Author name: Junior Albuquerque

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Petrobras registra vazamento em perfuração na Foz do Amazonas, mas diz que incidente foi controlado

A Petrobras informou nesta terça-feira, 6, que identificou um vazamento durante a perfuração de um poço na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do estado do Amapá. O incidente no domingo, 4, ocorreu em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ODN II, no poço Morpho, segundo a estatal. “A perda do fluido de perfuração foi imediatamente contida e isolada. As linhas serão trazidas à superfície para avaliação e reparo”, informou a companhia. Segundo a estatal, que obteve a licença de perfuração em outubro do ano passado, não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. “A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração”, explicou. A Petrobras afirmou que adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. Segundo a companhia, o fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há dano ao meio ambiente ou às pessoas. Autor/Veículo: O Estado de São Paulo

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O que está em jogo no mercado do petróleo após a ação dos EUA na Venezuela?

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta entender os efeitos para os cenários energéticos global e regional de ataque inédito à América do Sul com a ofensiva à Venezuela, que terminou com a captura do presidente Nicolás Maduro e da mulher dele na madrugada do último sábado (3/1). No mais alto escalão, há quem acredite que o ataque mirou exclusivamente no domínio, pela maior economia do mundo, da produção de petróleo do país, sem interesse necessariamente numa troca de regime. A Venezuela é hoje detentora das maiores reservas do planeta. Só isso já seria grave o suficiente para criar precedente perigoso, uma das grandes preocupações do governo Lula nos últimos dois meses, após a escalada das ameaças. Hoje, a questão é o petróleo na Venezuela. Amanhã, os minerais críticos e estratégicos em países vizinhos, como balbuciam algumas fontes, sem querer verbalizar o temor com todas as letras. Trump deixou no ar no próprio sábado ameaças sobre Cuba e Colômbia. Em coletiva à imprensa, o presidente norte-americano disse que a operação avança com as prioridades do America First porque assegura a segurança regional americana e fonte estável de petróleo Se já está claro que a crise entrou na pauta política e na agenda eleitoral brasileira, ainda não se tem a dimensão do seu impacto econômico. No que diz respeito ao mercado de petróleo, o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Artur Watt, disse no fim de semana que o Brasil poderia até ser beneficiado. A leitura é de que o primeiro momento será de recuo na produção de petróleo devido à instabilidade geopolítica, o que abre espaço para que o Brasil ocupe esta lacuna. No longo prazo, a depender dos desdobramentos, o cenário poderia atrair investimentos para ativos e operações brasileiras com maior segurança jurídica e internacional. A Petrobras, embora não disfarce preocupação nos bastidores, não mantém ativos na Venezuela. Por ora, fontes não veem impacto nas atividades de exploração na margem equatorial — que conta, inclusive, com operações de petroleiras internacionais. Preço do barril No primeiro momento, a única “certeza” de especialistas no setor e de integrantes do governo é de que há uma dúvida em relação à exploração do óleo por empresas norte-americanas e a suposta retomada da produção de petróleo na Venezuela. A declaração de Trump simplifica a lógica de um setor que é complexo. Em coletiva de imprensa em 3 de