20 de fevereiro de 2026

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Biodiesel: importar é necessidade ou escolha estratégica?

A discussão sobre a possível liberação da importação de biodiesel deixou de ser apenas um embate entre produtores e distribuidores e passou a refletir uma disputa mais ampla sobre modelo de política energética, formação de preços e estratégia industrial. A pergunta central, contudo, permanece objetiva: existe necessidade técnica para importar biodiesel ou trata-se de uma escolha regulatória orientada por lógica concorrencial? O tema ganhou tração formal com a Consulta Pública nº 203/2025, encerrada em janeiro e conduzida pelo Ministério de Minas e Energia, que colocou em debate a possibilidade de permitir a importação parcial do biocombustível para atendimento à mistura obrigatória de 15% (B15). A partir desse movimento institucional, consolidaram-se dois blocos claramente identificáveis. De um lado, associações ligadas à distribuição e ao comércio de combustíveis passaram a defender a abertura regulada do mercado. Entre elas estão o IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), a Brasilcom, a Fecombustíveis e o SindTRR. Essas entidades argumentam que permitir importações — eventualmente limitadas a um percentual do total demandado — ampliaria a concorrência, reduziria distorções de mercado e funcionaria como mecanismo de disciplina de preços, sobretudo em momentos de alta do óleo de soja ou pressão cambial. No governo, a discussão também revelou nuances. A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) participa tecnicamente do debate regulatório, enquanto áreas econômicas com foco concorrencial avaliam a abertura como instrumento de eficiência. Não se trata, portanto, de proposta isolada do setor privado, mas de tema efetivamente inserido na agenda regulatória. No campo oposto, a reação veio da cadeia produtiva doméstica. A Frente Parlamentar do Biodiesel e associações de produtores argumentam que a importação comprometeria investimentos, empregos no campo e a previsibilidade regulatória construída ao longo de duas décadas. O setor ressalta que o Brasil dispõe de capacidade instalada entre 14 e 15 bilhões de litros anuais, enquanto a produção efetiva oscila entre 9 e 10 bilhões, o que implica ociosidade próxima de 40% a 50%. Sob esse prisma, não haveria insuficiência estrutural de oferta que justificasse a necessidade técnica de importar. Essa diferença de diagnóstico é o ponto central do debate. Os defensores da abertura não sustentam que o país esteja enfrentando escassez produtiva, mas que a importação poderia atuar como ferramenta de arbitragem internacional e moderação de custos. Se o biodiesel estiver mais barato no exterior — por escala, subsídios ou diferenciais tributários — a entrada do produto estrangeiro poderia reduzir o custo médio da mistura obrigatória e gerar impacto indireto sobre o diesel ao consumidor final. Já os produtores nacionais afirmam que a ativação da capacidade ociosa seria suficiente para atender eventuais aumentos graduais da mistura, inclusive em cenários de avanço para B16 ou B17. Argumentam ainda que a cadeia do biodiesel está integrada ao esmagamento de soja e à produção de farelo, essencial para a pecuária. A substituição parcial por produto importado reduziria o processamento interno e poderia afetar encadeamentos produtivos que vão além do setor energético. Do ponto de vista estritamente técnico-industrial, os dados disponíveis indicam que a demanda interna pode ser plenamente suprida pela indústria nacional no curto e médio prazo. A questão, portanto, desloca-se do campo da necessidade para o da escolha estratégica. Optar pela importação significa privilegiar a competição internacional como instrumento de política de preços; rejeitá-la implica reforçar a lógica de desenvolvimento industrial doméstico e integração agroenergética. Não há evidência concreta de déficit estrutural de produção que torne a importação inevitável. O que existe é uma disputa sobre qual modelo de regulação melhor equilibra concorrência, previsibilidade e segurança energética. A decisão final, mais do que operacional, será política e econômica — e seus efeitos se estenderão da bomba de diesel às cadeias agrícolas. (Blog por Pedro Côrtes) Autor/Veículo: CNN (Blog)

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Vibra reforça cabotagem de combustíveis no NE

