21 de maio de 2026

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Previsão de seca prolongada no Norte leva Atem a reorganizar cargas de diesel

A previsão de uma seca mais prolongada na região Norte este ano está fazendo a Atem antecipar a programação de cargas de diesel para garantir o suprimento do combustível no segundo semestre do ano. “A gente vai ter um El Niño muito forte este ano e o suprimento vai ser mais difícil na região Norte”, disse disse o diretor de Trading da Atem, Rafael Valim, durante durante o Argus Rio Crude Conference, na quarta-feira (20/5). O transporte de cargas de combustíveis na região ocorre sobretudo por meio de rios, portanto uma estiagem mais prolongada compromete a movimentação e impacta os custos logísticos. No ano passado, a seca durou dois meses, mas para 2026 a previsão é que possa se estender por até cinco meses. “Estou me preparando para o pior ano”, afirmou o executivo a jornalistas. Valim ressaltou que é um desafio se programar para esse cenário em meio a um mercado de petróleo instável, com alta volatilidade de preços devido à guerra no Irã, mas ressaltou que não há risco de desabastecimento. Segundo ele, o grupo vai manter o compromisso de atender aos clientes na região, incluindo as usinas termelétricas. “Não vai faltar produto de jeito nenhum”, disse. A Atem responde por cerca de 60% do abastecimento de diesel da região Norte. O fenômeno do El Niño aquece as águas do Oceano Pacífico Equatorial e gera secas mais prolongadas na região Amazônica. Valim lembrou que o fenômeno tende a impactar também a demanda de diesel pelo agronegócio, com a antecipação das colheitas e do período de maior consumo do combustível. “A gente vai ver esse movimento do consumo de diesel provavelmente acontecendo antes do que normalmente acontece e deve ser um pouco menor”, afirmou. Autor/Veículo: Eixos

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Declaração de Lula reforça contestação judicial do imposto de exportação de petróleo