janeiro, o presidente norte-americano disse que o petróleo venezuelano será explorado por empresas norte-americanas e “voltará a fluir”. Os recursos iriam para o povo venezuelano, mas também pagariam investimentos em infraestrutura. Falta combinar com os russos: petroleiras norte-americanas devem evitar investimentos de altas cifras em ativos venezuelanos sem que haja um regime legal e fiscal confiável. É o que avalia o presidente do Grupo Consultivo de Energia do Centro Global de Energia, David Goldwyn. Além disso, a oferta global do petróleo pode demorar para sentir os impactos econômicos de uma eventual “inundação” de óleo no mercado, o que atenderia a vontade de Donald Trump de baixar os preços da commodity. Embora a exploração na região seja em terra e águas rasas — o que torna a atividade mais fácil —, a deterioração dos ativos é um desafio para resultados no curto prazo. Outro sinal amarelo foi o resultado da primeira reunião da Opep+, no domingo domingo (4/1), que reafirmou a pausa no aumento de produção nos primeiros três meses de 2026 — uma decisão para estabilizar os preços dos barris, após uma queda nos valores com incremento da produção. Quem investe no Brasil — Petrobras, BP e Exxon, por exemplo — está fora da Venezuela. As petroleiras americanas foram expulsas pela nacionalização da indústria petrolífera em 1976. A não ser que Trump torça o braço da americana Chevron, que se mantém no país, para fazer os investimentos, o que é esperado. A sensibilidade do mercado financeiro traduziu as possibilidades, mesmo que ainda incertas, nos resultados desta segunda (5/1). O preço do barril caiu com a possibilidade de retirada do bloqueio das vendas ao mercado internacional, enquanto as ações de petroleiras norte-americanas disparam. China será afetada É cedo para precificar o impacto que o ataque à Venezuela pelos EUA — que anunciaram que vão comandar o país e conduzir a produção de petróleo até que aconteça uma transição que considerem razoável — terá sobre o mercado da commodity no curto e médio prazos. E é neste clima de incerteza que os mercados tentarão se posicionar a partir dos próximos dias. O que é certo que a China será diretamente afetada. E isso cria outro fato de instabilidade não só econômica, mas geopolítica. Segundo interlocutores, qualquer nova interrupção nas exportações pode ter impacto limitado no mercado global de petróleo, porque se estima uma oferta muito maior do que a demanda em 2026. No ano passado, a Venezuela bombeou apenas cerca de 900.000 barris por dia (bpd), o que significou menos de 1% da oferta global. Por trás disso estariam anos de redução dos investimentos por conta de políticas governamentais falhas e sanções. As exportações de petróleo bruto venezuelano para os EUA atingiram um pico de 1,4 milhão bpd em 1997, quando somavam 44% da produção da Venezuela, segundo dados da agência americana EIA. O fluxo caiu para 506.000 bpd em 2018, com o aumento da oferta de tipos pesados ​​concorrentes dos EUA, México e Canadá. As exportações venezuelanas, que bateram zero entre 2020 e 2022, após as sanções diretas ao petróleo da estatal PDVSA pelo governo Trump, se recuperaram para 227.000 bpd em 2024 e 140.000 bpd nos primeiros 10 meses de 2025, por conta da isenção concedida por Washington à americana Chevron para que continuasse operando suas joint ventures na Venezuela. Mas o principal comprador do petróleo do país nesses anos após as sanções foi a China, responsável por mais da metade do que se exportou em petróleo bruto da Venezuela (768.000 bpd no ano passado). Trump sabe disso. No próprio sábado, o Republicano deu a entender que a China continuaria a receber

