23 de junho de 2026

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Petróleo cai em meio a “negociações construtivas” entre EUA e Irã

Os preços do petróleo operam em queda nesta segunda-feira (22) após relatos de que autoridades americanas e iranianas avançaram nas negociações de paz sobre o Oriente Médio. Por volta das 13h15, pelo horário de Brasília, o petróleo Brent, referência global, de setembro, caía mais de b3%, para US$ 77,35 o barril, enquanto o WTI, referência americana, de agosto, recuava quase 3%, para US$ 73,64 o barril. As negociações entre os Estados Unidos e o Irã foram concluídas “de forma construtiva” durante o final de semana na Suíça e as conversas técnicas continuarão esta semana, de acordo com os mediadores. Os negociadores de petróleo têm acompanhado de perto como os negociadores lidam com a reabertura do Estreito de Ormuz. Há indícios de que o tráfego pela hidrovia aumentou ligeiramente nas últimas 24 horas, segundo dados da MarineTraffic analisados ​​pela CNN. Após o término das negociações de domingo (21) na Suíça, o Catar e o Paquistão afirmaram que o Irã e os EUA estabeleceram uma “linha de comunicação” para o Estreito de Ormuz, aumentando as esperanças de que a estabilidade na via estratégica para o comércio de petróleo esteja próxima. Autor/Veículo: CNN

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Petrobras em Cubatão vai virar polo produtor de biocombustíveis, com R$ 6 bi em investimentos

O conselho de administração da Petrobras aprovou, na sexta-feira, 19, investimentos de US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões) no projeto RPBC Biorrefino, primeira iniciativa da estatal para ter uma fábrica dedicada à produção de combustíveis renováveis. A iniciativa prevê a produção de bioquerosene de aviação (BioQAV) e diesel renovável na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), localizada na cidade de Cubatão, em São Paulo. A fábrica terá capacidade de produção de até 15 mil barris por dia (bpd) de combustíveis renováveis, com entrada em operação prevista para 2030. Com a aprovação dos investimentos, a Petrobras avançará para a fase final de contratação e assinatura dos contratos, com previsão de início das obras até o fim de 2026. “O projeto está previsto no plano de negócios 2026-2030 e, considerando as condições de financiabilidade da companhia, foi incluído na carteira em implantação base”, afirmou a companhia em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo a nota, o projeto “está alinhado ao comprometimento” da Petrobras em liderar a transição energética justa no País e aos compromissos globais do setor de aviação para o cumprimento da regulação Corsia (Esquema de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional, na sigla em inglês) e da Lei do Combustível do Futuro. O Corsia é um acordo global da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci) que visa mitigar o impacto climático do setor aéreo, estipulando que, a partir de 2027, a compensação de emissões de gás carbônico passará a ser obrigatória em rotas internacionais que envolvem o Brasil. Já a Lei do Combustível do Futuro (Lei nº 14.993/2024) é o marco legal brasileiro criado para impulsionar a mobilidade sustentável de baixo carbono, instituindo programas nacionais como o ProBioQAV, que obriga os operadores aéreos a reduzirem gradativamente as emissões de gases de efeito estufa a partir de 2027 (iniciando em 1% até atingir 10% em 2037), além de definir as metas de inserção de diesel verde e misturas de biodiesel. Autor/Veículo: O Estado de São Paulo

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TCU analisa na quarta (24/6) denúncia sobre programa RenovaBio

Os ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) votarão, na quarta-feira (24/6), um processo de denúncia sobre eventuais irregularidades no desenho e na execução da chamada Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio). O foco do pedido é o mercado de créditos de descarbonização (CBIOs), um dos eixos do programa. A sessão está marcada para começar às 10 horas. O processo está classificado como sigiloso. A Unidade de Auditoria Especializada em Petróleo, Gás Natural e Mineração (AudPetróleo) está responsável pela apuração. O ministro Jorge Oliveira é o relator. Também será votado, na mesma sessão, o processo referente ao primeiro leilão de transmissão de energia elétrica deste ano. A discussão havia sido retirada de pauta na sessão pública anterior. O relator desse tema é o ministro Augusto Nardes. (Estadão Conteúdo) Autor/Veículo: Eixos