A declaração do presidente Lula sobre o uso do imposto de exportação do petróleo para subsidiar combustíveis reforçou a avaliação de advogados de que a medida provisória é inconstitucional, e pode causar, inclusive, questionamentos relacionados aos interesses de acionistas minoritários da Petrobras. Durante evento de anúncio de investimentos da Petrobras, na segunda (18/5), Lula afirmou que o Brasil “talvez seja o país que esteja com o combustível mais barato”, apesar da escalada internacional dos preços provocada pela guerra no Oriente Médio. O presidente declarou ainda que as medidas para conter os impactos da alta fazem parte de um “acordo com a Petrobras”.“Com esse dinheiro a mais que a Petrobras e as outras empresas estão ganhando, estamos cobrando o imposto da exportação, para que a gente possa subsidiar o diesel e a gasolina para não sobrar pro bolso do povo brasileiro”, disse Lula. Segundo o presidente, o governo está “tirando dinheiro da própria Petrobras e do orçamento do governo para não permitir que esse prejuízo chegue ao povo brasileiro”. A Medida Provisória 1340/26 instituiu uma alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo bruto em março, no contexto das primeiras ações do governo para enfrentar a alta internacional do barril, incluindo subvenções ao diesel. Na época, a presidente da Petrobras Magda Chambriard minimizou os impactos do imposto sobre a companhia, chegando a dizer que a cotação do barril no cenário de guerra “compensava o imposto em muito”. A MP tem validade até 7 de julho e o IBP aposta na caducidade antes da votação. No Congresso Nacional, a medida já recebeu 153 emendas, sendo 18 delas voltadas à retirada do trecho que trata do imposto de exportação. O que dizem os especialistasPara especialistas ouvidos pela agência eixos, as falas do presidente fortalecem os argumentos das empresas que contestam a constitucionalidade da medida, sobretudo em relação ao caráter arrecadatório do tributo e ao possível desvio de finalidade. Jeniffer Pires, sócia do Kincaid Mendes Vianna Advogados, avalia que a fala de Lula pode reforçar teses já existentes, especialmente ligadas à finalidade extrafiscal do tributo, eventual desvio de finalidade e à própria motivação econômica da medida. Ainda assim, ela pondera que a declaração “dificilmente, sozinha, seria um fato automaticamente determinante para invalidar o imposto”. A advogada lembrou que a liminar que havia suspendido a cobrança para as cinco maiores petroleiras foi derrubada em abril. A ação foi movida por TotalEnergies, Repsol Sinopec Brasil, Petrogal, Shell e Equinor do Brasil. A decisão anterior impedia a cobrança do imposto de exportação incidente sobre a venda de petróleo bruto prevista na MP 1.340/2026. “Do ponto de vista processual, a declaração tende a funcionar mais como reforço argumentativo das ações já ajuizadas do que como um fato novo suficiente, por si só, para alterar substancialmente o cenário judicial”, afirmou. Para Alexandre Calmon, sócio da Cosro, a declaração muda muito pouco o cenário. Contudo, na avaliação do advogado, dá mais peso às ações existentes. Na mesma linha, Carolina Müller, sócia da área aduaneira e de comércio internacional do Bichara Advogados, disse que a declaração presidencial é “mais um demonstrativo do caráter fiscal e arrecadatório do imposto de exportação, com desvio de sua finalidade extrafiscal”. Segundo ela, a justificativa do governo de que a alta do petróleo implica necessariamente maiores lucros para as empresas não se sustenta, já que o aumento do preço internacional também eleva custos logísticos, como frete e seguro internacionais, pressionados pelos riscos ligados à guerra no Oriente Médio. A advogada lembra ainda que o petróleo atualmente exportado pelo Brasil não pode ser utilizado integralmente na fabricação dos combustíveis consumidos no país, “tanto em razão da limitação da capacidade de refino do país quanto das características do óleo brasileiro”. Declarações fortalecem ações em cursoPaloma Amorim, sócia da área tributária do Vieira Rezende, também entende que a declaração presidencial fortalece as ações judiciais em curso. Segundo ela, a fala “ratifica” a tese de inconstitucionalidade do aumento do imposto de exportação sobre o óleo, ao confirmar que a finalidade da medida seria “compensar financeiramente” a alta da gasolina e do diesel com recursos obtidos das empresas exportadoras. A advogada ressalta que, para justificar um aumento tributário com finalidade extrafiscal legítima, seria necessário demonstrar uma intenção de estimular ou desestimular o consumo ou a comercialização do próprio produto tributado — neste caso, o petróleo. “Ou seja, a finalidade de ‘compensar os cofres públicos’ em virtude de uma volatilidade econômica atribuída a outro bem em nada atende a uma política extrafiscal relacionada ao óleo”, afirmou. Para Amorim, a declaração de Lula “apenas robustece a inconstitucionalidade do aumento do imposto de exportação, dando força adicional às medidas judiciais já ajuizadas”. A advogada também questiona a efetividade prática da política de subsídios anunciada pelo governo, diante da complexidade da cadeia de combustíveis. Segundo ela, o mercado não envolve apenas Petrobras e consumidores finais, mas uma série de agentes intermediários, como refinarias, distribuidoras e operadores logísticos. “Ou seja, não necessariamente eventual aumento no preço dos combustíveis acaba sendo inteiramente repassado ao consumidor e não necessariamente a baixa do preço pela Petrobras vai ser integralmente refletida pelos postos de revenda”, disse. Interesses dos minoritáriosAli El Hage, sócio da área de Energia, Infraestrutura & Projetos do Veirano Advogados, concorda que a declaração presidencial reforça que a medida possui finalidade essencialmente arrecadatória. Segundo ele, já existem mecanismos para capturar ganhos extraordinários decorrentes da alta do barril, como participações especiais, royalties e óleo-lucro da União nos contratos de partilha da produção. Para o advogado, a menção de Lula a um “acordo com a Petrobras” também traz preocupações adicionais. “Coloca em questionamento sua autonomia de gestão e mostra desalinhamento com os interesses da própria companhia e dos acionistas minoritários”, afirmou. Autor/Veículo: Eixos

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Mesmo com alívio em Ormuz, mercado mantém preocupações com suprimento de óleo no segundo semestre