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Maior venda de petróleo pela Venezuela depende de investimento, diz Alckmin

O vice-presidente ⁠e ministro do Desenvolvimento, ‍Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse ‌nesta terça-feira que, embora a Venezuela tenha uma grande reserva de petróleo, um eventual ‌aumento nas ‌vendas do produto após intervenção dos Estados Unidos no país dependerá de investimento, ‌não sendo algo que pode ser feito “em ​24 horas”. Em entrevista coletiva para comentar dados da balança comercial, Alckmin afirmou que as exportações de petróleo do Brasil devem crescer neste ano ​por ⁠causa ⁠da exploração do pré-sal. Em relação ao ‌fluxo comercial entre os dois países, ele disse que ‍a Venezuela hoje responde por apenas ​2% ‌do Produto Interno Bruto da ‍América do Sul, sendo pouco relevante para o comércio exterior do Brasil. (Reuters) Autor/Veículo: InfoMoney

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Venda de carros eletrificados cresceu 26% no país em 2025 e atingiu 223 mil unidades

O ano de 2025 terminou com 223.912 veículos eletrificados vendidos no país, um crescimento de 26% em relação ao ano anterior, quando foram vendidos 177.358 unidades. Os números foram divulgados nesta terça-feira pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Nesse total estão incluídos os carros 100% elétricos (Bev), híbridos plug-in (Phev) e híbridos sem recarga externa (Hev e Hev Flex). Só em dezembro foram 33.905 emplacamentos, 60% a mais do que em novembro (21.209 )nidades e 57% acima de dezembro de 2024 (21.634). Segundo a ABVE, foi o melhor mês da história em emplacamentos desse setor com participação de 13% sobre as vendas totais de veículos leves no mercado doméstico. Para Ricardo Bastos, presidente da ABVE, os números são expressivos e indicam crescimento forte do segmento de eletrificados mesmo num cenário macroeconômico mais adverso, com a Selic em 15% ao ano, o que resulta em juros na ponta do consumidor de mais de 27% nos financiamentos. “As vendas indicam que os eletrificados crescem num ritmo muito superior ao do conjunto do mercado”, disse Bastos em nota, lembrando que a indústria automotiva como um todo vendeu 2,5 milhões de unidades em 2025, um crescimento de 2,6% sobre o ano anterior. Em uma década, a venda de eletrificados subiu 20.423%, já que em 2016 foram vendidos apenas 1.091 veículos eletrificados no país. Início da fabricação nacional Entre os fatores que impulsionaram as vendas, segundo o presidente da ABVE, estão o início da fabricação em território nacional de veículos 100% elétricos e elétricos plug-in, com a inauguração das fábricas das chinesas GWM em Iracemápolis (SP), da BYD em Camaçari (BA) e da Comexport no novo polo multimarcas de Horizonte (CE), com produção iniciada de modelos elétricos da americana GM. Com produção local, os descontos no preço final aumentaram. A oferta de modelos também cresceu a atraiu a atenção do consumidor brasileiro. Foram 400 modelos diferentes oferecidos no mercado brasileiro em 2025, ou 26% acima dos 317 modelos de 2024. A participação de mercado dos eletrificados no total das vendas domésticas de veículos leves fechou 2025 em 9%. Híbridos na liderança Os híbridos plug-in mantiveram a liderança entre os eletrificados em 2025, com 101.364 emplacamentos, ou 45% do total. Na comparação com 2024 (64.009), houve um crescimento de 58%. Os veículos 100% elétricos fecharam o ano com 80.178 unidades vendidas, ou 36% do total de eletrificados. Em relação a 2024, houve um aumento de 30%. A região Sudeste, onde está a maior parte da infraestrutura de carregamento, ainda um dos entraves para a expansão dos elétricos, seguiu como principal polo da eletromobilidade no país, concentrando 46,4% das vendas de eletrificados em 2025 (103.964). Na sequência, o Sul manteve a segunda colocação, com 18% do mercado (40.085 unidades vendidas). O Nordeste consolidou-se como a terceira maior região em participação, com 16% das vendas, ou 36.596 unidades. Entre os estados que mais venderam eletrificados, São Paulo lidera com 68.618 unidades, o equivalente a 30,6% do total. Em seguida, aparece o Distrito Federal com 21.639 (9,7%), seguido de Minas Gerais com 15.155 veículos (6,8%). O Rio de Janeiro ficou em quarto lugar com 14.280 unidades vendidas (6,4% do total). Autor/Veículo: O Globo

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Alta da produção na Venezuela acende alerta para Petrobras

A perspectiva de aumento da produção de petróleo na Venezuela a médio prazo acende um sinal de alerta para a Petrobras e petroleiras brasileiras de menor porte, caso de Prio e Brava, na visão de especialistas do setor ouvidos pelo Valor. O retorno esperado de petroleiras americanas à Venezuela, depois da deposição do ex-presidente Nicolás Maduro, preso nos Estados Unidos, poderá contribuir para um aumento da oferta da commodity e pressionar ainda mais os preços, que situam-se atualmente na faixa de US$ 60 para o barril do tipo Brent (ontem fechou em US$ 60,70, com queda de 1,71% sobre a véspera). A expectativa de que possa haver volumes adicionais de petróleo venezuelano disponíveis em horizonte de 12 ou 18 meses, em um mercado que já está sobreofertado, reforça a necessidade de as petroleiras priorizarem iniciativas de redução de custos para garantir a eficiência das operações, dizem especialistas.Preços menores podem empurrar produtores mais caros para fora do mercado e quem tiver custo de produção mais baixo consegue sobreviver mesmo em um cenário adverso.“Estamos atentos ao movimento na Venezuela e o foco continua a ser na eficiência de custos”, disse fonte próxima à Petrobras. Executivos da indústria no Brasil reconhecem que a Venezuela tem grandes reservas, mas dizem que o caminho da retomada de produção é gradual e existe ainda a questão de o petróleo venezuelano ser pesado, sujeito a descontos no mercado em um cenário de maior oferta. O vice-presidente da S&P Global, Carlos Pascual, previu, como noticiou o Valor ontem, que é possível elevar a produção de petróleo na Venezuela de 900 mil barris por dia para 1,5 milhão de barris diários com a infraestrutura existente num prazo de 18 meses. Para ler esta notícia, clique aqui. Autor/Veículo: Valor Econômico

