Author name: Junior Albuquerque

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Cade aprova compartilhamento de bases de combustíveis entre Vibra e ALE

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, operação comercial entre Vibra Energia e ALE Combustíveis, conforme despacho publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (22/4). Pelo negócio aprovado, Vibra Energia e ALE Combustíveis vão compartilhar duas bases de distribuição de combustíveis (pools) por meio da aquisição recíproca de frações ideais de imóveis onde operam essas estruturas, uma na Bahia e outra no Maranhão. A operação envolve dois atos de concentração. No primeiro, a Vibra Energia adquirirá 50% do imóvel hoje integralmente pertencente à ALE Combustíveis em Luís Eduardo Magalhães (BA). No segundo, a ALE Combustíveis comprará 50% do imóvel atualmente integralmente pertencente à Vibra Energia em Açailândia (MA). Além dos imóveis, a Vibra Energia adquirirá 50% dos equipamentos usados na base de Luís Eduardo Magalhães. Já a ALE Combustíveis comprará 16,57% dos equipamentos utilizados na base de Açailândia. As empresas informaram que também firmarão termos de ajuste para cada base, com regras para a operação, a administração e a manutenção conjunta. Segundo as partes, os contratos incluem previsões específicas para impedir o fluxo de informações concorrenciais sensíveis entre as distribuidoras. Atualmente, cada empresa opera de forma exclusiva os ativos logísticos envolvidos: a Vibra Energia, a base de tancagem de Açailândia; e a ALE Combustíveis, a base de tancagem de Luís Eduardo Magalhães. Após a operação, segundo despacho divulgado pelo Cade, a Vibra Energia passará a deter 50% do imóvel de Açailândia (MA), e a ALE Combustíveis, 50% do imóvel de Luís Eduardo Magalhães (BA). As partes afirmam que, com a transação, o adicional de capacidade corresponderá à metade da capacidade de cada pool. (Estadão Conteúdo) Autor/Veículo: Eixos

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Guerra no Oriente Médio põe em xeque política de preços da Petrobras

O conflito no Oriente Médio desorganizou o mercado global de petróleo e trouxe consequências para o mundo todo, principalmente após o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção da commodity. No Brasil, o impacto tirou a Petrobras da posição confortável de preços de derivados alinhados ao mercado internacional e a levou a um ciclo de defasagens recordes, que coloca à prova a estratégia comercial adotada pela companhia em 2023, quando abandonou o preço de paridade de importação (PPI). A dúvida agora é por quanto tempo a estatal vai conseguir manter o compromisso de não repassar ao consumidor brasileiro a volatilidade externa dos preços dos combustíveis. Na avaliação de analistas, dificilmente a cotação do petróleo vai retornar ao patamar pré-guerra, e menos ainda descer aos US$ 50 por barril, projetados no ano passado para 2026. “Nesse cenário, o preço pode cair, mas não acredito que volte para aquele patamar muito baixo em que estava anteriormente. Os países vão ter de recompor reservas e o preço vai continuar pressionado por alguns meses, mesmo que a guerra acabe agora”, disse ao Estadão/Broadcast o professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, Edmar Almeida. As projeções de dez entre dez analistas, no fim de 2025, apontavam para a cotação da commodity caindo para US$ 50 por barril. Mas, no dia 28 de fevereiro, ataques aéreos contra estruturas estratégicas do Irã, orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel, iniciaram o conflito, que dura até hoje e elevou o preço do petróleo a patamares acima de US$ 100 por barril. Não há como prever até quando a guerra vai durar. Poucos meses antes do conflito, a Petrobras anunciou seu Plano de Negócios 2026-2030 e informou que, por causa do baixo preço do petróleo, colocaria US$ 10 bilhões em espera para proteger sua capacidade de financiamento. Na época, o barril girava em torno de US$ 60. Naquele momento, os preços praticados pelas refinarias da estatal caminhavam praticamente alinhados ao mercado internacional, sem pressão para reajustes. O diesel vendido pela empresa chegou a ficar congelado por mais de 300 dias, até que, com o início da guerra, o jogo virou. A escalada do petróleo foi ganhando força aos poucos e, nos primeiros dez dias de março, já atingia US$ 100. O diesel alcançava seu maior valor desde 2023, obrigando a Petrobras a elevar o preço do combustível em 11,6% — ainda bem abaixo do que seria necessário para atingir a paridade de importação (PPI). O impacto da nova política de preços da empresa poderá ser avaliado no resultado do primeiro trimestre do ano, com o petróleo mais caro compensando, em parte, eventuais perdas de margem com a venda de derivados. A presidente da estatal, Magda Chambriard, já afirmou que a política de preços da companhia não será alterada e reforçou a missão da empresa de evitar que a volatilidade externa dos preços contamine o mercado brasileiro. “A companhia entregou seus resultados e mostrou ser, vamos dizer assim, resiliente o suficiente para enfrentar essa variação de cenário. No começo desse ano, essa volatilidade está exacerbada por questões de guerra, mas a nossa política interna persiste íntegra e sólida”, afirmou ao divulgar o resultado de 2025, um lucro 200% em relação ao ano anterior, de R$ 110 bilhões. Novo cenário De lá para cá, o quadro vem se apresentando cada vez mais volátil. A cada declaração do presidente norte-americano, Donald Trump, o preço do petróleo toma um rumo diferente, e as inúmeras contradições do mandatário têm aumentado as incertezas em relação ao futuro. O maior agravante da guerra na esfera econômica, segundo analistas, foi o fechamento do Estreito de Ormuz, que restringiu a oferta da commodity e de outros produtos, como fertilizantes, gás natural liquefeito (GNL) e alimentos, entre outros. No Brasil, apesar de o abastecimento estar garantido, a alta dos preços dos combustíveis aos poucos começa a chegar ao bolso do consumidor, seja diretamente, pela gasolina, seja indiretamente, pelo diesel, que afeta todos os setores da economia. Após relatos de desabastecimentos pontuais no sul do País, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) lançou um sobreaviso de abastecimento nacional para ter mais controle sobre a movimentação de combustíveis e os estoques, além de exigir maior oferta ao mercado. A agência foi elevada ao posto de xerife e tem feito incursões em postos de abastecimento para coibir preços abusivos. O setor, porém, tem reagido e cobrado da ANP regras claras para definir essa abusividade. Segundo o diretor da ANP, Pietro Mendes, em entrevista recente, o abastecimento está garantido em abril. “Com relação a suprimento, nós não identificamos para o mês de abril nenhum risco de abastecimento no Brasil. Obviamente, temos de acompanhar a evolução dos conflitos porque é fato que temos uma dependência externa de GLP e diesel”, disse durante o primeiro dia do Fórum Brasileiro de Líderes em Energia, no Rio de Janeiro. “Nossas refinarias apresentam estabilidade na produção de diesel S10 e S500”, complementou. A Petrobras, responsável por cerca de 70% do abastecimento de combustíveis do País, também tranquilizou o mercado, informando, inclusive, que não terá necessidade de importação de diesel em maio, já que sua estratégia de adiar manutenções programadas e operar com elevados fatores de utilização das refinarias permitiu produção suficiente para atender o mercado tanto neste mês quanto no próximo. Autor/Veículo: O Estado de São Paulo

