23 de março de 2026

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Governo inicia estudo para aumentar mistura de etanol na gasolina para 35%

Pesquisas sobre as fórmulas de gasolina com 35% de etanol e diesel com 25% de biodiesel começaram no Brasil. Para isso, o Ministério de Minas e Energia estruturou uma rede nacional de pesquisa para avaliar a viabilidade técnica do aumento das misturas de biocombustíveis nos combustíveis comercializados, como anunciado essa semana. Segundo a pasta, a medida contará com o investimento de R$ 30 milhões, previstos pelos próximos três anos, para realização de testes laboratoriais e análises em veículos e motores, em apoio à implementação da Lei do Combustível do Futuro (14.993/24). Para continuar a leitura clique aqui. Autor/Veículo: Quatro Rodas

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Caminhoneiros dão 7 dias para governo apresentar soluções para frete e diesel

Horas após a assembleia realizada na quinta-feira em Santos, no litoral de São Paulo, decidir contra uma paralisação nacional da categoria e dar prazo de sete dias ao governo federal, entidades ligadas aos caminhoneiros divulgaram notas em apoio à Medida Provisória n.º 1.343/2026, mas alertaram que o estado de greve está mantido até a conclusão das negociações sobre pontos ainda pendentes da pauta de negociações. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), confirmou nesta sexta-feira que receberá representantes dos caminhoneiros na semana que vem, em mais uma etapa das tratativas abertas após a publicação da medida provisória. Assim, a decisão tomada na sede do Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (Sindicam), em Santos, não encerrou o movimento, mas transferiu para a próxima semana uma nova avaliação sobre eventual paralisação. “Está mantido o estado de greve”, disse José Roberto Stringasci, presidente da Associação Nacional de Transporte no Brasil (ANTB). Segundo ele, a maioria dos participantes da assembleia queria parar, mas aceitou aguardar. “Se em sete dias o governo não resolver a situação e não der um sinal positivo para as pautas, eles vão parar”, disse. Em nota divulgada na noite de quinta, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) afirmou que a paralisação nacional está, “por enquanto, suspensa” e atribuiu a decisão à publicação da MP nº 1.343/2026. O presidente da entidade, Paulo João Estausia, o Paulinho do Transporte, disse que os caminhoneiros agiram com “maturidade, responsabilidade e coerência” ao evitar a greve. A CNTTL informou que vai negociar com o governo outras pautas, que poderão ser apresentadas por meio de emendas à medida provisória. A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) também informou, em nota, que a greve geral está suspensa até nova reunião com o governo na semana que vem. A entidade relacionou a decisão às medidas publicadas nos dias 12 e 19 sobre diesel, frete e fiscalização do piso mínimo. A suspensão da greve está condicionada ao avanço das negociações e ao atendimento das reivindicações ainda pendentes. “Para nós, o piso mínimo (do frete) é dignidade e qualidade de vida para os caminhoneiros. Se subir o diesel, agora, com as regras dessa MP, o frete subirá também”, disse o presidente do Sindicam, Luciano Santos de Carvalho, sobre a medida provisória. Publicada em edição extra do Diário Oficial da União, a MP nº 1.343/2026 torna obrigatório o registro de todas as operações de transporte pelo Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), o que permitirá à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) cruzar os valores pagos com o piso mínimo do frete rodoviário. O texto prevê multas de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação para empresas que descumprirem a tabela. Em caso de reincidência, a empresa poderá ter o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) suspenso cautelarmente ou a autorização cancelada por até dois anos. O governo também publicou o Decreto n.º 12.883/2026, com diretrizes para a definição do preço de referência do diesel. Em Santa Catarina, onde caminhoneiros ligados à Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC) tinham anunciado paralisação a partir do meio-dia de quinta-feira, o presidente da entidade, Sérgio Pereira, anunciou no mesmo dia a desmobilização do movimento. Antes disso, a Justiça Federal proibiu bloqueios nas BRs 101 e 470 e nos acessos ao complexo portuário de Itajaí e Navegantes, com multa de R$ 10 mil por pessoa física e R$ 100 mil por pessoa jurídica em caso de descumprimento. Autor/Veículo: Correio do Povo

