A produtora de açúcar e álcool Raízen registrou um prejuízo líquido de R$ 15,645 bilhões no terceiro trimestre do ano-safra 2025/26 (1º de outubro a 31 de dezembro de 2025). O resultado representou uma alta de 509% em comparação com a perda de R$ 2,571 bilhões registrada em igual intervalo da safra anterior. A receita líquida caiu 9,7%, passando de R$ 66,872 bilhões para R$ 60,392 bilhões na comparação anual.
O resultado operacional medido pelo Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado somou R$ 3,151 bilhões, uma queda de 3,3% em relação aos R$ 3,258 bilhões do terceiro trimestre de 2024/25.
O prejuízo líquido foi impactado pelo impairment (provisão para perda de valor de ativos) de R$ 11,1 bilhões no trimestre, em decorrência da deterioração de crédito evidenciada pelo rebaixamento dos ratings corporativos pelas principais agências nacionais e internacionais.
De acordo com a companhia – controlada pela Cosan e pela Shell -, essa provisão “decorreu da revisão de procedimentos contábeis aplicáveis às premissas utilizadas nos testes de recuperabilidade de determinados ativos – incluindo tributos diferidos e a recuperar, ágio sobre rentabilidade futura e outros ativos não financeiros”.
Ainda segundo a empresa, “tais provisões não possuem efeito caixa e poderão ser futuramente revertidas à medida que as circunstâncias macroeconômicas da indústria melhorem e a Companhia equacione sua estrutura de capital”.
Diante desse contexto, a Raízen voltou a informar que selecionou assessores financeiros e legais com o objetivo de conduzir uma avaliação de alternativas estruturais que mantenham sua viabilidade e competitividade no longo prazo. O processo está sendo conduzido em conjunto com os acionistas controladores, “que se comprometeram em contribuir capital dentro de uma solução consensual, estruturante e de maneira definitiva”.
A Raízen ressaltou que “continua operando no curso normal de seus negócios e reforça o compromisso com a continuidade regular das operações, e na manutenção da relação com nossos parceiros de negócios – clientes, revendedores e fornecedores, ainda mais essenciais neste período”.
Apesar do cenário adverso, a administração destacou avanços na execução do plano de transformação, lançado em novembro de 2024. “Essas iniciativas já se traduzem em uma melhoria de R$ 600 milhões nos resultados dos nove meses do ano safra 25′26, superando a premissa inicial do Plano para a safra, mesmo em um cenário adverso para a produtividade agroindustrial”, informou a empresa.
A companhia diz ter capturado ganhos de eficiência por meio de gestão disciplinada de custos e despesas e da revisão das estruturas corporativas e operacionais. Os desinvestimentos já anunciados representam aproximadamente R$ 5 bilhões em caixa, além da saída de determinadas operações que resultaram na melhoria do portfólio de ativos.
O nível de investimentos foi reduzido em cerca de R$ 3 bilhões para este ano safra em comparação com o ano-safra anterior, em linha com o Plano de Investimentos de 2025/26. Em 31 de dezembro de 2025, a Companhia detinha R$ 17,3 bilhões em caixa e aplicações, mais de 90% com liquidez imediata.
Autor/Veículo: O Estado de S.Paulo


