9 de fevereiro de 2026

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Fortes correntes contribuíram para acidente em perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas, diz ANP

Parecer da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) indica que as fortes correntes da costa do Amapá contribuíram para os vazamentos que levaram à suspensão da perfuração do polêmico poço da Petrobras na região. O incidente paralisou a perfuração do poço no início de janeiro. Para retomar a atividade, a estatal terá que cumprir algumas condicionantes de segurança impostas pela ANP. Procurada, a Petrobras afirmou que “atua em linha com as melhores práticas da indústria e dentro de rigorosos padrões de segurança operacional”. “Todos os equipamentos e sistemas utilizados nas operações são devidamente certificados e atendem integralmente aos requisitos de segurança”, disse, em nota. Os vazamentos de fluido de perfuração ocorreram em duas tubulações flexíveis conhecidas como “risers”, que ligam a plataforma ao fundo do mar. Foram detectados pela Petrobras em atividade preparatória ao início da fase quatro do poço. O parecer da ANP diz que a causa imediata do vazamento foi falha na vedação de juntas dessas duas linhas. “Durante a análise da anomalia foi identificado que quando o ‘riser’ é submetido a deslocamentos laterais elevados, forças de contato adicionais são geradas na região das vedações”, explica o texto. A sonda de perfuração da Petrobras fica cerca de 2.900 metros acima do fundo do mar, uma das maiores distâncias entre todos os poços petrolÍferos já perfurados no país. É, de longe, a maior entre os poços já perfurados naquela região. As fortes correntes na região eram apontadas por organizações ambientalistas e pelo próprio Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) como um desafio adicional às operações. A Petrobras chegou a perfurar 95 poços na bacia, que teve seu pico de exploração na década de 1970. Destes, 31 foram abandonados por dificuldades operacionais. Na última tentativa, em 2011, por exemplo, a Petrobras suspendeu a perfuração devido a fortes correntezas. “O relatório considerou que os principais carregamentos laterais atuantes em um ‘riser’ de perfuração decorrem da corrente marítima e do deslocamento da sonda em relação ao poço”, continua o trabalho de auditoria da ANP. O relatório traz algumas recomendações, como trocas e reforços nas juntas dos “risers”, intensificação do monitoramento de linhas e vibrações e deslocamento da sonda de perfuração para aumentar a tensão dessas linhas. Traz também condicionantes para a retomada das operações, entre elas a substituição de todos os selos de juntas dos “risers”, treinamento para funcionários, redução do tempo de coleta de dados sobre a vibração dos equipamentos e evitar uso de 15 juntas reservas que estavam na sonda sem certificação. A Petrobras tem dito que o fluido de perfuração é biodegradável e não causa impactos ambientais. Diz também que não houve danos à integridade do poço. Autor/Veículo: Folha de São Paulo

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Ibama multa Petrobras em R$ 2,5 milhões por vazamento em perfuração na Foz do Amazonas

O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) lavrou um auto de infração contra a Petrobras no valor de R$ 2,5 milhões pelo vazamento de fluido durante a perfuração de poço na bacia Foz do Amazonas. O acidente ocorreu em janeiro. Segundo o Ibama, a autuação decorre da descarga de 18,44 m³ de fluido de perfuração de base não aquosa (mistura oleosa) no mar, oriunda do navio sonda 42 (NS-42). O fluido de perfuração é uma mistura de produtos utilizada durante o processo de perfuração de poços nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás. De acordo com o Ibama, o líquido descarregado acidentalmente no mar pela Petrobras contém componentes classificados na categoria de risco B, o que representa risco médio tanto para a saúde humana quanto para o ecossistema aquático. A partir do auto de infração, a Petrobras tem prazo de 20 dias para efetuar o pagamento da multa ou apresentar defesa administrativa. Após o acidente, a petroleira afirmou que o material é biodegradável e não causa impactos ambientais. Procurada pela agência Reuters para comentar a multa, a Petrobras não respondeu até a publicação. Nesta semana, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) autorizou a Petrobras a retomar a perfuração do poço, que havia sido paralisada no início do ano devido ao vazamento, impondo algumas condicionantes. Inicialmente, a estatal previa concluir as atividades no poço em aproximadamente cinco meses. O vazamento do fluido gerou protestos de ativistas e organizações indígenas locais, que há anos alertam sobre o impacto potencial que a exploração de petróleo pode ter nos ecossistemas marinhos e costeiros da região. O presidente do Ibama disse à Reuters, mais cedo, que o órgão é muito rigoroso na concessão de licenciamento de exploração porque, embora acidentes aconteçam, os planos de gerenciamento são feitos para “reduzir ao máximo a possibilidade da ocorrência desse tipo de situação”. “É aquela coisa, você tem o extintor na parede, mas não quer que tenha um incêndio”, comparou ele, ao avaliar que a região da Foz do Amazonas é “mais sensível” porque, mesmo estando em alto mar, tem áreas de corais e manguezais na costa. O presidente do Ibama citou que a Petrobras é a autuada número 1 do órgão ambiental, “normalmente por causa de pequenos incidentes”. (Reuters) Autor/Veículo: Folha de São Paulo