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Comissão aprova relatório, e PEC da escala 6×1 avança na Câmara

A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (22) o relatório favorável à tramitação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da jornada 6×1. A aprovação na CCJ é o primeiro passo para o avanço da proposta na Câmara. Também por isso, a aprovação foi mais fácil –o relatório do deputado federal Paulo Azi (União Brasil-BA) passou em votação simbólica, quando não há declaração de voto. O texto agora seguirá para uma comissão especial para a discussão de mérito. De lá sairá o texto que, se aprovado, seguirá para o plenário. Caberá a essa próxima comissão a definição dos pontos-chave da mudança, como o limite de horas e se haverá período de transição ou alguma compensação tributária aos setores afetados. Depois da aprovação na comissão, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), publicou em seu perfil no X que pretende levar o tema ao plenário ainda em maio. O texto aprovado nesta quarta não trata do conteúdo da emenda, apenas da constitucionalidade da proposta. São duas PECs tramitando juntas, dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erica Hilton (PSOL-SP), que propõem a redução da jornada semanal das atuais 44 horas para 36 horas. A proposta de Hilton também altera a escala, fixando-a em 4 dias de trabalho por três de folga. Esse desenho de jornada é considerado superado pelo governo, que vem defendendo a adoção de um limite de 40 horas semanais, sem a fixação de um regime de escala, que deve ficar para as negociações entre categorias e empresariado. A redução da jornada de trabalho semanal é uma das apostas do governo para melhorar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ano eleitoral. Na semana passada, Motta afirmou que seguiria com a tramitação por meio de PEC, deixando de lado o projeto de lei enviado pelo governo com urgência constitucional. O relatório de Paulo Azi favorável ao andamento da proposta foi apresentado na CCJ na semana passada, mas a votação foi adiada por um pedido de vista da oposição. O adiamento valeria por duas sessões do plenário. Para garantir a votação nesta quarta, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), convocou duas sessões de votação virtuais na quinta (16) e sexta (17) da semana passada. A oposição chegou a montar um “kit obstrução” com pedidos de retirada de pauta, de adiamento da votação e da discussão, mas os deputados Capitão Alberto Neto (PL-AM) e Julia Zanatta (PL-SC), autores dos pedidos, não estavam na reunião. Por fim, a oposição fechou acordo para votar a favor do relatório na CCJ e guardar munição para a comissão de mérito. É para a discussão no novo colegiado que as bancadas começam a se preparar para atuar e onde o governo precisará negociar ponto a ponto do texto. Por isso, parlamentares do PT já defendiam nesta quarta que o relator da comissão especial fosse Paulo Azi, o mesmo da CCJ, visto como moderado. O presidente da CCJ, deputado Leur Lomanto (União Brasil-BA), também defendeu o nome de Azi. O relatório de Paulo Azi traz recomendações do que ele considera importante ser discutido na comissão de mérito. Uma delas é a necessidade de uma regra de progressividade ou transição, por meio da qual a redução da jornada aconteceria ao longo de alguns anos. O parlamentar afirma no texto que apesar de a negociação coletiva ser um mecanismo mais adequado e previsto na reforma trabalhista de 2017, os acordos e convenções coletivas ainda não tratam de reduções na escala de trabalho. “Isso ocorre porque, na realidade sindical brasileira, verifica-se uma assimetria de poder na relação entre capital e trabalho, o que se agrava com a fragilidade financeira de muitos sindicatos”, escreveu o relator. Por isso, na avaliação do deputado, a autonomia para negociar é insuficiente para que os trabalhadores consigam redução de jornada ou de escala. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enviou um projeto de lei com alterações na CLT (Consolidação das Leis de Trabalho) e outras legislações que regulamentam profissões específicas como comerciários e aeronautas. A proposta chegou ao Congresso com urgência constitucional, o que exige tramitação expressa –em até 45 dias em cada Casa legislativa. Lula avisou Motta que enviaria a proposta e que seria um gesto simbólico do governo. O presidente da Câmara disse depois que manteria a tramitação da PEC e que não pretende indicar relator para o projeto do governo. “O projeto [do Planalto] chegou ontem, mas vamos seguir o cronograma da PEC. Vamos aguardar sair da CCJ, escolheremos presidente e relator [da comissão especial] com data para chegar a plenário”, afirmou Motta, na semana passada. A expectativa dos deputados da base do governo é a de que Motta instale a comissão especial ainda nesta quarta (22) e que os integrantes sejam indicados pelas bancadas até o fim de abril. No relatório encaminhado à CCJ, o deputado do União Brasil aponta que a comissão de mérito deve considerar de maneira cautelosa “a adoção de instrumentos mitigatórios” e que isso deve ser feito com base em estudos de impacto financeiro e considerando os diversos setores e suas particularidades. Esse cuidado, segundo ele, pretende evitar possíveis efeitos indiretos sobre o mercado de trabalho, como alterações nos custos com impactos sobre as contas da Previdência Social. O relator incluiu no parecer experiências de outros países em relação à compensação, com exemplos de redução na margem de lucro ou o corte de impostos sobre rendimentos, para que o poder de compra fosse mantido. O deputado Lucas Redecker (PSD-RS), que havia encabeçado o pedido de vista na semana anterior, disse que pretende encabeçar, na comissão especial, uma discussão de uma “compensação para quem está garantindo os empregos”. Desde que Motta enviou a PEC à CCJ, entidades ligadas a diversos setores iniciaram uma ofensiva contra o fim da 6×1. O argumento central é o de que a mudança tornará mais caras as contratações, aumentando o custo da folha salarial. Autor/Veículo: Folha de São Paulo