O mercado de petróleo global teve um leve alívio na quarta-feira (20/5), em meio às informações de que foi liberado o trânsito para alguns navios petroleiros que estavam retidos no Estreito de Ormuz desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã. Entretanto, o setor mantém preocupações com o suprimento global, sobretudo para o segundo semestre. Mesmo com os sinais positivos, a interrupção dos fluxos de petróleo no Oriente Médio vai continuar a impactar o mercado e os preços globais no segundo semestre, indicam especialistas. Uma das principais preocupações no momento é a reposição dos estoques que foram liberados nas primeiras semanas do conflito. Mas, mesmo que EUA e Irã cheguem a um acordo de paz nas próximas semanas, os volumes que chegarem ao mercado nos próximos meses devem ser usados para repor os estoques. Para o Brasil, o cenário é preocupante, pois parte do suprimento nacional tem sido atendido pela importação da Rússia, que pode ter menor disponibilidade nos próximos meses. O período coincide com o pico da demanda nacional por diesel, devido à safra do agronegócio. Autor/Veículo: Eixos

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Cenário geopolítico dificulta decisões de agentes sobre diesel

O cenário geopolítico traz incertezas para o setor de petróleo que dificultam a tomada de decisão por parte de agentes que atuam no mercado de diesel, avaliam executivos do segmento. Decisões que exigiam mais tempo de análise agora são tomadas em questão de minutos diante da volatilidade nos preços do petróleo e do derivado no mercado externo, segundo os especialistas. A avaliação é que não há risco aparente de desabastecimento no segundo semestre, mas o quadro tende a ser mais apertado. Até o fechamento desta edição, a diferença entre o diesel vendido pela Petrobras no mercado doméstico frente ao exterior, estimada pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), era de 51%, ou R$ 1,86 por litro. Até postagens do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma rede social podem causar variação expressiva nos preços do petróleo e do diesel. “Temos que esperar o que é inesperado. Não há limitação do que vai acontecer”, disse Rafael Valim Pereira, diretor de trading de combustíveis claros da Atem Distribuidora. Pereira avalia que os postos de combustíveis aprenderam a acompanhar o mercado de forma diferente. A guerra, disse, trouxe uma velocidade de repasse de custos que não se via antes. “A qualquer oscilação, costumávamos segurar um pouco antes de repassar. Com o início da guerra, o posto repassa mais rápido ou não compra na esperança de que pode comprar mais barato em dias”, disse. Milena Mansur, gerente sênior de trading da Ipiranga, disse que a preocupação da empresa é com o segundo semestre. Isso porque, até então, o que se observa é que há poucas compras de diesel oriundo do Golfo do México americano e muito produto russo chegando ao país desde o início do ano, por causa do período sazonal de baixa demanda doméstica da Rússia.Para ler esta notícia, clique aqui. Autor/Veículo: Valor Econômico

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Fim da escala 6×1: governo cede e negocia regra de transição; prazo pode chegar a 3 anos

