As incertezas em torno do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã pesaram na abertura das negociações de petróleo desta semana. O barril Brent, referência mundial, chegou a ter alta de 4,62%, sendo vendido a US$ 105,97, à 1h45 (horário de Brasília) desta segunda-feira (11).
A partir das 4h, o preço caiu para a casa dos US$ 104 e permanecia neste patamar às 9h, com o contrato de julho sendo negociado a US$ 104,29, valorização de 2,96% em relação ao preço de sexta-feira (8). Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, estava em US$ 98,40, alta de 3,11%, para entrega em junho.
A alta do petróleo ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitar uma contraproposta feita pelo Irã ao acordo de paz proposto pelos norte-americanos e classificar o posicionamento como “totalmente inaceitável”.
“Acabei de ler a resposta dos chamados ‘representantes’ do Irã. Não gostei — TOTALMENTE INACEITÁVEL”, escreveu o presidente em seu perfil no Truth Social neste domingo (10).
Segundo a mídia iraniana, a resposta ao acordo norte-americano focou acabar com a guerra em todas as frentes, especialmente no Líbano, e estabeleceu pontos para segurança da navegação no estreito, por onde passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo.
Os EUA pedem o encerramento dos combates antes do início das negociações sobre o acordo, incluindo temas controversos, como o programa nuclear do Irã. Os iranianos, por outro lado, pedem também a suspensão do bloqueio naval dos EUA, garantias de que não haverá mais ataques ao país e o fim de sanções econômicas —incluindo a proibição feita pelos norte-americanos de venda do petróleo iraniano.
Segundo a mídia internacional, o Irã estaria disposto a diluir parte de seu urânio enriquecido, transferindo o restante para outro país.
Não há, neste momento, uma indicação de quando o estreito de Hormuz será reaberto oficialmente. Neste domingo, dois navios foram autorizados a passar pelo canal, que segue bloqueado.
De acordo com a Reuters, o navio transportador Al Kharaitiyat, operado pela QatarEnergy, passou em segurança e seguiu para o Porto Qasim, no Paquistão. Foi o primeiro navio do Qatar transportando gás natural liquefeito a cruzar o estreito desde que os EUA e Israel iniciaram a guerra em 28 de fevereiro.
A carga deve ajudar o Paquistão a resolver problemas com apagões causados nos últimos pela interrupção das importações de gás. O país é um dos mediadores do conflito no Oriente Médio.
O segundo navio que passou pelo canal estava com a bandeira do Panamá e tem como destino o Brasil. Segundo a agência Tasnim, o navio já havia tentado atravessar Hormuz em 4 de maio, e passou pelo canal usando uma rota desenhada pelas forças armadas do Irã.
Enquanto isso, países como os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado dois drones iranianos e o Qatar condenou um ataque com drone na costa do país, que atingiu um navio cargueiro saído de Abu Dhabi. O Kuait também relatou a interceptação de drones que entraram em seu espaço aéreo.
Neste domingo, o presidente-executivo da Saudi Aramco afirmou que o mundo perdeu cerca de 1 bilhão de barris de petróleo nos últimos dois meses e que os mercados de energia levarão algum tempo para se estabilizar, mesmo com a retomada dos fluxos.
“Nosso objetivo é simples: manter o fluxo de energia, mesmo quando o sistema estiver sob tensão”, disse Amin Nasser à Reuters em um comunicado, depois que a Aramco divulgou um salto de 25% no lucro líquido do primeiro trimestre.
“Reabrir rotas não é o mesmo que normalizar um mercado que foi privado de cerca de um bilhão de barris de petróleo”, disse Nasser, acrescentando que anos de subinvestimento agravaram a pressão sobre os já baixos estoques globais.
A Aramco usou seu oleoduto Leste-Oeste para contornar Hormuz e transportar petróleo bruto para o mar Vermelho, um ativo que Nasser descreveu como uma “linha vital” para mitigar a crise de abastecimento global.
BOLSAS SOBEM NA CHINA E CAEM NA EUROPA
A reação dos investidores às novas incertezas na guerra do Irã dividiram o mercado. Os principais índices da Europa registravam alta nesta manhã, enquanto as da China fecharam em seu maior patamar em 11 anos, mas influenciada pela busca por ações de empresa de tecnologia devido ao otimismo com as empresas locais de inteligência artificial.
O índice SSEC, em Xangai, saltou 1,08%, aos 4.225 pontos, e atingiu o seu maior nível desde 30 de junho de 2015, enquanto o índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 1,64%, indo à máxima em mais de quatro anos.
As ações de tecnologia impulsionaram os ganhos dos mercados. O Índice e Semicondutores do CSI300 subiu 6,3%, atingindo novo recorde de alta. O Índice de IA do CSI300 teve alta de 3,2% e o do setor de tecnologia da informação avançou 4,4%, também atingindo recordes históricos.
Acompanharam o movimento as Bolsas de Taiwan (0,45%), Seul (4,32%) e Hong Kong (0,05%), mas o índice Nikkei, de Tóquio, fechou em queda de 0,47%.
Na Europa, a tendência era de queda. O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, caía 0,66% às 9h05 (horário de Brasília), em tendência seguida em Frankfurt (-0,37%), Paris (-1,17%) e Madri (-0,56%). Já as Bolsas de Londres e Milão subiam 0,01% e 0,13%, respectivamente.
Autor/Veículo: Folha de S.Paulo


