23 de junho de 2026

Uncategorized

Brasil deve ser beneficiado por cenário geopolítico no petróleo, diz estudo da Firjan

O mercado de energia deve passar por uma profunda transformação mesmo que as conversas de paz entre Estados Unidos e Irã cheguem a um desfecho positivo, algo do qual ainda não havia indício na noite de ontem. E Brasil e América Latina podem ser os maiores beneficiados dessa mudança de cenário. É o que mostra o Anuário do petróleo no Rio 2026, divulgado pela Firjan. De acordo com o estudo, o cenário geopolítico consolida a América Latina como uma nova potência petrolífera, e o movimento é liderado pelo Brasil, que através de suas reservas no pré-sal e de uma frota avançada de plataformas FPSO, assumiu a liderança da produção no continente. Em resumo, a região ganha destaque por combinar potencial de expansão da produção com menor exposição a riscos geopolíticos do que os grandes produtores do Golfo Pérsico. Na noite de domingo, após novas ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de atacar o Irã caso o Hezbollah mantenha a ofensiva contra Israel, o barril do petróleo tipo Brent abriu em alta de até 2,2%, a US$ 82,30. As negociações tiveram um início turbulento neste domingo na Suíça, coma a presença do vice-presidente dos EUA, JD Vance, representantes do Irã e mediadores de Catar e Paquistão. A imprensa iraniana informou que Teerã havia interrompido as conversas após a mais recente ameaça de Trump. Ainda assim, pessoas a par do assunto informaram à Bloomberg que os iranianos não abandonaram a negociação. É justamente essa instabilidade no cenário que deve ser incorporada à precificação de ativos após o conflito. De acordo com o levantamento da Firjan, o preço do barril tende a deixar de ser determinado apenas pelo custo de produção e passar a incorporar mais fatores como segurança, logística e risco geopolítico das rotas de exportação. Diante disso, produtores de fora de regiões sujeitas à turbulência ganham relevância, mesmo que seus custos sejam mais elevados. Rio como polo nacional Na América latina, os destaques além do Brasil, são Guiana e Suriname, além da perspectiva de crescimento da produção argentina e de uma possível retomada gradual da atividade petrolífera na Venezuela. No Brasil, o pré-sal contribui com mais de dois terços da produção nacional de petróleo e gás natural. A estimativa é que o pico da produção no país seja alcançado em 2032, com 5,1 milhões de barris. “Como consequência, o Brasil deve se consolidar entre os principais exportadores globais de petróleo, com destaque para o papel do Estado do Rio como principal polo produtor nacional”, afirma o estudo. O mercado de trabalho no Estado do Rio deve avançar e gerar mais 1.400 postos até o fim de 2027, o que elevaria o contingente de trabalhadores no setor a cerca de 96 mil. Em outra frente, o anuário também aponta que a crise reforça o papel da diversificação energética como questão que vai além do fator ambiental, passando a ser abordadatambém sob a ótica de segurança nacional, à medida que países com matrizes mais diversificadas se mostram mais resilientes ao choque. “Essa percepção pode acelerar a eletrificação em mercados-chave, reduzindo a demanda de petróleo no médio prazo enquanto a oferta já enfrenta restrições estruturais”, diz o estudo. O levantamento afirma que uma das origens dessa nova configuração do mercado foi a transformação dos EUA de grande importador em exportador líquido de energia, impulsionado pela expansão da produção e pelo shale gas, o que reduziu a dependência do petróleo do Golfo Pérsico. Impactos na economia Ainda assim, as consequências para a economia global e a do Brasil já começam a ser percebidas. A alta dos preços do petróleo tem pressionado a inflação em diversos países, incluindo o Brasil, e reforçado as preocupações sobre o rumo da política de juros e da atividade econômica. O FMI já reduziu sua projeção de crescimento para a economia global de 3,3% para 3,1% este ano. Caso o conflito se prolongue e mantenha o petróleo em alta, a expansão pode desacelerar para apenas 2%, patamar próximo ao da crise financeira de 2008 e da pandemia de Covid-19. No Brasil, se a alta do petróleo eleva a arrecadação ligada ao setor, também pressiona preços de combustíveis, transporte e energia, aumentando expectativas de inflação. A projeção do Boletim Focus para o IPCA deste ano subiu de 4% em janeiro para 4,86% no fim de abril. E, na semana passada, chegou a 5,3%. As apostas em cortes de juros mudaram, com a expectativa para a Selic do fim de 2026 passando de 12%, na previsão de janeiro, para 13%, no fim de abril, e agora para 13,75%. Autor/Veículo: O Globo