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Guerra no Oriente Médio, 5 décadas depois do 1º choque do petróleo, representa uma volta à realidade

O mercado de petróleo atravessa um dos momentos mais voláteis desde a década de 1970. O cenário atual evoca paralelos com o primeiro choque do petróleo, em 1973, quando a Opaep (formada pelos membros árabes da Opep) decretou embargo aos países ocidentais que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, quadruplicando o preço do barril. Para o Brasil, o impacto foi particularmente severo. À época, o País importava cerca de 80% do petróleo que consumia, vulnerabilidade que se traduziu em duro golpe na balança comercial, na escalada da dívida externa e na aceleração inflacionária. Encerrou o chamado “milagre econômico”. No entanto, em vez de se resignar, o Brasil transformou o problema em motor de inovação. Nasceu o Proálcool, um projeto para substituir a gasolina pelo etanol de cana-de-açúcar. Simultaneamente, a Petrobras deu um salto tecnológico ao intensificar a exploração na plataforma continental. Hoje, assistimos a um outro choque, de novo alimentado pela instabilidade no Oriente Médio. Cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta cruza o Estreito de Ormuz. Soma-se a isso o risco de destruição de infraestruturas energéticas na região. Desta vez, o Brasil enfrenta a tormenta com soberania energética. É líder mundial em biocombustíveis e detentor de tecnologia de ponta na exploração de petróleo em águas profundas. Os desafios não desaparecem. O repasse da alta internacional aos preços pressiona a inflação, pois ainda importamos derivados. O governo zerou o PIS/Cofins do diesel, com uma subvenção e um imposto de exportação, o que deve amenizar o impacto inflacionário da alta do preço do diesel pela Petrobras. E propôs redução do ICMS aos Estados. As exportações brasileiras para os países do Oriente Médio também podem ser afetadas por um cenário de conflito prolongado. Os conflitos do Oriente Médio representam uma volta à realidade: os combustíveis fósseis são peça-chave para a economia global, o que dá vantagem a países produtores como o Brasil. Mesmo com os avanços na transição para uma energia limpa, o petróleo ainda tem o poder de desestabilizar a economia, com impactos nas cadeias de produção, na inflação e na taxa de juros e desabastecimento. Para o Brasil, o registro central permanece. Na crise de 50 anos atrás, convertemos vulnerabilidade em vantagem competitiva. Podemos provar mais uma vez que transformar crise em oportunidade é a nossa melhor versão. Autor/Veículo: O Estado de São Paulo

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Ex-presidente do IBP: Brasil depende de importação de diesel

