A GWM começou a estruturar, de fato, a base de uma operação de veículos a hidrogênio no Brasil. O Estradão participou de coletiva sobre o tema em Baoding, na China. A conversa teve a participação de Will Zhang, presidente da FTXT, divisão da fabricante de origem chinesa.
A GWM Hydrogen já negocia com uma empresa encarroçadora no Brasil e, ao mesmo tempo, conversa com cliente interessado no retrofit. O objetivo da marca é instalar kits de célula de combustível em caminhões já em operação, encurtando o caminho entre a tecnologia e a rua.
Dessa forma, modelos a diesel poderiam ser convertidos em caminhões elétricos a célula de hidrogênio. A novidade deve ganhar forma pública no segundo semestre.
Como funciona o sistema da GWM
O pacote envolve stack de célula, tanques de hidrogênio de alta pressão, motores elétricos e sistemas de controle, além de uma bateria de apoio. É uma troca que demanda reengenharia de chassi, recalibração estrutural e integração eletrônica completa.
E é aí que entra a encarroçadora na negociação, como parceira local capaz de adaptar diferentes tipos de aplicação, do cavalo mecânico rodoviário ao fora de estrada.
Para operadores logísticos, o maior ativo não é o caminhão em si, mas o ciclo de operação. Tirar veículos da rua para substituição completa custa caro e leva tempo. Converter parte da frota, por outro lado, permite testar a tecnologia sem ruptura operacional. É um tipo de projeto que, se funcionar, abre caminho para contratos maiores.
O retrofit permite ainda contornar, ao menos parcialmente, o gargalo clássico do hidrogênio. Ao trabalhar com clientes específicos, e não com o mercado aberto, a GWM pode viabilizar soluções dedicadas de abastecimento e não depender da criação de infraestrutura por outros players do mercado.
Brasil é fundamental para a GWM Hydrogen
A empresa vem tratando o Brasil como peça relevante em âmbito global. Documentos indicam uma meta de faturamento que beira R$ 80 milhões até 2028, apoiada não apenas na venda de veículos novos, mas também em soluções modulares de geração de energia e conversão de frota.
E esse plano não nasceu ontem. O primeiro caminhão movido a hidrogênio da operação no Brasil desembarcou por aqui em 2025 como parte de um programa de validação. Funcionou como um laboratório sobre rodas, a fim de entender como o sistema reagiria às variáveis locais.
Convém lembrar que veículos a hidrogênio são, essencialmente, elétricos. A célula de combustível gera eletricidade a partir da reação entre hidrogênio e oxigênio, enquanto a bateria atua como buffer para garantir eficiência e resposta. No fim do processo, o único subproduto é água. A promessa é limpa, mas o desafio está na produção, logística e abastecimento.
Na China, esse estágio já foi parcialmente superado. Milhares de veículos comerciais com tecnologia semelhante estão em operação, o que garante à GWM uma base de dados robusta. Trazer isso para o Brasil, porém, exige adaptação. Por aqui, a empresa pretende testar diferentes rotas de abastecimento, do hidrogênio verde obtido por eletrólise até alternativas como a reforma do etanol.
É justamente nesse ponto que o retrofit ganha força. Em vez de esperar por uma renovação completa de frota, a GWM tenta inserir a tecnologia onde já há demanda operacional. Se funcionar, reduz a barreira inicial e cria escala mais rapidamente. Caso contrário, teremos mais uma tentativa de acelerar um mercado que ainda patina na infraestrutura.
Autor/Veículo: O Estado de São Paulo