Uncategorized

Irã anuncia suspensão de sanções ao petróleo após negociações

O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que as sanções ao petróleo iraniano foram suspensas e que alguns dos ativos iranianos congelados no exterior foram liberados, em uma publicação feita após a conclusão das negociações na Suíça. Em uma postagem sobre o assunto no X, Abbas Araghchi também afirmou que “um grande plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irã foi lançado”. A publicação não forneceu detalhes sobre os bens congelados nem sobre o plano de reconstrução. A CNN entrou em contato com a Casa Branca para obter um posicionamento sobre as negociações. Anteriormente, Hossein Ghorbanzadeh, especialista em economia da delegação iraniana, afirmou que um projeto de acordo para uma isenção temporária das sanções americanas ao petróleo iraniano e seus derivados havia sido concluído, de acordo com a agência de notícias semioficial iraniana Fars. Além disso, delegações dos Estados Unidos e do Irã discutiram as bases para negociações visando a um acordo final, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, segundo a agência estatal Tasnim. As negociações, agora concluídas, entre os EUA e o Irã foram conduzidas em uma “atmosfera positiva e construtiva” e “progressos encorajadores” foram alcançados, de acordo com uma declaração conjunta dos mediadores Paquistão e Catar. Autor/Veículo: CNN

Uncategorized

ANP ressuscita os fiscais do Sarney, sob nova roupagem: quando falta causa, inventa-se o culpado

Adriano Pires – A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou um plano “excepcional” de fiscalização: cerca de três mil ações entre julho e setembro, 80% delas voltadas especificamente para preços já no primeiro mês, num incremento de 40% sobre o trimestre anterior. A ANP precisa entender que o problema não é fiscalizar. O problema é o que a agência escolheu fiscalizar. Que a agência fiscalize, e com rigor, ninguém discute. Qualidade do produto, especificação das misturas de etanol e biodiesel, práticas de monopólio, oligopólio e cartel — essa é a sua função e a sua razão de existir. Mas fiscalizar a “abusividade de preços”? Que tipificação é essa? Mas o que é isso? Onde está, na lei, o preço justo que o regulador agora se arroga a calcular? Sob nova roupagem, a ANP ressuscita os fiscais do Sarney, aqueles que percorriam o comércio de tabela na mão durante o Plano Cruzado, como se o decreto pudesse revogar a aritmética. Além do mais, a lei diz que os preços dos combustíveis são livres no Brasil. É lamentável e fora de hora. Uma agência de recursos limitados gastar tempo, gente e dinheiro perseguindo um fantasma, enquanto os males concretos do setor não são tratados da forma adequada como tratam o tal “lucro extraordinário” e “preços abusivos”. A adulteração que engana o consumidor, o contrabando que sonega tributo, a não mistura de biodiesel e de etanol que falseia a concorrência — isso é que corrói o mercado, afasta investidores que não são free rider e que, portanto, deveria mobilizar a força-tarefa. Estes, sim, ferem o consumidor. Estes, sim, distorcem os verdadeiros preços de mercado. Mas enfrentá-los não dá voto e não rende manchete. O diagnóstico não é novo, mas o pior é que é sempre repetido. O nosso velho Roberto Campos, faz tempo, já o havia resumido com a clareza de sempre: se a inflação é alta de preços, o culpado é o empresário; se é expansão monetária, o culpado é o governo. Ao treinar intensivamente o País a acreditar que inflação é somente o preço da bomba, culpando os empresários, condiciona-se a população a uma cultura antiempresarial — o vilão passa a ser quem vende, nunca quem emite. Só que inflação não é a etiqueta do posto; são os enormes planos populistas dando diversos benefícios e subsídios para a população, as pedaladas fiscais. Trocar a definição é trocar o réu e, no mesmo gesto, absolver o verdadeiro responsável. Culpar a distribuidora ou o revendedor pela alta dos combustíveis é precisamente isso: cultivar a mentalidade antiempreendedora e terceirizar a responsabilidade de um governo que, com populismo, improviso e irresponsabilidade fiscal, mais atrapalha do que ajuda. Quando falta política, sobra fiscal. Quando falta causa, inventa-se culpado. Adriano Pires é diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. Autor/Veículo: O Estado de S. Paulo (Opinião)

plugins premium WordPress
Rolar para cima