A proposta do governo de subsidiar a importação de diesel pode amenizar os reflexos da guerra a curto prazo, mas cria uma artificialidade sobre os preços da Petrobras, na visão de analistas do setor. Na terça-feira (24), o governo federal apresentou aos Estados uma proposta de reduzir o custo do diesel importado com base na subvenção direta aos importadores.
A ideia é subsidiar R$ 1,20 por litro de diesel, sendo R$ 0,60 pela União e a outra metade pelos Estados. O custo total estimado é de R$ 3 bilhões. O benefício terá caráter temporário, com vigência até 31 de maio. O governo solicitou prazo até sexta-feira (27) para que os entes avaliem a adesão ao modelo, quando haverá nova reunião, em São Paulo.
Ainda que o valor de R$ 1,20 sobre o diesel importado ajude a igualar o preço da Petrobras ao produto que vem do exterior, o problema da defasagem retornaria quando a medida deixar de vigorar, pois o prazo vai até o fim de maio, na visão de um especialista: “O governo está tentando comprar tempo. Para os importadores em geral, a medida é positiva porque reduz o risco de trazerem um produto que não consigam colocar no mercado, dado que o preço da Petrobras está bem abaixo. Por outro lado, caso a proposta não avance, a Petrobras ainda estará deixando dinheiro na mesa.”
Inicialmente, o governo federal arcaria com todo o custo e faria o repasse da subvenção ao importador, permitindo que o benefício seja incorporado ao preço do diesel no momento da venda. Posteriormente, a União recuperaria metade desse valor por meio de abatimentos nas obrigações financeiras que tem junto aos Estados.
A medida do governo busca amortecer a disparada de preços do petróleo e dos derivados, como o diesel, por causa da escalada de conflitos no Oriente Médio. Conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o diesel saiu de uma média de R$ 6,12 no país nas bombas no começo de janeiro para R$ 6,89 na semana até 14 de março. Para ler esta notícia, clique aqui.
Autor/Veículo: Valor Econômico