A Vibra concluiu a ampliação de sua Base de Suape, em Pernambuco, e elevou a capacidade total de armazenagem do terminal de 142.542 m³ para 247.996 m³. Com investimento superior a R$ 100 milhões, a unidade passa a ser a maior base da distribuidora no país em volume de tancagem e reforça o papel de Suape como hub logístico estratégico para o abastecimento de combustíveis e biocombustíveis no Nordeste. O terminal opera em modelo de pool logístico, compartilhado com Raízen e Ipiranga, com foco em ganhos de eficiência operacional e melhor aproveitamento da infraestrutura instalada. “O projeto elevou significativamente a capacidade de movimentação de produtos, com destaque para os biocombustíveis, tornando a unidade um hub estratégico da Vibra no Nordeste. Trata-se de uma entrega desafiadora, realizada com alto padrão técnico e de segurança, em uma operação contínua e complexa”, afirma Daniel Drumond, vice-presidente executivo de Operações da Vibra. A expansão incluiu a construção de oito novos tanques: seis unidades de 14 mil m³ (flexíveis entre etanol anidro e gasolina), um tanque de 10 mil m³ para diesel S10 e outro de 10 mil m³ para querosene de aviação (QAV). Autor/Veículo: Transporte Moderno

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Plano de aporte na Raízen melhora clima com credores

A elaboração do desenho inicial de um plano de capitalização e reestruturação da Raízen tirou pressão dos papéis emitidos no exterior pela companhia. Na semana passada, esses títulos chegaram a operar em patamares de preço que representavam uma perspectiva de recuperação de apenas 30% do valor de face, diante de sinais de dificuldades para viabilizar uma capitalização prometida em 2025 por Cosan e Shell – suas controladoras –, da ausência de notícias sobre vendas de ativos e do rebaixamento da nota da empresa para CCC (patamar de alto risco) pela Moody’s. No entanto, as informações de que há estudos para uma capitalização de pouco mais de R$ 8 bilhões, cisão da empresa em dois negócios e a conversão de 25% das dívidas em ações soaram bem no exterior. Outro fator que contribuiu foram os esclarecimentos feitos pela gestão do grupo, após a divulgação de um prejuízo de R$ 15,6 bilhões, de que não há vencimentos próximos e de que a piora da nota de crédito não acionará vencimentos antecipados de dívida. Autor/Veículo: O Estado de S.Paulo

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Desemprego fecha 2025 com menor média anual da série em 19 estados e no DF, diz IBGE

A taxa de desemprego atingiu em 2025 a menor média anual da série histórica em 19 estados e no Distrito Federal, disse nesta sexta-feira (20) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Foram os seguintes casos: Bahia (8,7%), Amazonas (8,4%), Rio Grande do Norte (8,1%), Amapá (7,9%), Sergipe (7,9%), Distrito Federal (7,5%), Pará (6,8%), Maranhão (6,8%), Ceará (6,5%), Paraíba (6,0%), São Paulo (5,0%), Tocantins (4,7%), Minas Gerais (4,6%), Goiás (4,6%), Rio Grande do Sul (4,0%), Paraná (3,6%), Espírito Santo (3,3%), Mato Grosso do Sul (3,0%), Santa Catarina (2,3%) e Mato Grosso (2,2%). O cenário segue o registrado no país, que também fechou o ano passado com o indicador na mínima. A taxa de desocupação do Brasil foi de 5,6% na média anual de 2025. Os dados integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), cuja série histórica começou em 2012. O resultado do país já havia sido publicado pelo IBGE em janeiro. A apresentação desta sexta traz outros detalhamentos, incluindo números dos estados. Analistas associam o panorama recente do mercado de trabalho a uma combinação de fatores. O primeiro é o desempenho positivo da economia nos últimos anos, que contribuiu para a abertura de vagas. Outra questão que analistas costumam citar é a mudança demográfica em curso no país. Com o envelhecimento da população, a tendência é de que uma parcela dos brasileiros saia do mercado e deixe de procurar ocupação. Isso reduz a pressão sobre a taxa de desemprego porque uma pessoa sem trabalho também precisa estar em busca de oportunidades para ser considerada desocupada. Não basta só não trabalhar. O quadro ainda é influenciado pela abertura de vagas ligadas à tecnologia. Estudo recente do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) estimou que atividades realizadas por meio de aplicativos reduziam o desemprego em 1 ponto percentual no país. Os dados do IBGE consideram postos de trabalho formal e informal. Ou seja, com ou sem carteira assinada ou registro de CNPJ. Autor/Veículo: Folha de S.Paulo

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