Os Estados Unidos anunciaram que iniciarão às 11h (horário de Brasília) desta segunda-feira, 13, um bloqueio direcionado a portos iranianos no Estreito de Ormuz, em meio ao colapso das negociações com o Irã. Trump atribuiu o impasse à recusa da república islâmica em abandonar suas ambições nucleares.
Em comunicado, o Comando Central dos EUA informou que o bloqueio será aplicado a embarcações que entrem ou saiam de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo instalações no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã. Ainda de acordo com o texto, navios com origem ou destino fora do Irã poderão continuar transitando pelo Estreito de Ormuz.
Trump confirmou posteriormente que a operação seria mais limitada do que indicava uma postagem inicial, na qual sugeria o bloqueio total do tráfego no estreito.
Antes do anúncio militar dos EUA, a Guarda Revolucionária do Irã havia afirmado ter controle total sobre o tráfego na região e ameaçado reagir a qualquer tentativa de intervenção.
Em sua publicação, Trump disse no domingo que seu objetivo era limpar o estreito de minas e reabri-lo para toda a navegação, mas que o Irã não deveria ter permissão para lucrar com o controle da hidrovia.
“Com efeito imediato, a Marinha dos Estados Unidos, a melhor do mundo, iniciará o processo de BLOQUEIO de todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz”, disse Trump. “Qualquer iraniano que atirar contra nós ou contra embarcações pacíficas será EXPLODIDO!”
A escalada de tensão teve reflexos diretos no mercado de energia. Os preços do petróleo, que haviam caído na semana anterior após o cessar-fogo temporário, voltaram a subir, com os contratos futuros de WTI e Brent ultrapassando os US$ 100 por barril.
Autoridades iranianas reagiram com firmeza. O presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país não cederá a pressões, enquanto o comandante da Marinha, Shahram Irani, classificou as ameaças americanas como infundadas.
Após o fracasso das negociações, as mais relevantes entre os dois países desde 1979, o chanceler iraniano Abbas Araghchi acusou os EUA de inviabilizar um acordo que, segundo ele, estava próximo.
Trump, por sua vez, disse a jornalistas que não vê problema caso as negociações não sejam retomadas. “Não me importo se eles voltarem ou não. Se não voltarem, tudo bem para mim”, afirmou.
O colapso das conversas frustrou expectativas internacionais de um acordo capaz de encerrar o conflito iniciado no fim de fevereiro, que já deixou milhares de mortos e provocou instabilidade na economia global.
O Paquistão, que atuava como mediador, declarou que continuará tentando facilitar o diálogo e pediu que ambas as partes respeitem o cessar-fogo de duas semanas firmado recentemente. Especialistas alertam que qualquer bloqueio marítimo pode comprometer esse acordo. /AFP
Autor/Veículo: O Estado de S.Paulo