O governo está convencido de que terá de negociar com o Congresso Nacional para conseguir aprovar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com escala 6×1 e garante a todos os trabalhadores dois dias de descanso semanais. O tema virou um dos motes da campanha de reeleição do presidente Lula. Por isso, segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o Executivo já discute uma regra de transição para reduzir a jornada atual de 44 horas semanais para 40 — o que vai significar, na prática, os cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado. O governo resistia à transição, mas se mostra disposto a rever este ponto. O prazo dessa transição ainda não está definido, mas pode ser de até três anos, sendo duas horas a menos no primeiro ano de vigência da PEC e uma hora nos dois seguintes. As negociações são feias com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Além disso, para evitar corte no salário, a hora cortada da jornada atual e não trabalhada seria paga, mas sem incidir nas demais verbas trabalhistas, como férias, 13º, FGTS, por exemplo. A ideia é defendida pelo relator e pode ser outra concessão a ser feita pelo governo, disse um técnico a par das discussões A principal resistência do governo até agora é a ideia de oferecer algum tipo de reparação financeira ou compensação fiscal para empresas obrigadas a aderir à nova regra se a PEC for aprovada. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na semana passada em audiência na comissão ser “radicalmente contra” compensar empresas. Texto deve ser fechado na segunda A expectativa é que o relatório da PEC seja apresentado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) na próxima segunda-feira, mas o texto ainda depende de negociações, que devem ocorrer, inclusive no fim de semana. O martelo será batido pelo presidente Lula e pelo presidente da Câmara dos Deputados após conversas com os ministros do Trabalho, Luiz Marinho, da Fazenda, Dario Durigan e a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior. O relator defendeu nesta quarta-feira que trabalhadores que ganham acima de R$ 16 mil fiquem de fora do novo limite de jornada, sob o argumento de levar para Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), pessoas contratadas como pessoa jurídica, sem os mesmos direitos dos demais trabalhadores. Contudo, a medida não tem apoio do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo técnicos da pasta, não há garantia de que a medida vá reduzir a chamada pejotização. O governo defende que o relatório mantenha a escala 12×36, utilizada por trabalhadores da saúde e demais regimes por escala. A estratégia é que esses regimes possam ser negociados em acordos e convenções coletivas com os sindicatos das categorias. Além da PEC que trata do fim da escala 6×1, há no Congresso um projeto enviado pelo Executivo ao Legislativo com teor semelhante. Mas de forma reservada, integrantes do Executivo avaliam que o projeto perdeu prioridade porque a PEC está em estágio mais avançado. Autor/Veículo: O Globo

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Conselho da Petrobras aprova adesão ao subsídio do governo aos combustíveis

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou, em reunião nesta quarta-feira, a adesão da companhia à subvenção Petrobras informa que seu Conselho de Administração, em reunião realizada hoje, aprovou a adesão da companhia à subvenção econômica aos produtores e importadores de combustíveis derivados de petróleo anunciada na semana passada pelo governo Lula. Em comunicado, a estatal disse que “diante do caráter facultativo e do potencial benefício, entende-se que essa adesão é compatível com o interesse da companhia. Esta nova adesão se soma aos Programas de Subvenção relacionados à comercialização de óleo diesel de uso rodoviário no território nacional já instituídos pelo Governo Federal”. Na semana passada, durante teleconferência de resultados, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a empresa e o governo estavam trabalhando em uma iniciativa conjunta para amenizar os efeitos do aumento do preço da gasolina no Brasil. Ela afirmou que a Petrobras iria reajustar a gasolina “já, já”, indicando que condiciona a medida ao subsídio do governo para amenizar impacto ao consumidor final. No dia seguinte, o governo anunciou um programa de subvenção parcial da gaso Desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro, a Petrobras não reajustou a gasolina, apesar do impacto da alta internacional do petróleo no setor de combustíveis. “Cabe destacar que a Petrobras mantém sua estratégia comercial, levando em consideração sua participação no mercado, a otimização dos seus ativos de refino e a rentabilidade de maneira sustentável, evitando o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio”, diz o comunicado. ” A adesão preserva a flexibilidade da companhia na implementação da sua estratégia comercial. A Petrobras segue comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente”. lina, com redução de tributos de até R$ 0,89 por litro. No caso do Diesel, que já era objeto de outras medidas, a subvenção é de R$ 0,35 por litro. Autor/Veículo: O Globo

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Petróleo cai quase 6% após retomada parcial de fluxo em Ormuz, de olho em negociações