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Setor de biodiesel critica governo por incentivo a diesel fóssil importado, quer aumento de mistura

As duas maiores associações que representam o setor de biocombustíveis intensificaram a pressão sobre o governo federal nas últimas semanas, com críticas à concessão de subsídios para importação de diesel fóssil, enquanto reluta em cumprir o índice de mistura de biodiesel produzido no Brasil. No pleito encaminhado na semana passada aos ministérios da Fazenda, Casa Civil, Desenvolvimento e Planejamento, a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) e a Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil) argumentam que o biodiesel é, atualmente, mais barato do que o seu equivalente fóssil e importado. O litro do combustível de origem vegetal estava orçado em R$ 5,10, ante R$ 6,20 do diesel fóssil, na cotação até o início deste mês. A subvenção ao diesel trazido de fora do país foi uma das medidas tomadas pelo governo Lula (PT) para tentar evitar que a guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã aumente o preço do combustível no país —o que pode impactar negativamente a popularidade do presidente às vésperas da eleição. Cerca de 25% do diesel consumido no Brasil é importado. Segundo as associações, há “falta de isonomia no tratamento de política pública dado ao biodiesel comparativamente ao diesel fóssil”. À frente da “Aliança Biodiesel”, a Abiove e a Aprobio lembram que “a reforma tributária estabelece expressamente que é preciso manter diferencial competitivo em favor dos biocombustíveis” em relação aos combustíveis fósseis. “Além disso, em momentos de mercado nos quais o preço do biodiesel se encontra acima do preço do diesel A (fóssil), nunca se cogitou em utilizar mecanismo de subvenção visando garantir diferencial competitivo”, afirmam, em ofício enviado ao governo ao qual a Folha teve acesso. Na avaliação das associações, o aumento da mistura do biodiesel no produto fóssil seria a melhor saída para controlar o preço. A reivindicação é que o país avance para a mistura obrigatória de 16% de biodiesel, o chamado B16. Hoje o percentual está em 15%. Essa mudança é definida na lei do Combustível do Futuro, que estabeleceu um cronograma progressivo de aumento ano a ano. Estava previsto que o Brasil passaria de B15 para B16 até o fim de março, o que não ocorreu, por adiamento do conselho. Por trás da resistência do governo estaria o fato de que, em determinados momentos, o biodiesel fica mais caro que o diesel fóssil, em razão da volatilidade dos preços da soja, principal matéria-prima do biodiesel. Logo, aumentar sua participação na mistura obrigatória pode elevar o custo final ao consumidor no longo prazo, pressionando a inflação. No lugar de ampliar o uso do biodiesel, os ministérios de Minas e Energia, da Fazenda e do Orçamento decidiram, primeiro, isentar o combustível fóssil de PIS e Cofins (o que também incluiu biodiesel) e, depois, anunciar a subvenção ao fóssil, que chegou, em abril, a R$ 1,52 por litro (para o diesel importado). “Nossas entidades não estão vindo a V.Sas. solicitar subvenção econômica ao biodiesel. Em nosso entendimento, o mecanismo correto de estímulo ao uso do biodiesel, em substituição ao diesel fóssil, já existe na política pública brasileira: trata-se de cumprir as metas de adição obrigatória. Neste caso, a mistura já deveria estar em 16% (B16)”, dizem a Abiove e Aprobio. Entidades do agronegócio reclamam que o governo optou por ajudar empresas internacionais —sobretudo argentinas, que devem ser as produtoras mais beneficiadas com a medida— em vez de fortalecer a indústria nacional de combustíveis sustentáveis, mercado do qual o Brasil é um dos principais atores no mundo. Representantes do setor calculam que isso poderia resolver um dos problemas da atual indústria, o alto grau de ociosidade da produção, em torno de 40% de suas fábricas. Segundo cálculos do agronegócio, apenas com essas fábricas que hoje estão prontas, mas não estão em atividade, seria possível produzir de 4 bilhões a 5 bilhões de litros de biodiesel. Hoje o país importa cerca de 17 bilhões de litros de diesel fóssil por ano. Com esse incremento na produção, ainda segundo essas entidades, seria possível aumentar a mistura para até 18%. O cenário atual, porém, dizem os produtores, está “gerando competitividade não isonômica em relação ao biodiesel e às custas do contribuinte brasileiro”. “É inegável que um aumento no teor de adição obrigatória de biodiesel no diesel geraria dois efeitos que a subvenção econômica busca entregar: redução de preços do diesel ao consumidor” e “menor dependência de importação de diesel”, dizem as associações. Produtores também defendem o aumento na mistura do etanol na gasolina, hoje em 30%. Os cálculos dão conta de que uma elevação para 32% diminuiria em 5% o combustível que é importado. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, prometeu que, no caso da gasolina, esse aumento será dado ainda no primeiro semestre deste ano, mas novamente a medida esbarra na necessidade de aprovação pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética). Integrantes da pasta afirmam que, para que essa decisão seja tomada, é necessária a conclusão de um estudo de viabilidade, que ainda não está pronto, mas em fase final de elaboração. Nesse estudo também são ouvidos produtores de motores, sobre a eficiência energética com os níveis mais altos de fração vegetal. Questionado sobre o pedido de aumento da mistura do biodiesel, o MDIC declarou que, “desde 2023, o governo brasileiro vem elevando progressivamente a mistura de bio no diesel, que passou de 10% para 15% nesses três anos, em linha com o Programa Combustível do Futuro” e de demais políticas federais de descarbonização. Sobre o cronograma de novas elevações, a pasta sugeriu procurar o Ministério de Minas e Energia, que não respondeu ao pedido da reportagem. A Casa Civil e a Fazenda também não se pronunciaram. O biodiesel é feito a partir de matérias-primas orgânicas. Seus principais insumos são óleos de soja, palma, girassol, canola e algodão. O setor estima que o aumento de um ponto percentual na mistura do diesel geraria um acréscimo de cerca de 1 bilhão de litros adicionais de biodiesel por ano, movimentando um mercado estimado entre R$ 5 bilhões e R$ 6

