Nota de Repúdio
Repostando Sindicombustíveis: Nós, revendedores de combustíveis, recebemos com profunda indignação a propaganda institucional veiculada pelo governo federal em horário nobre, tentando transferir para os postos e distribuidoras a responsabilidade pelo aumento dos combustíveis no Brasil. Essa narrativa é injusta, simplista e desrespeitosa com um setor que trabalha diariamente, gera empregos, arrecada bilhões em impostos e mantém o país funcionando. Vivemos um cenário internacional de enorme instabilidade, com conflitos envolvendo Estados Unidos e Irã, tensão no Estreito de Hormuz, por onde passa parte significativa do petróleo mundial, alta do barril, valorização do dólar, aumento dos fretes marítimos e pressão global sobre toda a cadeia energética. Mesmo assim, o governo prefere buscar um culpado fácil para a população, apontando para o último elo da cadeia: o posto revendedor. A revenda não produz petróleo. A revenda não refina combustível. A revenda não define política internacional, câmbio ou preço do barril. O posto compra combustível já com custos definidos por refinarias, importadores, distribuidoras, logística, impostos e mistura obrigatória de biocombustíveis. Somos, inclusive, um dos setores que mais arrecadam impostos no Brasil. O combustível é uma das maiores fontes de arrecadação de ICMS para estados e municípios, além de PIS/Cofins, contribuições previdenciárias e diversos encargos federais. O dinheiro que financia essas campanhas também sai do esforço do setor produtivo, inclusive dos postos de combustíveis. E o posto vai muito além do combustível. Em milhares de municípios brasileiros, principalmente no interior, o posto de combustível é ponto de apoio da população, oferecendo iluminação, segurança, vigilância, banheiro, loja de conveniência, caixa eletrônico 24 horas, geração de empregos e funcionamento permanente, muitas vezes sendo uma referência econômica e social da região. Ao invés de promover propaganda para criar vilões, o governo deveria enfrentar os problemas estruturais do setor energético brasileiro. O Brasil possui alternativas reais, limpas e eficientes para reduzir o impacto dos combustíveis no bolso da população, mas falta coragem para implementar medidas concretas. No caso do GNV, é preciso criar uma política de previsibilidade e competitividade, indexando o gás natural veicular a um percentual do preço da gasolina, algo em torno de 50%, garantindo estabilidade ao consumidor e competitividade para milhares de motoristas de aplicativo, taxistas e trabalhadores que dependem do combustível para sobreviver. Já o etanol precisa ser tratado como prioridade nacional. O Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e uma frota majoritariamente flex. O etanol substitui diretamente a gasolina na maior parte dos veículos brasileiros e poderia aliviar imediatamente o custo do abastecimento. Para isso, o governo deveria promover ampla desoneração do etanol: redução de ICMS, PIS/Cofins e demais encargos, incentivando um combustível brasileiro, renovável, sustentável e gerador de empregos no campo e na indústria nacional. Mas, ao invés de incentivar alternativas energéticas inteligentes e nacionais, prefere-se fazer propaganda e apontar culpados. Defender a revenda é defender a livre iniciativa, o mercado livre, a concorrência saudável, os empregos e a segurança energética do Brasil. Nós não temos medo de fiscalização. Fiscalização séria, técnica e equilibrada sempre foi bem-vinda pelo setor. Se a fiscalização fosse feita de forma uniforme, transparente e republicana, do poço ao posto, abrangendo toda a cadeia, produção, importação, refino, distribuição, transporte e revenda, não haveria qualquer problema. O que não podemos aceitar é a espetacularização e a perseguição institucional contra a revenda. Ver PROCONs mobilizados nacionalmente apenas para pressionar postos, acompanhados de Polícia Rodoviária Federal atuando dentro das cidades, criando ambiente de intimidação e criminalização de empresários e trabalhadores, é um verdadeiro escárnio. A grande maioria dos revendedores brasileiros é formada por empresários sérios, trabalhadores e republicanos. Como em qualquer segmento da sociedade, existem exceções, mas não se pode condenar todo um setor por casos isolados. O Brasil precisa de equilíbrio, responsabilidade e verdade, não de propaganda política financiada com dinheiro do contribuinte para criar inimigos perante a opinião pública. A revenda brasileira merece respeito. Sindicombustíveis/PE Autor/Veículo: Sidicombustíveis – PE