O Brasil não é autossuficiente na produção de diesel e depende da importação de 25% a 30% do combustível consumido no país. A afirmação foi feita por Eberaldo de Almeida Neto, ex-presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), em entrevista ao Agora CNN neste domingo (22). Segundo Eberaldo, o país enfrenta um momento crítico por estar em período de colheita da safra, quando o consumo de diesel aumenta significativamente devido ao uso de máquinas colheitadeiras e ao transporte da produção. “Outro problema é que o Brasil é muito dependente do transporte do diesel, muito dependente do modal rodoviário. Essa é uma questão estrutural, que está aí há anos e a gente não consegue resolver”, explicou. O especialista destacou que outros países de dimensões continentais utilizam mais ferrovias e hidrovias, reduzindo a dependência do transporte rodoviário, que é menos eficiente em relação ao consumo de diesel. Ele também comentou sobre a defasagem atual nos preços do combustível: “A defasagem é superior a R$ 2,00 por litro. Hoje a Petrobras vende a R$ 3,65 o litro do diesel A, diesel fóssil, nas refinarias, e no mercado internacional está mais de R$ 5,00”. Conflitos internacionais e impacto no preçoEberaldo explicou que o diesel, como toda commodity, passa por ciclos de preço influenciados tanto pelo petróleo, sua matéria-prima, quanto por variações na demanda global. Ele citou como exemplo o que ocorreu durante a guerra na Ucrânia: “Foi o que aconteceu na época da guerra da Ucrânia, em que o gás russo deixou de fluir para a Europa e começaram a usar mais diesel para a produção de energia. A demanda de diesel cresceu e o valor do diesel cresceu bastante, apesar do petróleo ter ficado estável”. O atual cenário geopolítico, especialmente os conflitos no Oriente Médio, também representa um fator de risco para o mercado de combustíveis. Segundo o especialista, o Estreito de Ormuz, importante rota de transporte de petróleo, enfrenta problemas com mais de 3 mil navios aguardando passagem, com fluxo reduzido de 100 navios semanais para apenas 5 a 7 atualmente. Alternativas e biocombustíveisSobre possíveis soluções, Eberaldo mencionou o potencial dos biocombustíveis. Ele explicou que o diesel consumido no Brasil, chamado de diesel B, contém 15% de biodiesel e 85% de combustível fóssil. Existe um mandato aprovado para aumentar a proporção de biocombustíveis para até 25% do diesel. “O biocombustível que é usado hoje no Brasil, obviamente tem várias rotas tecnológicas, de biomassa, de várias fontes distintas, mas ele praticamente vem da esterificação do óleo de soja e do sebo animal”, detalhou o especialista. Ele ressaltou que, embora o biodiesel tenha algumas características específicas, como a tendência a formar borra quando fica muito tempo parado, seu uso contínuo não apresenta problemas. Autor/Veículo: CNN

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Petróleo Brent fecha em máxima desde julho de 2022