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Cessar-fogo no Oriente Médio prorrogado, mas bloqueio no Estreito de Ormuz continua

O cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos, Irã e Israel foi estendido, mas a Marinha estadunidense vai manter o bloqueio à navegação no Estreito de Ormuz, divulgou o presidente dos EUA, Donald Trump, na terça-feira (21/4). Segundo Trump, o cessar-fogo continuará até que o Irã “submeta uma proposta e as discussões sejam concluídas”.A trégua iniciada em 8 de abril ainda não foi capaz de garantir um acordo para o fim do conflito, nem a retomada da navegação na rota responsável pela exportação de quase um quinto da demanda global de petróleo.Pelo contrário: se inicialmente as embarcações que tentavam atravessar o estreito eram ameaçadas apenas pelo Irã, desde a semana passada os EUA também passaram a bloquear o trânsito na região.A prorrogação do cessar-fogo indica que as negociações, mediadas pelo Paquistão, ainda podem estar longe do fim. Até o fechamento desta edição ainda não estava claro, por exemplo, quando as autoridades iranianas e americanas vão se reunir novamente. É um sinal ruim para os preços do barril de petróleo, que têm oscilado de acordo com as notícias da guerra.A expectativa de reabertura em Ormuz no final da semana passada levou a uma queda de quase 10% nos preços. Mas o cenário não se concretizou e o barril voltou a ser negociado próximo aos US$ 100 nos últimos dias.Entenda melhor: Sinal de alívio no Estreito de Ormuz dura pouco e petróleo deve seguir em alta.Na terça (21) as informações imprecisas sobre o avanço nas negociações levaram a uma nova alta no Brent, que subiu 3,14% (US$ 3,00), a US$ 98,48 o barril.Enquanto isso, a escassez na oferta continua a pressionar a inflação nos combustíveis e a gerar receios de faltar produto, sobretudo na Europa. O comissário europeu para o Transporte e Turismo Sustentáveis, Apostolos Tzitzikostas, disse, em coletiva de imprensa na terça (21), que, sem o restabelecimento da liberdade de navegação permanente pelo Estreito de Ormuz, as consequências serão “catastróficas” para a Europa e o mundo. De acordo com ele, a União Europeia trabalha para encontrar uma fonte alternativa de combustível de aviação.O alerta veio no mesmo dia em que a Lufthansa anunciou que vai cancelar algumas rotas europeias e 20 mil voos de curta distância programados até outubro em uma tentativa de economizar combustível de aviação. Autor/Veículo: Eixos

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Fim da 6×1 deve reduzir PIB em 0,82% e teria de ser compensado por ganho de produtividade