O petróleo fechou em forte queda nesta quarta-feira (20), em meio a retomada parcial da circulação de navios no Estreito de Ormuz e expectativas por um acordo que pode encerrar a guerra no Oriente Médio. Apesar da baixa, os preços permaneceram próximos de US$ 100. Também no radar, os estoques de barris dos Estados Unidos caíram mais que o previsto. Já nesta quarta, Trump mencionou “estágios finais” de negociação com o Irã, de acordo com a imprensa dos EUA, nesta tarde. O petróleo WTI para julho, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em queda de 5,7% (US$ 5,89), a US$ 98 26 o barril. Já o Brent para o mesmo mês, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em baixa de 5,62% (US$ 6,26) a US$ 105,02 o barril. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta que está nos “estágios finais” de negociação com o Irã, em comentários a repórteres feitos a caminho de evento na Associação da Guarda Costeira. Segundo o grupo de imprensa da Casa Branca, Trump também reiterou ameaças a Teerã, caso um acordo não seja alcançado. “Veremos o que acontece. Ou conseguimos um acordo, ou faremos coisas um pouco desagradáveis, espero que não chegue a isso”, disse. Registrando baixa desde o início da sessão, a commodity acelerou as perdas após relatos de que superpetroleiros com cerca de 6 milhões de barris de petróleo bruto a bordo cruzaram o Estreito de Ormuz. Outras embarcações comerciais, liberadas pela Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês), também atravessaram a via. Para o Ritterbusch & Associates, os preços do petróleo vão continuar a oscilar, mas a perspectiva ainda é “bullish”, diante de uma “uma grande diferença entre os EUA e o Irã em relação à questão nuclear”. Contudo, o BOK Financial afirma que, em meio a movimentação dos preços, o “mercado está antecipando algum tipo de acordo” entre os dois países. A imprensa global relatou nesta quarta que o Paquistão espera concluir a última versão do acordo ainda nos próximos dias, apesar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter renovado ameaças contra os iranianos. A queda acontece, ainda, apesar da queda de 7,863 milhões de barris nos estoques dos EUA na semana encerrada em 15 de maio, segundo dados do Departamento de Energia (DoE) do país. Analistas previam uma queda de 3 milhões. No radar, a ata da última decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed) apontou que a maioria dos dirigentes vê altas nos juros como necessárias, diante de uma inflação persistente. Na avaliação do FxPro, “juros mais altos podem levar as economias mais próximas à recessão e reduzir a demanda por commodities energéticas”, impedindo que os preços do petróleo subam significativamente. (com CNBC e Estadão Conteúdo) Autor/Veículo: InfoMoney

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Biocombustíveis ganham protagonismo e marcam nova geração de máquinas agrícolas