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ANP deve chamar consulta e audiência públicas do ‘gas release’ entre outubro e novembro

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deve realizar consulta e audiência públicas sobre o programa “gas release”, de leilões obrigatórios de gás da Petrobras, entre outubro e novembro. Segundo Pietro Mendes, diretor da ANP, a meta é que a iniciativa, que obriga que um agente dominante venda parte da produção de gás natural para outros concorrentes, entre em vigor em 2027. O tema está previsto na Nova Lei do Gás (14.134/2021), que completou cinco anos, e a ANP tem atribuição de regulamentar a implementação da medida. No evento “5 Anos da Lei do Gás – Conectando o Brasil ao Futuro”, realizado pela FGV Energia, Mendes ressaltou que a Petrobras possui 65% de participação de mercado. Ele destacou ainda que a concentração já foi maior, mas acabou reduzida porque a abertura de mercado promovida pela Nova Lei do Gás permitiu a diversificação de fornecedores do insumo. Clique aqui para continuar a leitura. Autor/Veículo: Valor Econômico

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Rubens Ometto afirma que Raízen ‘vai muito bem’ e recuperação será bem-sucedida

O controlador do grupo Cosan, Rubens Ometto, afirmou nesta segunda-feira (22) que o processo de recuperação extrajudicial da Raízen será bem-sucedido. A empresa luta para renegociar uma dívida de R$ 64,7 bilhões. “A empresa vai muito bem, gera caixa, é organizada, não tem falcatrua nenhuma, não tem desvio nenhum”, disse Ometto, após evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Rio de Janeiro. “Ela tem um problema de estrutura de capital que está resolvido.” A Raízen acumulou prejuízos nos últimos anos por conta de apostas malsucedidas, sobretudo em relação ao etanol de segunda geração e à aposta para desenvolver a varejista Oxxo no país. A Raízen já conseguiu apoio de mais de 80% dos credores para a reestruturação da dívida. A recuperação extrajudicial, se confirmada, será a maior já realizada no Brasil. O acordo precisa também ser homologado por um juiz. Os grupos de credores incluídos na recuperação extrajudicial são detentores de títulos internacionais, debêntures, certificados de recebíveis do agronegócio e bancos, representando cerca de 75% das obrigações. Fornecedores, clientes e revendedores não terão créditos reestruturados. O processo deve culminar na separação das atividades da Raízen, uma parceria entre Cosan e Shell criada para juntar ativos de produção de etanol com ativos de distribuição de combustíveis automotivos. A empresa é hoje a terceira maior distribuidora do país. “O que a gente nota hoje é que tem investidores que preferem distribuição [de combustíveis] e tem os que preferem geração de energia”, afirmou Ometto. “Então, cada um compra o que quiser, escolhe direito o que quiser.” A Shell aportará R$ 3,5 bilhões, e o plano prevê a possibilidade de investimento de R$ 500 milhões de Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan, por meio de seu fundo familiar Aguassanta, ambos recebendo ações ordinárias. Este mês, o grupo IG4 decidiu entrar nas negociações, tentando acumular dívida suficiente para ter uma participação de pouco mais de 50% quando a conversão for concluída, segundo informações publicadas pela agência Reuters. A gestora de ativos enviou cartas aos credores no dia 15 de junho. A ideia é criar um fundo de investimento para deter as ações. Os credores podem escolher entre receber cotas do fundo, um pagamento em dinheiro, ou derivativos que gerariam ganhos quando a IG4 vender a participação no futuro. A IG4 assumiu recentemente o comando da Braskem, também em dificuldades financeiras, ao comprar as ações da Novonor (ex-Odebrecht). A gestora e sua sócia, a Petrobras, esperam ter até o fim do mês um desenho do processo de renegociação de dívidas. Autor/Veículo: Folha de São Paulo

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Anfavea ameaça ir à Justiça se governo renovar benefício que favorece BYD