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Novas perspectivas para o etanol: muito além do uso automotivo

A eletrificação gradual da frota de veículos leves e a expectativa de desaceleração do consumo global de petróleo entre as décadas de 2030 e 2040 costumam alimentar dúvidas sobre o futuro do etanol. Em um cenário de menor consumo de gasolina, a demanda pelo biocombustível poderia ser pressionada, seja na forma hidratada, usada diretamente nos veículos flex, seja como mistura obrigatória na gasolina. Do ponto de vista econômico, a transição energética poderia limitar o crescimento do mercado tradicional de combustíveis líquidos, pressionando margens e exigindo maior eficiência e diversificação por parte dos produtores. Esse risco é real, sobretudo para cadeias excessivamente dependentes do uso automotivo. Esse diagnóstico, porém, precisa ser relativizado à luz das tendências regulatórias e de mercado. Na prática, a mistura de etanol à gasolina vem crescendo em diferentes regiões do mundo, impulsionada por metas de descarbonização, segurança energética e redução da dependência de importações de petróleo. Mercados maduros, como EUA e Europa, avançam gradualmente do E10 (gasolina com 10% de etanol) para o E15, enquanto economias emergentes, com destaque para a Índia, aceleram programas rumo ao E20. Nos EUA, há oferta do E85 para veículos flex em alguns estados. No Brasil, a elevação do teor obrigatório para 30% criou uma demanda estrutural suplementar, funcionando como amortecedor frente à eletrificação parcial da frota. Mesmo que o consumo total de gasolina se estabilize ou recue, a maior participação do etanol no blend tende a sustentar volumes, receitas e previsibilidade para o setor na próxima década. Além do uso automotivo, o etanol começa a ganhar espaço em novos mercados energéticos com forte racional econômico. No transporte marítimo, surge como uma das rotas em avaliação para a descarbonização do bunker (combustível marítimo), ao lado de alternativas como metanol, amônia e combustíveis sintéticos. Ainda restrita a projetos-piloto, essa aplicação depende de escala, preço relativo e regras claras de contabilização de carbono. O biocombustível também passa a ser visto como insumo estratégico para a produção de hidrogênio de baixo carbono. A possibilidade de gerar H₂ a partir do etanol no ponto de consumo reduz desafios logísticos e pode acelerar mercados regionais, sobretudo em países com base sucroenergética consolidada. Outro desdobramento relevante está na aviação. O etanol figura como matéria-prima potencial para combustíveis sustentáveis de aviação, por meio da rota Alcohol-to-Jet. Ela permite a produção de querosene quimicamente igual àquele produzido por fonte fóssil. Em um setor com poucas alternativas tecnicamente maduras, essa aplicação tem o potencial de conectar o etanol a um mercado global de alto valor agregado, impulsionado por mandatos e compromissos climáticos. Por fim, os subprodutos da cana reforçam a lógica de biorrefinaria. Bagaço e palha sustentam a cogeração de eletricidade, enquanto vinhaça e torta de filtro viabilizam biogás e biometano. Esse conjunto reduz a exposição do setor a um único mercado e fortalece o etanol como ativo estratégico da transição energética. (Blog de Pedro Côrtes) Autor/Veículo: CNN (Blog)

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Opep+ decide manter produção de petróleo estável, apesar da turbulência na Venezuela