Um estudo do Banco Inter estima que, mesmo trazendo mérito social com melhores condições de trabalho, a proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais no Brasil e do fim da escala 6×1 (seis dias trabalhados para um de descanso) deve reduzir o Produto Interno Bruno (PIB) em cerca de 0,82% no médio prazo. Esse impacto deve se dar após a economia absorver a mudança por completo, com reajustes nos diversos setores. “Não trabalhamos com um horizonte temporal fixo, mas estamos comparando o equilíbrio atual com um novo equilíbrio após o fim da escala 6×1”, afirma o gerente de pesquisa macroeconômica do Inter, André Valério. “Entre esses dois equilíbrios, inclusive, nada impede que ocorra um aumento do PIB durante a transição.” Impacto por setoresAs áreas mais intensivas em mão de obra e com maior índice de formalização do trabalho devem sentir mais esses efeitos, declara o economista. Dentre os 12 grandes setores da economia, a construção deve ter a maior perda, de 2,14% do PIB, seguida pela indústria de transformação (-1,87%). O único a se beneficiar da mudança deve ser o de atividades imobiliárias, com ganho de 0,9%, aproveitando uma realocação do consumo, aumento de procura por unidades habitacionais e uma baixa dependência de insumos de outros setores. Foram analisados também 66 setores pelo banco para identificar quais sofrerão mais impactos nos custos e na produção. Os mais afetados devem ser as atividades de vigilância e de fabricação de calçados e autopeças. O estudo buscou trazer uma modelagem que vai além de impactos diretos de aumento de custos por conta da mudança – outros dados recentes apresentados por associações empresariais tratam apenas desses efeitos. A nova pesquisa contabilizou impactos indiretos, como, por exemplo, de insumos de um setor ficando mais caros e prejudicando outros setores que dependem deles. Por outro lado, também considerou escolhas das empresas para se adaptar e mitigar os efeitos da diminuição de um dia da escala de trabalho por funcionário, com a adoção de cargas horárias menores. Cada uma dessas mudanças pode afetar mais cada tipo de negócio, com setores sentindo mais a perda do trabalho no sexto dia e outros, mais a diminuição da carga horária. “Algumas empresas podem preferir ter menos trabalhadores e diminuir a oferta de serviços. Assim, elas trocariam um menor faturamento por manter o nível de rentabilidade”, diz Valério. Isso, no entanto, pode causar diminuição da capacidade de investimento e crescimento futuro. É lembrado o caso de Portugal, que tem leis trabalhistas parecidas com a do Brasil, e que implementou mudança parecida em 1996. No país europeu, houve redução da geração de empregos, “situação provavelmente equivalente ao que veremos no Brasil”, por conta da necessidade de manutenção dos salários e do repasse incompleto dos custos para os preços, e considerando que a legislação é punitiva para as demissões sem justa causa. A hipótese de aumento geral dos preços, inclusive, também é colocada em dúvida pelo estudo. O exemplo vem da Austrália, que fez mudanças na década de 1980, e a alta de preços foi apenas proporcional em relação à elevação dos custos de produção, com várias empresas preferindo absorver o ajuste nas suas margens de lucro. Formalidade x informalidadeA pesquisa ainda avaliou que os setores podem sofrer mais ou menos de acordo com o nível de formalidade do trabalho adotada. O segmento de vigilância, por exemplo, por ser mais formalizado, deve ter aumento de 5,5% dos custos, enquanto o de atividades artísticas deve perceber alta de 0,8%, por contar mais com contratos de trabalho informal. O levantamento também mostrou que um segmento que exige mais investimentos em pessoal e em atendimento mais dias por semana, como a saúde pública, vai sentir mais impactos, com 2% mais custos. Já a agricultura deve ter alta de apenas 0,1%, por ser mais intensiva em capital. O impacto indireto de um setor no outro, por meio de um efeito em cadeia, também é percebido nos números de capacidade de produção. Por exemplo, o segmento calçadista deve ter a segunda maior perda de produção, estimada em baixa de 4,7%, atrás apenas de vigilância (-6,1%), apesar de ter uma projeção apenas moderada de elevação de custos, de 1,7%. Isso aconteceria por conta do aumento de preços dos insumos que utiliza, fabricados de forma intensiva em mão de obra. Defensores da proposta dizem que as perdas poderiam ser compensadas com um aumento de produtividade da economia, até por meio da ampliação do uso da tecnologia, como declarou o vice-presidente, Geraldo Alckmin, na semana passada. Segundo o estudo, a queda do PIB pode ser neutralizada se houver um aumento agregado de produtividade de 0,47%. É um número não tão difícil de ser atingido, mas limitações estruturais brasileiras vão dificultar chegar a esta meta, como o baixo nível de poupança na economia, a rigidez das regras trabalhistas e as barreiras à importação de tecnologia. “Não seria um aumento de produtividade inalcançável, mas a grande questão é que produtividade permanece estagnada nesta década”, afirma Valério. “Pode haver alguma compensação, ainda que parcial, mas vemos como baixa a probabilidade de isso ocorrer por completo.” A receita para buscar um ganho maior de produtividade passaria, defende o economista, por melhorias na infraestrutura, avanço da qualidade de formação do capital humano, um mercado de trabalho mais flexível, a abertura da economia e o avanço da extensa agenda de reformas, ainda que a reforma tributária já possa ajudar depois de cumprir o seu período de transição, que deve levar uma década. Autor/Veículo: O Estado de S.Paulo