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) ameaça recorrer à Justiça caso o governo federal decida renovar benefícios para a importação de veículos eletrificados pré-montados, uma medida que, na avaliação da entidade, favorece principalmente a chinesa BYD, rompendo um cronograma acordado com o setor há dois anos. A declaração foi dada pelo presidente da entidade, Igor Calvet, nesta segunda-feira (22), véspera da reunião do Gecex (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) que deverá analisar a possibilidade de reabrir cotas para importação com imposto reduzido ou zerado para kits de peças pré-montados de carros ou veículos 100% importados. “Se for possível, nós vamos judicializar. Não tenho dúvidas”, afirmou Calvet, em conversa com jornalistas, na sede da Anfavea, em Brasília. “Nesse rito, sem publicação, sem contraditório, me soa muito estranho.” A disputa em torno dos veículos eletrificados se intensificou nas últimas semanas. Como mostrou a Folha, a BYD ampliou as articulações junto ao governo para tentar reverter o fim dos benefícios para importação de kits de montagem e manter vantagens tributárias para seus veículos. O movimento abriu uma nova frente de conflito com as demais montadoras instaladas no país, que acusam a empresa de tentar mudar as regras acertadas em 2023. Naquele ano, o governo decidiu restabelecer gradualmente o Imposto de Importação dos veículos eletrificados, que estava zerado desde 2015. Foi criada uma espécie de escada do tributo, com aumento progressivo das alíquotas até a volta dos 35%, prevista para julho deste ano nos veículos importados prontos. Além disso, o governo concedeu uma cota de cerca de US$ 463 milhões para importações com imposto zero, benefício que expirou no início deste ano. Segundo Calvet, a indústria aceitou a solução negociada em 2023 e estruturou seus investimentos com base nesse calendário. Agora, a uma semana da entrada em vigor da tarifa cheia, uma eventual mudança de rumo representaria uma quebra do acordo. “O governo está mudando a regra do jogo quase no fim do cronograma”, disse. “A mensagem que está sendo enviada aos investidores é que tudo pode mudar a qualquer momento.” A Anfavea afirma que o setor anunciou aproximadamente R$ 140 bilhões em investimentos em novos carros e eletrificação com base nesse ambiente regulatório. Uma nova rodada de benefícios, segundo a entidade, colocaria em dúvida esses planos. “O problema não é a empresa A, B ou C. É qual modelo industrial o país quer.” Calvet, da Anfavea, afirmou que o setor não foi consultado sobre a eventual mudança e criticou a falta de transparência do processo. “Sempre tivemos um canal aberto com o governo. Às vezes ganhamos, às vezes perdemos. Mas agora nem estamos sendo ouvidos. A pergunta que fica é, por que, a seis meses do fim do cronograma estabelecido pelo próprio governo, há uma tentativa de mudar tudo?”, questionou. Procurados desde a sexta-feira (19), a Casa Civil, o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e a BYD não haviam se manifestado até a conclusão desta reportagem. Questionado sobre a ameaça de judicialização, Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, disse em evento em São Paulo nesta segunda que “brigar com o governo nunca é bom” e que acredita que o Executivo vai cumprir o período de transição. “Acredito que o governo, observando que as nossas empresas, que os nossos investimentos foram concretizados, possa também cumprir aquilo que foi inicialmente pactuado. Não houve nenhum novo pedido. Houve um pedido feito no ano passado para que, nesse período de transição, que os investimentos que fossem realizados no Brasil, pudessem observar essa transição. Nenhuma fábrica de carros no planeta começa de modo integral, ela tem um período de transição. Baldy esteve em um evento realizado em uma concessionária da BYD na zona sul de São Paulo. A montadora celebrou a venda de 300 mil unidades no Brasil. Segundo relatos obtidos pela Anfavea, uma reunião técnica do CAT (Comitê de Alterações Tarifárias) ocorreu na própria sexta-feira, recomendando a aprovação do pedido. A decisão final, porém, cabe ao Gecex, colegiado ligado à Camex (Câmara de Comércio Exterior). A associação afirma que sequer teve acesso às discussões técnicas e que o encontro não foi divulgado. “O fato é que não estamos sendo ouvidos, nem chamados, nem respondidos sobre a questão”, diz Calvet. Autor/Veículo: Folha de S.Paulo

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Brasil deve ser beneficiado por cenário geopolítico no petróleo, diz estudo da Firjan