A Opep+ concordou em manter a produção estável de petróleo em sua reunião neste domingo (4), disse o grupo em um comunicado, apesar das tensões políticas entre dois dos principais membros do grupo, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, e da prisão, pelos EUA, do presidente da Venezuela, um produtor menor. A reunião de domingo entre oito membros da OPEP+, que produzem cerca de metade do petróleo mundial, ocorre após os preços do petróleo terem caído mais de 18% em 2025 —a maior queda anual desde 2020—, em meio a crescentes preocupações com o excesso de oferta. Os oito países –Arábia Saudita, Rússia, Emirados Árabes Unidos, Cazaquistão, Kuwait, Iraque, Argélia e Omã– aumentaram as metas de produção de petróleo em cerca de 2,9 milhões de barris por dia, de abril a dezembro de 2025, o que equivale a quase 3% da demanda mundial de petróleo. Em novembro, eles concordaram em suspender os aumentos de produção em janeiro, fevereiro e março. A breve reunião online deste domingo não discutiu a Venezuela, disse um delegado da Opep+, grupo que reúne os membros da Opep mais grandes produtores aliados, como o Brasil. Os oito países se reunirão novamente em 1º de fevereiro, segundo o comunicado. OPEP ENFRENTA INÚMERAS CRISES As tensões entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos aumentaram no mês passado devido a um conflito de uma década no Iémen, quando um grupo alinhado com os Emirados Árabes Unidos tomou território do governo apoiado pela Arábia Saudita. A crise desencadeou a maior cisão em décadas entre os antigos aliados, à medida que anos de divergência em questões cruciais chegaram a um ponto crítico. A Opep conseguiu, no passado, superar sérias divisões internas, como a relacionada à guerra Irã-Iraque, priorizando a gestão do mercado em detrimento de disputas políticas. No entanto, o grupo enfrenta diversas crises, com as exportações de petróleo da Rússia pressionadas pelas sanções americanas impostas devido à guerra na Ucrânia, e o Irã enfrentando protestos e ameaças de intervenção dos EUA. No sábado (3), os Estados Unidos capturaram o presidente venezuelano Nicolás Maduro e o presidente americano Donald Trump afirmou que Washington assumiria o controle do país até que uma transição para um novo governo fosse possível, sem especificar como isso seria realizado. A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, maiores até mesmo que as da Arábia Saudita, líder da Opep, mas sua produção petrolífera despencou devido a anos de má gestão e sanções. Analistas afirmam que é improvável que haja um aumento significativo na produção de petróleo bruto por anos, mesmo que as grandes petrolíferas americanas invistam os bilhões de dólares prometidos por Trump no país. Autor/Veículo: Folha de São Paulo

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Bloqueio dos EUA faz Venezuela reduzir produção de petróleo por falta de armazenamento