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‘Vamos atrás de todo o óleo possível’, diz diretora da Petrobras sobre ofensiva por novas reservas

Primeira mulher a subir em uma plataforma de petróleo no Brasil, a geóloga e diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, afirma que a estatal entra 2026 reforçando a ofensiva por novas reservas. Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, a executiva comemora o resultado de 2025, quando a companhia “conseguiu elevar produção e reservas ao mesmo tempo, algo que não é comum na indústria”. Segundo ela, a estratégia que combinou revitalização de campos maduros com a busca de áreas inexploradas seguirá norteando os investimentos. “Vamos atrás de todo o óleo possível”, diz, citando desde as bacias remotas do Solimões e da Margem Equatorial até os tradicionais polos de Campos e Santos. O plano inclui ainda prospecção internacional na Colômbia, Namíbia e África do Sul. A meta é manter a estatal como líder absoluta no mercado brasileiro e blindada das oscilações do petróleo. “Nossas plataformas juntas faturam mais do que a maioria das empresas brasileiras”, ressalta. A seguir, os principais trechos da conversa: Acho que dificilmente se consegue ter o resultado que a gente teve de aumento de produção e ao mesmo tempo aumento de reserva. E sem nenhum grande evento. Fomos olhando cada reservatório. Fizemos um trabalho muito forte de estudo de reservatórios, um por um. Falamos: vamos cuidar melhor do que nós temos, vamos atrás de todo petróleo possível. E claro, Búzios também ajudou, não em reservas, mas na produção. Estamos trabalhando na redução dos custos de poço, engajando toda a operação para atuar com prontidão e dar o seu melhor na mudança de pequenos processos que gerem ganhos. Otimizamos contratos para reduzir custos com o fretamento de aviões no Amazonas, por exemplo. A otimização da chegada de barcos, que abastecem as plataformas com insumos, reduziu o tempo de permanência das embarcações. Economizamos R$ 5 milhões por mês em cada plataforma, sem perder absolutamente nada. Todo mundo está fazendo o seu melhor e, hoje, quando observamos quanto fatura uma plataforma da Petrobras por ano, provavelmente todas juntas faturam mais que a maioria das empresas do Brasil. Não, nem toda descoberta vai precisar de uma nova plataforma. Então, o que a gente quer usar? Os tiebacks (conexões) mais longos, para colocar em uma plataforma existente. Mas tem que fazer estudos para ver se tem pressão para isso. Então, a gente está fazendo esse tipo de estudo, principalmente para a bacia de Campos, porque eu tenho uma infraestrutura lá montada. A gente está revendo. Em Barracuda e Caratinga o bid (licitação) para plataformas deu vazio. Depois tivemos problema com Marlim Sul e Marlim Leste, porque o bid foi lá nas alturas. A proposta era maior do que para um campo do pré-sal. E estamos agora com Albacora. Vamos trazer a P-31 já este ano para ajudar a produzir em Albacora. Vai ser o símbolo de do retorno de uma plataforma que ia ser jogada no lixo. Vai voltar a produzir sem ter que esperar uma plataforma nova, e isso é ótimo. A gente vai antecipar a produção e isso vai ser este ano, já no primeiro semestre. E em breve vamos anunciar uma coisa muito boa para garantir que a manutenção de todas as nossas plataformas seja mais rápida, melhor, mais econômica e feita de forma mais eficiente. A Venezuela bancou o petróleo necessário para a Segunda Guerra Mundial e fala-se muito dos 270 milhões de barris. Só que não é reserva, é potencial. Eu posso olhar tudo, mas tem de estar dentro de todas as legalidades, e hoje a Venezuela está sob sanções. O parque de refino é obsoleto e há um passivo ambiental muito, muito grande. Hoje, ninguém olha a Venezuela por isso. É um projeto fantástico, moderno e praticamente sem emissões, mas estamos esperando a licença ambiental. Por isso, ele disputa recursos com outros projetos em avaliação dentro dos US$ 10 bilhões que reservamos (no Plano de Negócios 2026-2030). Está dentro do cronograma e buscamos negociar com os diferentes stakeholders. As comunidades estão aborrecidas com outras experiências em que todos os recursos dessa atividade foram para o governo central. Nós temos uma responsabilidade social e podemos cooperar com as comunidades de povos originários. A demora impacta mais a Colômbia, que, diferentemente do Brasil, tem quase todas as cidades dependentes do gás. Hoje eles estão importando shale gas (gás de xisto ou folhelho). Não estamos com muito foco na Argentina agora. Há muitas incertezas sobre a remessa de lucros das empresas. Vimos a ExxonMobil, a Shell e outras saindo de lá, e o grande negócio deles é o shale gas. Vista essa conjuntura, prefiro atacar áreas em que temos expertise. A Argentina seria um lugar para a Petrobras se fosse com um sócio que dominasse essa área, os quais também são poucos no mercado. A perfuração da África do Sul foi postergada por conta de licença, ia ser em setembro e agora já estou empurrando para o ano que vem. A maior parte da geração da África do Sul é carvão, e eles não gostam da produção de gás porque desloca o carvão. Na Namíbia, não estamos ainda nessa fase, tem que ter áreas primeiro. A gente ainda não atingiu o reservatório, mas falta pouco. Temos que estar otimista, porque tem tantas informações que a gente vai ter com esse poço (Morpho). Ele é posicionado logicamente, porque tem o potencial do óleo, tem o potencial da gente entender todo o sistema de lá. Mas tudo depende do resultado. Se der óleo, é o resultado, se não der óleo, a gente vai voltar a estudar e vai voltar mais à frente. Depois de perfurar esse poço, a sonda vai furar Mãe Ouro, que é uma locação lá no Rio Grande do Norte. Naquela região do Solimões, a gente está fazendo um poço que não é exploratório, é um poço de extensão, para aumentar a produtividade, porque está produzindo muito. O outro é o poço exploratório, para ver se tem outra acumulação ali perto, que aí a gente aproveita a infraestrutura. A gente só não furou ainda porque para