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Biocombustíveis se fortalecem com aumento no preço do petróleo

O aumento dos preços do petróleo na esteira da guerra entre EUA e Israel contra o Irã está impulsionando uma demanda renovada por biocombustíveis, já que a necessidade de enfrentar a ​escassez de combustível fóssil supera as preocupações de que o uso de plantações para combustível aumentará os ​preços dos alimentos. O conflito interrompeu cerca de 20% dos suprimentos de petróleo e gás do mundo, que normalmente passam pelo Estreito de Ormuz, no Golfo do Oriente Médio. Os preços do petróleo subiram mais de 30% desde o final de fevereiro, antes do início da guerra. Em contrapartida, os preços do milho, um dos principais ingredientes dos biocombustíveis, subiram apenas 5%. Os biocombustíveis, produzidos a partir de qualquer matéria-prima orgânica, geralmente são misturados à gasolina ou usados para substituir o diesel. Eles se tornam mais econômicos quando os preços dos combustíveis fósseis aumentam. Eles também podem ajudar a manter os preços baixos na bomba e reduzir a dependência de petróleo e de importações de combustível caras. Os países da Ásia, altamente dependentes das importações de petróleo do Oriente Médio, têm procurado aumentar o uso de biocombustíveis desde o ⁠início da guerra. A Ásia compra cerca de 80% do petróleo transportado pelo Estreito ​de Ormuz, que está praticamente fechado desde o início do conflito. O Vietnã disse no final de março que mudaria totalmente para a gasolina misturada com etanol a partir ​de abril devido ao aumento do preço da energia, antecipando a meta anterior de 1º de junho. O etanol é produzido principalmente a partir do milho ou da cana-de-açúcar. A Indonésia disse que ⁠aumentará a taxa de mistura obrigatória de biodiesel feito de óleo de palma de 40% para ⁠50%. A Indonésia é o maior produtor e exportador de óleo de palma do mundo. “Na Ásia, os países estão atentos aos biocombustíveis que podem ser ​produzidos ‌a partir de matérias-primas de origem local, pois podem atingir dois objetivos ao mesmo tempo: limitar as importações de energia e aumentar a lucratividade dos agricultores”, disse Beata Wojtkowska, analista de biocombustíveis da Kpler. Os países ⁠asiáticos estão tentando amenizar o impacto sobre suas economias do aumento do preço da energia induzido pela guerra com medidas como racionamento de combustível, semanas de trabalho mais curtas e rodízios de veículos. “Espero que a crise dê um impulso ao setor asiático de biocombustíveis”, disse o economista sênior da Organização Internacional do Açúcar, Peter de Klerk, acrescentando que a Índia estava planejando aumentar a quantidade de etanol misturado à gasolina, enquanto ‌a Tailândia ⁠também estava analisando suas opções de ‌etanol. Alimento versus versus combustível As medidas para impulsionar a produção e o uso de biocombustíveis, como subsídios e mandatos de safra, foram analisadas na crise dos preços dos alimentos de 2007-2008, o que provocou um debate acirrado entre os formuladores de políticas sobre a segurança dos alimentos versus a dos combustíveis. Os críticos, incluindo políticos, grupos de reflexão e organizações sem fins lucrativos, apontaram os biocombustíveis como um dos impulsionadores do aumento ⁠dos preços dos alimentos. A produção de biocombustíveis pode ocupar uma grande quantidade de plantações. Cerca de 40% do milho ⁠do maior produtor, os EUA, é usado para produzir etanol, enquanto o Brasil, maior produtor de açúcar, usa 50% de sua cana-de-açúcar para produzir o biocombustível. O aumento dos custos de energia, transporte e fertilizantes, provocado pela guerra, já desencadeou um aumento ‌nos preços mundiais dos alimentos, que atingiram uma máxima em seis meses em março. O aumento do uso de biocombustíveis pode potencialmente elevar ainda mais os preços dos alimentos. No entanto, Phil Aikman, diretor de campanhas para o Sudeste Asiático da organização sem fins lucrativos Mighty Earth, disse que o aumento significativo dos preços dos alimentos só aconteceria se os fabricantes de biocombustíveis construíssem novas usinas em escala, o que levaria anos. Além disso, os suprimentos globais de grãos e óleos vegetais são abundantes no momento, de modo que o debate entre alimentos e combustíveis não tem sido tão proeminente ‌quanto em 2007-2008. Os biocombustíveis são responsáveis por uma fração das necessidades globais de energia, atendendo a apenas 4% da demanda de combustível para transporte. Os consultores da BMI, uma unidade da Fitch, esperam que os biocombustíveis atendam a 5% das necessidades de energia para o transporte até 2035. Além do tempo e do custo envolvidos na construção de novas usinas, as limitações de mistura de combustível ⁠e as restrições de fornecimento de matéria-prima impediriam um crescimento grande e rápido da demanda por biocombustíveis, disse Wojtkowska, da Kpler. “Os biocombustíveis podem ajudar a reduzir um pouco os preços (dos combustíveis), mas não em grande escala”, disse ela. A exceção da UE Uma exceção no aumento do consumo de biocombustíveis é a UE, onde há um limite para o uso devido à preocupação de que o uso excessivo possa aumentar os preços ​dos alimentos e as taxas de desmatamento, disse Roger Bradshaw, especialista independente em commodities. O limite faz parte da obrigação de combustível renovável da UE, que tem como objetivo reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Nos EUA, ​por outro lado, o governo Trump ordenou que as refinarias misturassem uma quantidade recorde de biocombustíveis este ano. No Brasil, o governo está estudando a possibilidade de aumentar a mistura de etanol de 30% para 32% até o final de junho, enquanto as usinas de cana devem usar uma proporção maior da safra para produzir etanol em vez de açúcar, já que o combustível é atualmente mais lucrativo do que o adoçante. Autor/Veículo: CNN