A estatal petrolífera venezuelana PDVSA começou a reduzir a produção de petróleo bruto após ficar sem capacidade de armazenamento, segundo a agência de notícias Reuters. A medida é consequência de um bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos, que zerou as exportações e aumentou a pressão sobre o governo interino. Caracas vive uma crise política após o presidente Nicolás Maduro e sua esposa terem sido capturados por forças norte-americanas no sábado (3). Com a deposição do líder venezuelano, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o cargo em meio a ameaças americanas de novas ações militares. As exportações de petróleo do país — membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e cuja principal fonte de receita é o petróleo — estão paralisadas após os EUA imporem um bloqueio a navios-tanque sob sanções e apreenderem dois carregamentos no mês passado. As cargas da petrolífera americana Chevron destinadas aos EUA eram uma exceção e continuavam a ser embarcadas, já que a empresa possui licença de Washington para operar. No entanto, até essas operações estão interrompidas desde quinta-feira, segundo dados divulgados neste domingo (4). Ao anunciar a detenção de Maduro e uma transição de governo supervisionada pelos Estados Unidos, o presidente Donald Trump afirmou no sábado que um “embargo ao petróleo” contra o país estava plenamente em vigor. O republicano também declarou que os EUA passariam a “administrar” a Venezuela de forma interina após a captura de Nicolás Maduro. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, no entanto, adotou um tom diferente neste domingo. Segundo ele, os EUA não terão um papel direto no governo cotidiano da Venezuela e se limitarão a impor uma “quarentena do petróleo” já existente sobre o país. Em entrevista ao programa Face the Nation, da CBS, Rubio afirmou que a medida será usada como instrumento de pressão para promover mudanças de política na Venezuela. “É esse o tipo de controle a que o presidente se refere quando diz isso”, disse. “Nós mantemos essa quarentena e esperamos ver mudanças, não apenas na forma como a indústria do petróleo é administrada em benefício da população, mas também para que se interrompa o tráfico de drogas”, acrescentou. Campos petrolíferos fechados A medida da PDVSA inclui o fechamento de campos petrolíferos ou de conjuntos de poços, à medida que os estoques em terra aumentam e a empresa fica sem diluentes para misturar o petróleo pesado venezuelano e viabilizar o transporte. Segundo a agência Reuters, a companhia pediu cortes de produção em joint ventures como a Petrolera Sinovensa, da CNPC, a Petropiar, da Chevron, além da Petroboscan e da Petromonagas. A Petromangas, antes operada em parceria com a estatal russa Roszarubezhneft, passou a ser administrada apenas pela PDVSA. Trabalhadores da Sinovensa se preparavam neste domingo para desligar até dez conjuntos de poços, a pedido da PDVSA, devido ao excesso de petróleo extrapesado e à falta de diluentes. De acordo com a Reuters, os poços poderão ser religados rapidamente no futuro. Parte da produção da Sinovensa é tradicionalmente destinada à China como pagamento de dívidas, mas dois superpetroleiros de bandeira chinesa que se aproximavam da Venezuela para carregar petróleo interromperam a navegação no fim de dezembro, de acordo com dados da LSEG. Na Petromonagas, trabalhadores começaram a reduzir a produção no fim da semana passada, até que o fornecimento de diluentes por oleodutos seja retomado, diz a Reuters. Já a Chevron ainda não reduziu a produção, porque conta com alguma margem de armazenamento — especialmente na Petropiar — e os navios-tanque continuam carregando. Ainda assim, suas embarcações não deixaram as águas do país desde quinta-feira, e a capacidade de armazenamento é limitada na Petroboscan, o que pode levar a cortes, segundo a agência. A dimensão do mercado de petróleo da Venezuela A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo a Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos Estados Unidos. Esse volume coloca o país à frente de grandes produtores como Arábia Saudita (267 bilhões de barris) e Irã (209 bilhões). Boa parte do petróleo venezuelano, porém, é extrapesada, exigindo tecnologia avançada e investimentos elevados para sua extração. Na prática, o potencial é enorme, mas segue subaproveitado devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais que restringem operações e acesso a capital. Segundo a Statistical Review of World Energy, publicação anual do Instituto de Energia (EI), a produção de petróleo da Venezuela despencou nas últimas décadas, de um pico de 3,7 milhões de barris por dia em 1970 para um mínimo de 665 mil barris por dia em 2021. No ano passado, a produção registrou leve recuperação, retornando a cerca de 1 milhão de barris por dia, o que representa menos de 1% da produção global de petróleo. Dependência histórica do petróleo O petróleo moldou a economia venezuelana ao longo do século 20. Após grandes descobertas nas décadas de 1920 e 1930, o país rapidamente se tornou um dos maiores produtores do mundo e, em 1960, ajudou a fundar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Em 1976, o governo nacionalizou a indústria petrolífera e criou a PDVSA, transformando o setor em um monopólio estatal. Nas décadas seguintes, durante os governos de Hugo Chávez, grande parte da renda do petróleo foi destinada a programas sociais, reduzindo outros investimentos na economia. Como resultado, entre 1998 e 2019, mais de 90% das exportações venezuelanas vieram do petróleo. Quando a produção caiu, o país passou a enfrentar sanções internacionais, agravando a crise econômica. A queda acentuada nas receitas do petróleo também contribuiu para a explosão inflacionária na Venezuela. Segundo o Banco Central, em 2019 os preços subiram 344.510% — o que significa que produtos que custavam 1 unidade monetária passaram a custar cerca de 3.400 vezes mais. Autor/Veículo: G1

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Trump quer o petróleo venezuelano para conseguir controlar os preços internacionais do produto