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ANP: conta regulatória poderá cobrir descontos nas tarifas de gasodutos

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bicombustível (ANP) defende que o novo desconto de 15% nas tarifas de saída dos gasodutos de transporte, para contratos de longo prazo, contribuirá positivamente para o equilíbrio do sistema. O regulador admite, porém, que, se necessário, recorrerá à conta regulatória para compensar o novo incentivo – que mira, em especial, as térmicas a gás conectadas à rede no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de março. “A ANP pretende usar a conta regulatória que tem a função de equilibrar o sistema de transporte. Não faz sentido deixar a conta regulatória parada nas transportadoras”, afirmou a agência, em nota ao eixos pro (teste grátis), serviço exclusivo para empresas da agência eixos, ao ser questionada sobre a operacionalização do desconto. A integração entre o mercado de gás e o setor elétrico será tema de debate na gas week outlook São Paulo 2026, no dia 24 de fevereiro. O evento promovido pela agência eixos reúne algumas das principais lideranças do setor de energia do país em um encontro voltado ao debate sobre os rumos do mercado de gás natural no Brasil. Veja a programação. Como funciona a conta regulatória? A conta regulatória é um mecanismo que registra as diferenças entre a receita máxima permitida das transportadoras e a receita efetivamente auferida num período tarifário. Serve para evitar cenários tanto de subarrecadação quanto de sobrearrecadação. O saldo da conta, hoje, é positivo, na casa de centenas de milhares de reais. Esse volume é oriundo, principalmente, de penalidades e contratação de produtos de curto prazo – na esteira do desenvolvimento do mercado spot de gás no Brasil. Aliás… com a revisão da sistemática do LRCAP pelo Ministério de Minas e Energia (MME), a expectativa é que as térmicas a gás conectadas na malha de gasodutos contratem apenas uma parte de sua demanda por capacidade por meio de contratos firmes – e a outra seja complementada, justamente, com os produtos de curto prazo. A Resolução 991/2026, publicada em janeiro, disciplina a aplicação e monitoramento da conta e estabelece que o seu saldo deve ser revertido, prioritariamente, à modicidade tarifária – uma bandeira dos usuários. A regulação diz que o saldo da conta pode ser convertido, total ou parcialmente, em aumento ou redução da receita máxima permitida para o ano subsequente. E permite, por exemplo, que o saldo positivo da conta dos produtos de curto prazo seja usado para compensar fustrações de demanda nos processos de oferta de capacidade. Autor/Veículo: Eixos

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