O mercado de energia deve passar por uma profunda transformação mesmo que as conversas de paz entre Estados Unidos e Irã cheguem a um desfecho positivo, algo do qual ainda não havia indício na noite de ontem. E Brasil e América Latina podem ser os maiores beneficiados dessa mudança de cenário. É o que mostra o Anuário do petróleo no Rio 2026, divulgado pela Firjan. De acordo com o estudo, o cenário geopolítico consolida a América Latina como uma nova potência petrolífera, e o movimento é liderado pelo Brasil, que através de suas reservas no pré-sal e de uma frota avançada de plataformas FPSO, assumiu a liderança da produção no continente. Em resumo, a região ganha destaque por combinar potencial de expansão da produção com menor exposição a riscos geopolíticos do que os grandes produtores do Golfo Pérsico. Na noite de domingo, após novas ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de atacar o Irã caso o Hezbollah mantenha a ofensiva contra Israel, o barril do petróleo tipo Brent abriu em alta de até 2,2%, a US$ 82,30. As negociações tiveram um início turbulento neste domingo na Suíça, coma a presença do vice-presidente dos EUA, JD Vance, representantes do Irã e mediadores de Catar e Paquistão. A imprensa iraniana informou que Teerã havia interrompido as conversas após a mais recente ameaça de Trump. Ainda assim, pessoas a par do assunto informaram à Bloomberg que os iranianos não abandonaram a negociação. É justamente essa instabilidade no cenário que deve ser incorporada à precificação de ativos após o conflito. De acordo com o levantamento da Firjan, o preço do barril tende a deixar de ser determinado apenas pelo custo de produção e passar a incorporar mais fatores como segurança, logística e risco geopolítico das rotas de exportação. Diante disso, produtores de fora de regiões sujeitas à turbulência ganham relevância, mesmo que seus custos sejam mais elevados. Rio como polo nacional Na América latina, os destaques além do Brasil, são Guiana e Suriname, além da perspectiva de crescimento da produção argentina e de uma possível retomada gradual da atividade petrolífera na Venezuela. No Brasil, o pré-sal contribui com mais de dois terços da produção nacional de petróleo e gás natural. A estimativa é que o pico da produção no país seja alcançado em 2032, com 5,1 milhões de barris. “Como consequência, o Brasil deve se consolidar entre os principais exportadores globais de petróleo, com destaque para o papel do Estado do Rio como principal polo produtor nacional”, afirma o estudo. O mercado de trabalho no Estado do Rio deve avançar e gerar mais 1.400 postos até o fim de 2027, o que elevaria o contingente de trabalhadores no setor a cerca de 96 mil. Em outra frente, o anuário também aponta que a crise reforça o papel da diversificação energética como questão que vai além do fator ambiental, passando a ser abordadatambém sob a ótica de segurança nacional, à medida que países com matrizes mais diversificadas se mostram mais resilientes ao choque. “Essa percepção pode acelerar a eletrificação em mercados-chave, reduzindo a demanda de petróleo no médio prazo enquanto a oferta já enfrenta restrições estruturais”, diz o estudo. O levantamento afirma que uma das origens dessa nova configuração do mercado foi a transformação dos EUA de grande importador em exportador líquido de energia, impulsionado pela expansão da produção e pelo shale gas, o que reduziu a dependência do petróleo do Golfo Pérsico. Impactos na economia Ainda assim, as consequências para a economia global e a do Brasil já começam a ser percebidas. A alta dos preços do petróleo tem pressionado a inflação em diversos países, incluindo o Brasil, e reforçado as preocupações sobre o rumo da política de juros e da atividade econômica. O FMI já reduziu sua projeção de crescimento para a economia global de 3,3% para 3,1% este ano. Caso o conflito se prolongue e mantenha o petróleo em alta, a expansão pode desacelerar para apenas 2%, patamar próximo ao da crise financeira de 2008 e da pandemia de Covid-19. No Brasil, se a alta do petróleo eleva a arrecadação ligada ao setor, também pressiona preços de combustíveis, transporte e energia, aumentando expectativas de inflação. A projeção do Boletim Focus para o IPCA deste ano subiu de 4% em janeiro para 4,86% no fim de abril. E, na semana passada, chegou a 5,3%. As apostas em cortes de juros mudaram, com a expectativa para a Selic do fim de 2026 passando de 12%, na previsão de janeiro, para 13%, no fim de abril, e agora para 13,75%. Autor/Veículo: O Globo

