O cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos, Irã e Israel foi estendido, mas a Marinha estadunidense vai manter o bloqueio à navegação no Estreito de Ormuz, divulgou o presidente dos EUA, Donald Trump, na terça-feira (21/4).
Segundo Trump, o cessar-fogo continuará até que o Irã “submeta uma proposta e as discussões sejam concluídas”.
A trégua iniciada em 8 de abril ainda não foi capaz de garantir um acordo para o fim do conflito, nem a retomada da navegação na rota responsável pela exportação de quase um quinto da demanda global de petróleo.
Pelo contrário: se inicialmente as embarcações que tentavam atravessar o estreito eram ameaçadas apenas pelo Irã, desde a semana passada os EUA também passaram a bloquear o trânsito na região.
A prorrogação do cessar-fogo indica que as negociações, mediadas pelo Paquistão, ainda podem estar longe do fim. Até o fechamento desta edição ainda não estava claro, por exemplo, quando as autoridades iranianas e americanas vão se reunir novamente.
É um sinal ruim para os preços do barril de petróleo, que têm oscilado de acordo com as notícias da guerra.
A expectativa de reabertura em Ormuz no final da semana passada levou a uma queda de quase 10% nos preços. Mas o cenário não se concretizou e o barril voltou a ser negociado próximo aos US$ 100 nos últimos dias.
Entenda melhor: Sinal de alívio no Estreito de Ormuz dura pouco e petróleo deve seguir em alta.
Na terça (21) as informações imprecisas sobre o avanço nas negociações levaram a uma nova alta no Brent, que subiu 3,14% (US$ 3,00), a US$ 98,48 o barril.
Enquanto isso, a escassez na oferta continua a pressionar a inflação nos combustíveis e a gerar receios de faltar produto, sobretudo na Europa.
O comissário europeu para o Transporte e Turismo Sustentáveis, Apostolos Tzitzikostas, disse, em coletiva de imprensa na terça (21), que, sem o restabelecimento da liberdade de navegação permanente pelo Estreito de Ormuz, as consequências serão “catastróficas” para a Europa e o mundo.
De acordo com ele, a União Europeia trabalha para encontrar uma fonte alternativa de combustível de aviação.
O alerta veio no mesmo dia em que a Lufthansa anunciou que vai cancelar algumas rotas europeias e 20 mil voos de curta distância programados até outubro em uma tentativa de economizar combustível de aviação.
Autor/Veículo: Eixos

