A previsão de uma seca mais prolongada na região Norte este ano está fazendo a Atem antecipar a programação de cargas de diesel para garantir o suprimento do combustível no segundo semestre do ano.
“A gente vai ter um El Niño muito forte este ano e o suprimento vai ser mais difícil na região Norte”, disse disse o diretor de Trading da Atem, Rafael Valim, durante durante o Argus Rio Crude Conference, na quarta-feira (20/5).
O transporte de cargas de combustíveis na região ocorre sobretudo por meio de rios, portanto uma estiagem mais prolongada compromete a movimentação e impacta os custos logísticos.
No ano passado, a seca durou dois meses, mas para 2026 a previsão é que possa se estender por até cinco meses.
“Estou me preparando para o pior ano”, afirmou o executivo a jornalistas.
Valim ressaltou que é um desafio se programar para esse cenário em meio a um mercado de petróleo instável, com alta volatilidade de preços devido à guerra no Irã, mas ressaltou que não há risco de desabastecimento.
Segundo ele, o grupo vai manter o compromisso de atender aos clientes na região, incluindo as usinas termelétricas.
“Não vai faltar produto de jeito nenhum”, disse.
A Atem responde por cerca de 60% do abastecimento de diesel da região Norte.
O fenômeno do El Niño aquece as águas do Oceano Pacífico Equatorial e gera secas mais prolongadas na região Amazônica.
Valim lembrou que o fenômeno tende a impactar também a demanda de diesel pelo agronegócio, com a antecipação das colheitas e do período de maior consumo do combustível.
“A gente vai ver esse movimento do consumo de diesel provavelmente acontecendo antes do que normalmente acontece e deve ser um pouco menor”, afirmou.
Autor/Veículo: Eixos