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Irã anuncia suspensão de sanções ao petróleo após negociações

O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que as sanções ao petróleo iraniano foram suspensas e que alguns dos ativos iranianos congelados no exterior foram liberados, em uma publicação feita após a conclusão das negociações na Suíça. Em uma postagem sobre o assunto no X, Abbas Araghchi também afirmou que “um grande plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irã foi lançado”. A publicação não forneceu detalhes sobre os bens congelados nem sobre o plano de reconstrução. A CNN entrou em contato com a Casa Branca para obter um posicionamento sobre as negociações. Anteriormente, Hossein Ghorbanzadeh, especialista em economia da delegação iraniana, afirmou que um projeto de acordo para uma isenção temporária das sanções americanas ao petróleo iraniano e seus derivados havia sido concluído, de acordo com a agência de notícias semioficial iraniana Fars. Além disso, delegações dos Estados Unidos e do Irã discutiram as bases para negociações visando a um acordo final, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, segundo a agência estatal Tasnim. As negociações, agora concluídas, entre os EUA e o Irã foram conduzidas em uma “atmosfera positiva e construtiva” e “progressos encorajadores” foram alcançados, de acordo com uma declaração conjunta dos mediadores Paquistão e Catar. Autor/Veículo: CNN

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ANP ressuscita os fiscais do Sarney, sob nova roupagem: quando falta causa, inventa-se o culpado

Adriano Pires – A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou um plano “excepcional” de fiscalização: cerca de três mil ações entre julho e setembro, 80% delas voltadas especificamente para preços já no primeiro mês, num incremento de 40% sobre o trimestre anterior. A ANP precisa entender que o problema não é fiscalizar. O problema é o que a agência escolheu fiscalizar. Que a agência fiscalize, e com rigor, ninguém discute. Qualidade do produto, especificação das misturas de etanol e biodiesel, práticas de monopólio, oligopólio e cartel — essa é a sua função e a sua razão de existir. Mas fiscalizar a “abusividade de preços”? Que tipificação é essa? Mas o que é isso? Onde está, na lei, o preço justo que o regulador agora se arroga a calcular? Sob nova roupagem, a ANP ressuscita os fiscais do Sarney, aqueles que percorriam o comércio de tabela na mão durante o Plano Cruzado, como se o decreto pudesse revogar a aritmética. Além do mais, a lei diz que os preços dos combustíveis são livres no Brasil. É lamentável e fora de hora. Uma agência de recursos limitados gastar tempo, gente e dinheiro perseguindo um fantasma, enquanto os males concretos do setor não são tratados da forma adequada como tratam o tal “lucro extraordinário” e “preços abusivos”. A adulteração que engana o consumidor, o contrabando que sonega tributo, a não mistura de biodiesel e de etanol que falseia a concorrência — isso é que corrói o mercado, afasta investidores que não são free rider e que, portanto, deveria mobilizar a força-tarefa. Estes, sim, ferem o consumidor. Estes, sim, distorcem os verdadeiros preços de mercado. Mas enfrentá-los não dá voto e não rende manchete. O diagnóstico não é novo, mas o pior é que é sempre repetido. O nosso velho Roberto Campos, faz tempo, já o havia resumido com a clareza de sempre: se a inflação é alta de preços, o culpado é o empresário; se é expansão monetária, o culpado é o governo. Ao treinar intensivamente o País a acreditar que inflação é somente o preço da bomba, culpando os empresários, condiciona-se a população a uma cultura antiempresarial — o vilão passa a ser quem vende, nunca quem emite. Só que inflação não é a etiqueta do posto; são os enormes planos populistas dando diversos benefícios e subsídios para a população, as pedaladas fiscais. Trocar a definição é trocar o réu e, no mesmo gesto, absolver o verdadeiro responsável. Culpar a distribuidora ou o revendedor pela alta dos combustíveis é precisamente isso: cultivar a mentalidade antiempreendedora e terceirizar a responsabilidade de um governo que, com populismo, improviso e irresponsabilidade fiscal, mais atrapalha do que ajuda. Quando falta política, sobra fiscal. Quando falta causa, inventa-se culpado. Adriano Pires é diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura. Autor/Veículo: O Estado de S. Paulo (Opinião)

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