Os preços do petróleo fecharam em alta nesta sexta-feira (20), após um dia marcado por volatilidade, com infraestruturas energéticas no Oriente Médio danificadas e o Estreito de Ormuz ainda em grande parte fechado. O Goldman Sachs apontou que os preços mais altos podem persistir até 2027. O petróleo Brent de maio fechou em alta de 3,26%, para US$ 112,19 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE). O ganho semanal foi de 8,77%. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI, referência nos EUA, de maio, fechou em alta de 1,91%, a US$ 94,74 o barril. Na semana, porém, recuou 4,02%. “A persistência de vários grandes choques de oferta anteriores reforça o risco de que os preços do petróleo possam permanecer acima de US$ 100 por mais tempo em cenários de risco com interrupções mais prolongadas e grandes perdas persistentes de oferta”, escreveram analistas do Goldman Sachs em nota divulgada na quinta-feira (19). Os preços do petróleo bruto americano e do Brent divergiram ligeiramente esta semana, após o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter trabalhado para aumentar a produção nos EUA. Os Estados Unidos são o maior produtor de petróleo do mundo, o que protege o país de parte dos recentes impactos causados pela guerra com o Irã, observaram analistas do Deutsche Bank nesta sexta-feira (20). O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país acataria o apelo do presidente Trump para não repetir os ataques a importantes instalações de produção de energia no Irã. O ataque israelense ao campo de South Pars, no Irã, desencadeou a retaliação iraniana contra Ras Laffan, no Catar, a maior instalação de gás natural liquefeito do mundo, o que fez com que os preços do petróleo disparassem no início desta semana. Trump também procurou tranquilizar os americanos que enfrentam os preços da gasolina mais altos em quase dois anos e meio, dizendo que “isso vai acabar muito em breve”. Ele acrescentou que, antes de Israel e os Estados Unidos iniciarem a guerra contra o Irã, ele achava que os preços seriam “muito piores”. Um relatório também indicou que o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja ocupar ou bloquear a ilha iraniana de Kharg para pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz. Os preços da gasolina nos EUA subiram mais 3 centavos de dólar por galão durante a noite, chegando a uma média de US$ 3,91 nesta sexta-feira (20), segundo a Associação Automobilística Americana (AAA). Esse é o preço médio mais alto por galão de gasolina comum desde 13 de outubro de 2022. Sem perspectiva de fim do conflitoAproximando-se da quarta semana, o conflito não dá sinais de que está chegando ao fim. Países do Oriente Médio relataram ter interceptado drones e mísseis logo ao amanhecer desta sexta-feira (20). O Estreito de Ormuz — uma passagem marítima entre o Irã e Omã — está efetivamente fechado há 19 dias, interrompendo o fluxo de 20% do fornecimento mundial de petróleo. Uma fonte de segurança iraniana de alto escalão disse à CNN na quinta-feira (19) que o Estreito “não retornará às condições pré-guerra”, reiterando ameaças anteriores de que a via navegável seria interrompida caso o Irã fosse atacado. Com o Estreito praticamente bloqueado por quase três semanas, o Goldman Sachs prevê que os preços do petróleo provavelmente continuarão subindo. O banco alertou que o preço do Brent, referência internacional, poderá ultrapassar a máxima histórica, registrada em 2008, de cerca de US$ 147 por barril, caso as interrupções no fornecimento se prolonguem. No pior cenário, o banco estimou que os preços do Brent chegariam a cerca de US$ 111 por barril no quarto trimestre de 2027, se o fornecimento de petróleo pelo Estreito permanecesse muito baixo por mais de dois meses e a produção se mantivesse em 2 milhões de barris por dia após a reabertura. O cenário mais favorável, segundo o Goldman Sachs, prevê uma recuperação gradual do fluxo de petróleo pelo Estreito a partir de abril, levando o preço do Brent para a faixa dos US$ 70 até o quarto trimestre de 2026. A QatarEnergy, operadora estatal de Ras Laffan, já informou que os ataques com mísseis reduziram a capacidade de exportação de gás natural liquefeito do país em 17% e que a recuperação pode levar até cinco anos, impactando o fornecimento para os mercados da Europa e da Ásia. Pressão para reduzir os preçosPara combater o aumento dos preços da gasolina, o governo Trump está considerando diversas opções. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, sugeriu a remoção das sanções ao petróleo iraniano já em alto-mar, em uma tentativa de reduzir os preços do petróleo – o que poderia significar reforçar os cofres de guerra de um inimigo dos EUA. Mas a Casa Branca descartou, até o momento, a imposição de uma proibição às exportações de petróleo bruto e gás como uma possível forma de aliviar a alta dos preços da energia, compartilhou um funcionário do governo à CNN. Como parte de uma liberação emergencial histórica de petróleo, acordada por 32 países membros da Agência Internacional de Energia no início deste mês, os Estados Unidos se comprometeram a liberar mais de 172 milhões de barris de petróleo bruto de reservas. Trump também pediu publicamente o apoio dos aliados dos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz. O Reino Unido enviou um pequeno contingente de planejadores militares para trabalhar com os Estados Unidos na elaboração de um “plano coletivo viável”, afirmou um oficial da defesa britânica. Outros parceiros dos EUA, no entanto, disseram que é improvável que enviem recursos militares para o Estreito em meio às hostilidades em curso. Donald Trump atacou os aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) nesta sexta-feira (20), alegando falta de apoio à guerra EUA-Israel contra o Irã, chamando os aliados de longa data dos EUA de “covardes”. *Com informações da CNN Internacional Autor/Veículo: CNN

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Importação de combustível despenca, e ANP vê ‘situação excepcional de risco’

