sua vez, foi mais arrebatadora, conforme a comandante da Fin por causa da expectativa de redução da sonegação e de até dois pontos na alíquota. “É óbvio que foi uma decisão super complexa”, afirmou. Para que as engrenagens estejam todas funcionando,

plugins premium WordPress
Rolar para cima