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Bancos apresentaram nova proposta de reestruturação à Raízen

Cosan, Raízen e Ometto não quiseram comentar quando procurados durante o fim de semana. Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Itaú Unibanco também não comentaram. A Shell não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Bloomberg. Os detentores de títulos apresentaram sua própria proposta de reestruturação, incluindo uma injeção de capital de R$ 8 bilhões, disseram fontes à Bloomberg na semana passada. Eles também querem substituir Ometto e ter maior influência sobre a gestão da empresa de biocombustíveis. Tanto os bondholders quanto os bancos pedem uma participação de até 90% em troca de 45% da dívida. A Raízen, uma joint venture entre Cosan e Shell, entrou com um pedido de reestruturação extrajudicial em março, com uma dívida de R$ 65 bilhões. Desde então, a empresa vem negociando com credores para fechar um acordo e evitar a necessidade de pedir recuperação judicial. A companhia tem sido pressionada por juros elevados, grandes investimentos que ainda não deram retorno e desafios operacionais em suas divisões de açúcar e etanol, o que resultou em uma sequência de resultados abaixo do esperado. Autor/Veículo: O Globo

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Petróleo volta a subir com interrupção de fluxo de navios no estreito de Hormuz

O petróleo abriu em alta de 6% nas negociações referentes a esta segunda-feira (20), com investidores voltando a adotar uma postura mais conservadora em relação a uma resolução da guerra no Irã, além de lidar com mensagens contraditórias sobre o conflito. O barril do Brent, referência internacional, era cotado a cerca de US$ 95 por volta das 23h deste domingo (19), no contrato com vencimento em junho deste ano. Às 20h45, atingiu cerca de US$ 96. O movimento tem influência de um novo bloqueio do Irã ao fluxo no estreito de Hormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito. A alta reverte a forte queda da commodity na sexta-feira (17), quando o anúncio da reabertura do estreito pelo Irã levou a um alívio nas cotações do Brent e do WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, que atingiram os menores níveis desde março. Ao longo do fim de semana, a escalada das tensões voltou a interromper o tráfego na região. No sábado (18), a Guarda Revolucionária iraniana realizou ataques contra embarcações que transitavam pelo estreito de Hormuz, segundo agências internacionais. Teerã afirmou ter retomado regras mais rígidas de passagem após o que classificou como violações por parte dos Estados Unidos. Em discurso televisionado, Mohammad Bagher Ghalibaf disse que Washington não conseguiu pressionar o Irã por meio de ultimatos nem obter apoio internacional para a guerra. Em resposta, Donald Trump afirmou que o Irã estava “fazendo graça” e que não conseguirá chantagear os EUA. Neste domingo, o presidente norte-americano voltou a ameaçar destruir a infraestrutura do país. “Estamos oferecendo um acordo muito justo e razoável, e espero que eles aceitem, porque, se não aceitarem, os Estados Unidos vão destruir todas as usinas de energia e todas as pontes no Irã. Chega de ser bonzinho!”, escreveu Trump. O republicano também afirmou que representantes dos dois países devem se reunir para mais uma rodada de negociações no Paquistão na segunda-feira (20) —o acordo de trégua expira na quarta-feira (22). Segundo a agência Tasnim, associada à Guarda Revolucionária, o regime ainda não decidiu se enviará representantes para as conversas. A suspensão do programa nuclear do Irã é considerada um dos principais impasses do conflito. Segundo Trump, o Irã teria concordado em abrir mão do urânio enriquecido. O regime iraniano, como tem sido praxe durante a guerra, não confirma as informações. A proposta defendida por Washington prevê que Teerã abandone seu programa nuclear como parte de um acordo mais amplo. O Irã, contudo, tem demonstrado resistência. Segundo o jornal New York Times, Teerã teria aceitado suspender a atividade nuclear por até cinco anos. Os EUA propõem uma suspensão de 20 anos. Enquanto isso, o impasse em torno do estreito de Hormuz mantém o mercado global em alerta. A guerra, que já está em sua oitava semana, levou a uma forte alta nos preços do petróleo. Desde o início do conflito, as cotações do Brent, referência global, acumulam valorização de 25%. Para analistas, as incertezas nas negociações entre Washington e Teerã, somadas às dificuldades para normalizar o fluxo pela via, devem manter a volatilidade dos preços por meses. Mesmo em caso de reabertura, ainda há dúvidas sobre quando empresas de transporte marítimo retomarão o fluxo. As companhias aguardam condições de segurança e sinalizações mais firmes de Washington e Teerã. Segundo a plataforma MarineTraffic, nenhuma embarcação entrou ou saiu do Golfo desde as 21h de sábado no horário de Brasília. Autor/Veículo: Folha de São Paulo

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Demanda asiática por petróleo brasileiro cresce e leva exportações do País a recorde