Em nota técnica que justificou medidas para aumentar a oferta de combustíveis no país, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) diz que o mercado brasileiro passa hoje por “situação excepcional de risco”. O cenário é fruto, principalmente, da retração das importações após o início da guerra no Irã, que jogou pressão sobre os estoques existentes no país e sobre a Petrobras, principal fornecedora do mercado interno. Nos primeiros 17 dias de março, diz a agência, o volume de combustíveis importado caiu quase 60% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Brasil depende de importações para abastecer cerca de 30% do consumo de diesel e cerca de 10% do consumo de gasolina. “O aumento do preço internacional, associado ao risco logístico na região do golfo, reduziu a competitividade econômica do diesel importado e deslocou maior pressão de demanda para o produto nacional”, diz o texto. Com menor importação, empresas que tinham estoques de produtos passaram a perceber grande elevação nos pedidos de postos que dependiam de combustível importado. Essas empresas decidiram privilegiar seus clientes com contratos estabelecidos, gerando percepção de falta de combustíveis em algumas regiões. A escassez levou também a aumento de preços dos produtos, mesmo antes de reajuste da Petrobras. A Petrobras, por sua vez, já vinha adotando uma estratégia de reduzir aprovações de pedidos de distribuidoras, direcionando diesel e gasolina importados para leilões com preços maiores, o que teve impacto nos estoques do setor privado. Os dados da ANP apontam que, no primeiro trimestre, a estatal aprovou volumes menores de gasolina e diesel em relação ao mesmo período do ano anterior. A exceção é o diesel S-10, que teve volume maior durante os três primeiros meses do ano. A ANP destaca, porém, que os volumes que não foram vendidos em contratos passaram a ser oferecidos ao mercado em leilões. A estratégia tem impacto sobre o preço final do produto, mas não necessariamente sobre a oferta. Nesta semana, a estatal cancelou leilões de gasolina e diesel para entrega em abril, o que levou distribuidoras a enviar cartas ao governo alertando para o risco de falta de produtos. Para a ANP, o mercado passa por um momento de desequilíbrio de estoques, com pouco volume na ponta (distribuidoras e postos) e maiores volumes com produtores. “A Petrobras manteve estoques acima do estoque regulatório ao mesmo tempo em que praticamente todos os grandes clientes demandavam volume adicional”, diz a nota técnica. O cenário de risco, conclui o texto, é provocado por retração relevante da oferta importada, pressão sobre a demanda interna, desequilíbrio entre os estoques, expansão geográfica dos relatos de dificuldade de acesso ao produto e início de pressão também sobre a gasolina. Nesta quinta-feira (20), a ANP determinou que a Petrobras realize os leilões e implementou medidas de monitoramento do abastecimento, solicitando de grandes empresas do setor informações sobre estoques e programação de importações. Autorizou ainda o uso de estoques regulatórios que estão em mãos de refinarias e distribuidoras para suprir o mercado. As medidas se somam ao pacote do governo para tentar minimizar o impacto ao consumidor, com isenção de impostos federais sobre o diesel e uma subvenção de R$ 0,32 para empresas que venderem o produto com preço menor do que um valor estipulado pelo próprio governo. Distribuidoras e importadores privados, porém, defendem que a normalização do abastecimento depende de aproximação entre os preços internos e as cotações internacionais, hoje inflacionadas pelo conflito no Oriente Médio. O preço do diesel nas refinarias da Petrobras custa hoje R$ 2,68 por litro a menos do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). O valor é muito maior do que a subvenção de R$ 0,32 por litro criada pelo governo para compensar prejuízos com a importação. Em nota divulgada nesta sexta, seis entidades que representam empresas do setor reforçaram que as incertezas sobre os preços geram riscos de desabastecimento no mercado nacional. “Parte relevante do abastecimento nacional também vem de refinarias privadas e de importadores, os quais, diferentemente da Petrobras, não atuam na extração de petróleo no Brasil e praticam preços sempre de acordo com as referências internacionais”, escreveram. A Petrobras disse em nota na quinta que “continua entregando ao mercado todo o volume de combustíveis produzidos em suas refinarias, que estão operando em carga máxima” e que tem fornecido volumes “cerca de 15% superiores aos montantes acordados no início do mês”. Autor/Veículo: Folha de São Paulo

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