O presidente americano Donald Trump não citou por acaso o setor de petróleo, ao comentar a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro no último sábado. Com a maior reserva de petróleo no mundo nas mãos, os Estados Unidos poderão ter forte influência – para não dizer algum tipo de controle – sobre os preços internacionais do produto. Hoje, os americanos já são os maiores produtores de petróleo do mundo, com uma produção de cerca de 13 milhões de barris por dia. Mas possuem apenas a 10ª maior reserva provada, com 48 bilhões de barris de estoque. Os venezuelanos, por sua vez, possuem a maior reserva, com cerca de 303 bilhões de barris, mas são apenas 20º produtor mundial, com menos de 1 milhão de barris por dia. No melhor momento, nos anos 90, os venezuelanos chegaram a produzir mais de 3 milhões de barris por dia. Ou seja, se a indústria venezuelana de petróleo se recuperar com os investimentos americanos, e operar de acordo com os seus interesses, os EUA terão um grande controle da oferta mundial do produto, o que também significa um controle indireto sobre sobre os preços. De acordo com Vitor Sousa, analista de petróleo da Genial Investimentos, em um cenário de recuperação da indústria petrolífera venezuelana, se os americanos entenderem que os preços do petróleo estão muito elevados, eles poderão rapidamente elevar a produção, com a ajuda da Venezuela, ampliando oferta e reduzindo pressões sobre os preços. E o contrário também pode acontecer. Caso os preços estejam muito baixos, afetando a rentabilidade do setor, ambos os países poderão atuar em conjunto – sempre sob os interesses americanos – reduzindo produção e oferta. Com os campos de petróleo de ambos os países nas mãos, o poder de controle dos americanos sobre os preços aumenta consideravelmente, e reduz, por outro lado, o poder de influência da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A chance de isso acontecer, contudo, ainda é bastante incerta. Tirar Maduro do poder – e violar as leis internacionais com uma agressão sem precedentes na América do Sul – não significa controle direto sobre a Venezuela. Não está claro se a presidente interina Delcy Rodríguez vai cooperar com os americanos, se novas ações militares acontecerão no país ou se haverá, em um cenário mais extremo, o início de uma guerra civil que a oposição tente voltar ao poder. Qualquer que seja o desfecho, as ações de Trump têm como interesse o petróleo venezuelano, e não o discurso de combate ao narcotráfico e muito menos a defesa da democracia, já que ele próprio tem pouco apreço por esse tema. (Opinião por Alvaro Gribel) Autor/Veículo: O Estado de São Paulo

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De fintechs a postos de combustíveis, crime avança sobre a economia