Uma tendência que havia sido antecipada na coletiva de lançamento da Agrishow 2026 ganhou materialidade nos estandes da feira e deu pistas sobre uma mudança em curso no desenvolvimento de máquinas agrícolas no Brasil: a aposta nos biocombustíveis como alternativa viável e cada vez mais central para o funcionamento de motores no campo. São tecnologias que buscam conciliar eficiência operacional, redução de custos e menor impacto ambiental. Segundo a organização da Agrishow, o desenvolvimento desses equipamentos ficou mais acelerado por causa das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que provocam oscilações nos preços dos combustíveis fósseis – o Brasil importa cerca de 30% de seu consumo de diesel, tradicionalmente usado nas máquinas agrícolas. Para João Carlos Marchesan, presidente da feira, o País tem condições de reduzir essa dependência apostando em sua sólida cadeia produtiva de etanol e biodiesel. Etanol Um dos destaques foi a apresentação do primeiro motor para tratores movido a etanol da AGCO Power, grupo do qual fazem parte empresas como a Massey Ferguson, a Valtra e a Fendt. O projeto, desenvolvido integralmente no Brasil, está sendo preparado para chegar ao mercado em 2028. A tecnologia foi concebida ao longo de três anos e passou por mais de 10 mil horas de testes, incluindo aplicações em culturas como cana-de-açúcar e grãos. De acordo com Fernando Silva, coordenador comercial da AGCO, o motor atende a uma faixa de potência entre 200 e 300 cavalos e mantém desempenho equivalente ao do diesel, sem perda de torque ou capacidade de tração. Além da performance, o apelo ambiental está na ordem do dia. Segundo a fabricante, o uso do etanol, que poderá ser proveniente de qualquer tipo de matéria-prima – como cana, trigo, milho, entre outros – pode reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa. Outro fator relevante é o impacto econômico. Com as oscilações nos preços do diesel, o etanol surge como opção competitiva, especialmente para produtores com capacidade para fabricá-lo no próprio sítio ou fazenda, o que reduz custos e aumenta a previsibilidade operacional. A John Deere também desenvolve uma tecnologia a etanol. Trata-se de um conceito de motor que foi revelado, inicialmente, em 2023, durante a Agritechnica, na Alemanha, e depois passou a ser adaptado às condições brasileiras no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Indaiatuba (SP), voltado à agricultura tropical. Apresentado pela primeira vez no Brasil durante a Agrishow de 2024, o projeto vem avançando. Na edição de 2025 da feira, já aparecia integrado a um trator da linha 8R. Agora em 2026, a companhia deu mais um passo ao exibir o trator equipado com o protótipo do motor acoplado a uma plantadeira, simulando operações reais no campo e reforçando a aplicação prática da solução em diferentes atividades agrícolas. Dois protótipos operam em áreas de testes no Brasil há cerca de três anos, principalmente nos segmentos de cana-de-açúcar e grãos, setores em que o etanol possui ampla disponibilidade e infraestrutura consolidada. Segundo a empresa, a proposta busca unir sustentabilidade e desempenho, mantendo rendimento semelhante ao diesel por meio de ajustes específicos de software no motor. Transição Além dos motores totalmente movidos a biocombustíveis, a feira apontou caminhos intermediários para a transição energética. Um dos exemplos é uma tecnologia apresentada pela Bosch que permite o uso combinado de diesel e etanol em motores originalmente projetados para combustíveis fósseis. Matheus Pintor, chefe de vendas da divisão de inovação e novos negócios do grupo, afirma que, com um kit acoplado ao motor, até 60% de diesel pode ser substituído por etanol sem perda de desempenho, na razão de 1 litro de diesel para 1,6 ou 1,7 de etanol. Seis usinas parceiras estão rodando até o final desta safra com o modelo, que deve chegar ao mercado após passar por esses campos de prova. Biometano A Valtra apresentou um trator equipado com motor movido a biometano, combustível renovável obtido a partir do biogás, que, por sua vez, é gerado na decomposição de matéria orgânica. Esse processo ocorre quando resíduos como esterco, restos de culturas agrícolas, lixo ou subprodutos da indústria se decompõem por digestão anaeróbica, ou seja, sem a presença de oxigênio. É o primeiro trator a biometano da empresa voltado ao mercado agrícola. A proposta, segundo o diretor de Vendas, Cláudio Esteves, é gerar um ciclo de reaproveitamento. As usinas sucroenergéticas de cana-de-açúcar poderão utilizar a própria biomassa de cana-de-açúcar e de milho para fornecer energia aos veículos que operam em suas lavouras. A previsão é de que, na Agrishow de 2027, a máquina já esteja disponível para comercialização. Diesel verde A adoção de combustíveis renováveis compatíveis com motores convencionais, como o HVO100, conhecido como diesel verde, também esteve em evidência na Agrishow. A Fendt apresentou um motor preparado para operar com esse tipo de combustível, sem necessidade de modificações estruturais relevantes. Rodrigo Bezerra, engenheiro de conformidade de emissões da AGCO, explica que essa compatibilidade permite que produtores reduzam emissões de carbono de forma imediata, utilizando combustíveis alternativos em equipamentos já disponíveis no mercado. Ao mesmo tempo, contribui para ampliar o leque de opções energéticas no campo, especialmente em regiões onde o acesso ao etanol ou biometano pode ser mais limitado. Ainda segundo Guerra, o motor, cujo desenvolvimento começou em 2012, poderá ser adaptado para operar com qualquer tipo de combustível, como etanol, biometano e hidrogênio verde. Por causa dessa e outras funcionalidades, como 25% menos componentes, o que ajuda a reduzir a vibração e o deixa mais estreito, permitindo maior raio de giro, foi eleito o trator de 2026 pela revista britânica Powertrain International, especializada em engenharia de sistemas de propulsão. Contexto O avanço dos biocombustíveis nas máquinas agrícolas não ocorre por acaso. É impulsionado por uma combinação de fatores econômicos e ambientais. Se, de um lado, o aumento do custo do diesel pressiona as margens do produtor rural e estimula a busca por alternativas mais baratas e previsíveis, de outro cresce a demanda por práticas mais sustentáveis, tanto por exigências de mercado quanto por compromissos climáticos assumidos pelo setor. Nesse contexto, tecnologias que conciliam produtividade

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