Petrobras amplia retomada na Bacia de Campos

Em um reforço da atuação no pré-sal da Bacia de Campos, a Petrobras anunciou na segunda-feira (27/4) um acordo com Shell, ONGC e Brava para aquisição da parte do campo de Argonauta que tem uma jazida compartilhada do campo de Jubarte.

A transação vai encerrar o processo de negociação para equalização das jazidas das áreas.
A estatal vai pagar R$ 700 milhões e US$ 150 milhões pelo ativo. Veja o comunicado na íntegra.
Segundo a Petrobras, a aquisição “apresenta condições econômico-financeiras atrativas” e “simplifica a gestão do ativo”.
É mais um movimento de reforço da empresa na bacia offshore mais antiga do país, região já considerada madura, em produção há cinco décadas.

A sinalização já estava no Plano de Negócios 2026-2030, divulgado ao final de 2025, com a indicação da intenção da estatal em fortalecer a atuação na Bacia de Campos e “maximizar valor com foco em ativos rentáveis”.
O planejamento atual da Petrobras prevê que a bacia vai receber US$ 19 bilhões em investimentos até 2030, incluindo a perfuração de cinco poços exploratórios. Entre os focos das atividades exploratórias na região estão os blocos de Citrino, Norte de Brava, C-M-477 e Jaspe.
Em março, a companhia também exerceu a opção de compra da participação da malaia Petronas no campo Tartaruga Verde e no módulo 3 do campo de Espadarte. Com isso, a estatal interrompeu um acordo fechado com a Brava Energia e vai voltar a deter 100% dessas áreas.
Marca uma guinada em relação à atuação da empresa nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro, quando a Petrobras conduziu um plano de desinvestimentos que incluiu áreas mais maduras, inclusive no pré-sal — alvo de críticas do PT, na época na oposição.

Foi justamente a venda desses ativos que ampliou o número de petroleiras menores em atuação no Brasil, como a própria Brava, que surgiu da fusão entre a Enauta e a 3R Petroleum.
O reforço da aposta em Campos ocorre também num momento de dificuldades da ampliação de novas reservas no país.

A companhia tenta abrir uma nova fronteira exploratória na Margem Equatorial, mas levou anos para obter a liberação do Ibama para a primeira perfuração em águas profundas na Bacia da Foz do Amazonas. Além disso, o primeiro poço sofreu um incidente no começo do ano e ainda não foi concluído.
Nesse contexto, a EPE já indicou que pelo menos até 2035 a maior parte da produção brasileira vai continuar a vir de recursos já descobertos.

Autor/Veículo: Eixos

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