Chegou ao cidadão comum. Foi essa a sensação que os brasileiros tiveram ao se deparar com operações de Polícia Federal, Ministério Público, Receita Federal e outras autoridades que colocaram no centro de grandes investigações o posto de gasolina, a padaria da esquina, motéis, pequenos varejos e até mesmo aplicações financeiras e gestoras de investimento. Mais do que uma impressão, é fato que o crime está mais próximo do mundo dos negócios. “Foi um ano de virada”, diz Paulo Henrique Carnaúba, professor do programa avançado de finanças do Insper. Até pouco tempo, as grandes investigações se voltavam mais a tráfico de drogas, corrupção e sonegação. “Agora, elas estão mais próximas do cotidiano do grande público.” Para os especialistas, há alguns motivos por trás desse movimento. Um deles, diz Cleveland Prates, professor de economia da FGVLaw, é a necessidade de arrecadação federal, que tem investido em combate a brechas de evasão fiscal com mais afinco. Na lista dos inquéritos policiais da PF em andamento por tipos de crime, há mais de 3 mil que envolvem sonegação, supressão de tributos por meio de fraude, omissão ou declarações falsas. Outro fator, afirma Carnaúba, é o período de aprendizagem das autoridades, entre o mergulho nas investigações e o entendimento dos crimes, necessário para detonar então buscas, prisões e apreensões. “Todo fraudador tem de ter oportunidade e sensação de impunidade para praticar a fraude”, afirma. “Como há um delay de aprendizado das autoridades, esses crimes ganharam proporção muito grande.” De janeiro até o dia 15 de dezembro do ano passado, foram feitas 3.310 operações da Polícia Federal, com R$ 9,6 bilhões em ativos apreendidos, quase 60% a mais do que em 2024. Mas é nas maiores operações detonadas em 2025 que os padrões como os descritos por Carnaúba se repetem. No caso das operações Carbono Oculto, Quasar e Tank, deflagradas simultaneamente, havia 268 empresas ligadas diretamente ao esquema. Os alvos das operações eram sócios em pelo menos 251 postos de combustíveis, em quatro Estados. Foram usados 60 motéis para lavar R$ 450 milhões, entre 2020 e 2024. Apenas o “cabeça” da organização tinha ligação com cerca de cem companhias diferentes. Outro contador investigado representava 941 empresas junto à Receita Federal. A organização criminosa controlava mais de 40 fundos de investimento (com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões). Embora cada operação tenha revelado movimentações bilionárias em suas respectivas frentes, a soma dos valores e a extensão do esquema indicam que os grupos criminosos movimentaram, no total, aproximadamente R$ 140 bilhões de forma ilícita. A segunda operação em termos de volume financeiro, a Compliance Zero, investigou a fraude praticada pelo Banco Master, segundo denúncia do Banco Central (BC), que movimentou R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes. Também envolveu pelo menos 1,6 milhão de pequenos investidores. Esse é o número de pessoas que receberão de volta os recursos aplicados na instituição, por meio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O desembolso total será de cerca de R$ 41 bilhões. As outras operações que não se tornaram tão famosas, mas que estão entre as maiores em movimentação financeira, envolveram varejistas, atacadistas e distribuidoras. Também outras frentes do setor financeiro. Em outubro, a Operação Bóreas mirou um esquema de sonegação tributária estruturada no setor de ar-condicionado, com empresas de fachada e subfaturamento em importa– “Todo fraudador tem de ter oportunidade e sensação de impunidade para praticar a fraude” Paulo Henrique Carnaúba Insper “Vimos fundos de pensão públicos investindo em CDBs do Banco Master que tinham zero governança” Cleveland Prates FGV ções. Exótico, mas com estimativa de sonegação de R$ 400 milhões e bloqueio de R$ 800 milhões. Deflagrada em 16 de dezembro, a Operação Opções Binárias, da PF, investiga a operação de plataformas digitais falsas, com promessas de lucros garantidos no mercado de “opções binárias” e criptoativos para atrair pequenos investidores. A movimentação investigada ultrapassa R$ 1,2 bilhão. Em menor escala, também há diferentes operações que envolvem o varejo. Num dos casos, em âmbito estadual, a Operação Ambiente 186 investigou supermercados e atacadistas utilizavam “empresas noteiras” (companhias de papel que existem apenas para emitir notas fiscais) que simulam créditos de imposto e reduzem ilegalmente o valor a pagar ao Estado de Minas Gerais. O nome faz referência ao prejuízo estimado de R$ 186 milhões causado ao erário mineiro. GATO E RATO. Essa avalanche de operações permitiu identificar diferentes falhas em legislações e regramentos e algumas iniciativas já foram adotadas para corrigi-las. Entre elas, a aprovação da legislação do devedor contumaz, que estava parada no Congresso havia oito anos. Também a instrução normativa publicada pela Receita Federal que obriga todos os fundos de investimento a identificar o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) dos cotistas finais, a partir de janeiro. Apenas a Receita Federal e autoridades com respaldo legal (como o Ministério Público e a Polícia Federal em investigações) terão acesso a esses dados. Ainda é preciso repensar, dizem eles, mecanismos de incentivos a eventuais fraudes, como a que aconteceu no Banco Master. Como os concedidos a plataformas para venderem investimentos que têm por garantia o uso do FGC. Para Prates, que estuda lavagem de dinheiro há mais de 20 anos, é preciso ter cuidado para não criminalizar as fintechs, que permitiram a universalização dos serviços bancários e trouxeram competição ao setor. Porém, havia brechas que os malfeitores são especialistas em encontrar – e o importante é fechá-las. Os especialistas afirmam que, historicamente, sempre que as falhas na legislação são combatidas, outras brechas são encontradas pelos criminosos. Por isso, dizem, é importante fortalecer sistemas de controle, como Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que cuidam do mercado financeiro e de capitais, respectivamente, entre outras. Também desenvolver expertise em combate a fraudes no judiciário. “Vejo boa vontade em apurar e aplicar lei de forma rigorosa, mas não é possível depender de advogados dos lesados para as denúncias”, diz Carnaúba. “É preciso ter um amplo movimento de treinamento no combate às fraudes, principalmente financeiras, na Justiça.” Além disso, dizem eles, não cabe apenas ao poder público combater fraudes e crimes.

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