Em meio ao conflito no Oriente Médio, o aumento da demanda global pelo petróleo brasileiro tem sido fundamental para ampliar as exportações do País e colocá-las num patamar recorde no início deste ano. No primeiro trimestre de 2026, as exportações totais do Brasil somaram US$ 82,3 bilhões, acima dos US$ 76,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025. É o maior valor já apurado para os três primeiros meses de um ano. Entre janeiro e março, as vendas de petróleo bruto cresceram 31%, para US$ 12,562 bilhões. “Vemos essa melhora nas exportações desde o final do ano passado. E é uma melhora que veio principalmente pelo volume de exportação, não de preço”, afirma Julia Marasca, economista do Itaú. “A produção de petróleo brasileiro tem crescido e, como temos uma capacidade de refino limitada no País, todo excedente acaba virando exportação.” Em 2025, a produção foi de 3,770 milhões de barris por dia, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Foi o maior valor já apurado. Em 2024, a produção havia sido de 3,358 milhões de barris por dia. “As empresas já estão operando numa capacidade máxima de produção. E esse aumento é tão forte que tende a esbarrar nessa incapacidade. É positivo no curto prazo, mas um ganho mais relacionado a isso depende da capacidade de produção do País”, acrescenta Marasca. Segundo a economista do Itaú, o aumento do preço do petróleo nas exportações deve começar a aparecer com mais força a partir dos dados de abril da balança comercial. “O valor do Brent bate com uma defasagem de mais ou menos um mês no preço de exportação de petróleo”, diz. Os números de exportação de petróleo têm sido puxados sobretudo por uma maior demanda dos países asiáticos por causa da redução de tráfego de navios petroleiros no Estreito de Ormuz — por onde passa 20% da produção global de petróleo. Com a guerra no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos, Israel e Irã, o preço da commodity disparou e chegou a superar a barreira de US$ 110. Na sexta-feira, 17, o Irã anunciou que a passagem de navios comerciais foi “totalmente aberta” no estreito no período de cessar-fogo entre Israel e Líbano, que começou à meia-noite de sexta. O fim do conflito entre os israelenses e integrantes do grupo Hezbollah tem sido uma exigência dos negociadores iranianos. No sábado, 18, porém, o Irã voltou a bloquear o Estreito de Ormuz, segundo a Guarda Revolucionária “Há um cenário de diversificação dos ofertantes por causa do fechamento do Estreito de Ormuz e das questões relativas às hostilidades no Oriente Médio”, afirma Lívio Ribeiro, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre) e sócio-fundador da consultoria BRCG. “Na verdade, eu diria que está se ampliando uma tendência que estava sendo observada anteriormente.” No primeiro trimestre, as vendas de petróleo bruto para a China saltaram de US$ 3,702 bilhões para US$ 7,192 bilhões, e, para a Índia, as exportações passaram de US$ 577,4 milhões para US$ 1,027 bilhão. “A China aumentou consideravelmente a demanda por combustível brasileiro. E esse crescimento mascarou algumas quedas, como a exportação de combustível para os Estados Unidos”, diz Daiane Santos, professora de economia da UERJ e consultora da Fundação Centro de Estudos do Comércio (Funcex). Para os Estados Unidos, as vendas de petróleo bruto recuaram de US$ 1,065 bilhão para US$ 632,3 milhões entre o primeiro trimestre do ano passado e 2026. Daiane também chama a atenção para os últimos números da Agência Internacional de Energia (AIE). No relatório de abril, o órgão passou a prever uma queda na demanda global de cerca de 80 mil barris por dia neste ano. Essa queda, no entanto, não é disseminada. Os países da Ásia ainda devem ter um aumento da demanda do produto, de 141 mil barris por dia, segundo a AIE. “No geral, há uma queda de demanda por petróleo. Mas, se eu colocar uma lupa, eu vejo que não são todos os países com uma queda de demanda”, diz a consultora da Funcex. “Os países da Ásia têm uma visão de crescimento maior neste ano.” Novas projeçõesO desempenho das vendas brasileiras neste primeiro trimestre tem levado boa parte dos analistas e o próprio governo a revisarem as projeções para as exportações brasileiras e para o saldo comercial. Na divulgação do resultado da balança comercial de outubro, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) ampliou a projeção de exportação deste ano de US$ 348,3 bilhões para US$ 364,2 bilhões, e a do superávit comercial subiu de US$ 68,1 bilhões para US$ 72,1 bilhões. Se os novos números do governo se confirmarem, a economia deve voltar a colher um resultado recorde nas exportações. Até hoje, o melhor resultado foi registrado no ano passado, quando o País exportou US$ 348,7 bilhões. Os economistas apontam que o superávit só não deve ser maior porque o Brasil, se por um lado se beneficia da alta de preços no mercado internacional, por outro deve sofrer com produtos importados mais caros. “Não podemos olhar só para o efeito de curto prazo. Houve um ganho na largada, mas os preços de importação de outros produtos também vão crescer num ambiente em que há mais inflação global de maneira geral”, diz Livio. Um desempenho mais claro da balança em 2026 só deve ficar claro com o desenrolar da guerra — qual será a duração do conflito e, quando encerrado, qual será o prejuízo nas cadeias globais diante do cenário atual de destruição. “Depender das exportações de commodities significa que não temos nenhum controle, porque sobem ao sabor dos acontecimentos”, afirma José Augusto de Castro, presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Autor/Veículo: O Estado de S.Paulo

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