O mercado de petróleo global teve um leve alívio na quarta-feira (20/5), em meio às informações de que foi liberado o trânsito para alguns navios petroleiros que estavam retidos no Estreito de Ormuz desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã. Entretanto, o setor mantém preocupações com o suprimento global, sobretudo para o segundo semestre.
- Segundo a Reuters, três embarcações transportando, juntas, 6 milhões de barris cruzaram o estreito.
- O preço do barril reagiu: o Brent para julho fechou em baixa de 5,62%, a US$ 105,02, na quarta.
Mesmo com os sinais positivos, a interrupção dos fluxos de petróleo no Oriente Médio vai continuar a impactar o mercado e os preços globais no segundo semestre, indicam especialistas.
Uma das principais preocupações no momento é a reposição dos estoques que foram liberados nas primeiras semanas do conflito.
- O Goldman Sachs calcula que os estoques globais caíram em média 4,6 milhões de barris/dia desde o início do conflito. Apenas em maio, até o momento, a redução média foi de 8,7 milhões de barris/dia.
- O uso dos volumes estocados aumentou, com a proximidade do verão no Hemisfério Norte, período de maior demanda por gasolina, diesel e querosene de aviação.
- O banco acredita, no entanto, que os volumes ainda estão estáveis em relação ao mesmo mês em 2025, pois houve um maior acúmulo nos meses que antecederam a guerra.
Mas, mesmo que EUA e Irã cheguem a um acordo de paz nas próximas semanas, os volumes que chegarem ao mercado nos próximos meses devem ser usados para repor os estoques.
- A partir do terceiro trimestre, o mercado global deve voltar a ser superavitário, mas a produção incremental vai ser direcionada para repor reservas que foram usadas de forma emergencial, segundo o vice-presidente sênior para Desenvolvimento de Negócios na América Latina da Argus Media, Julio Faldin.
Para o Brasil, o cenário é preocupante, pois parte do suprimento nacional tem sido atendido pela importação da Rússia, que pode ter menor disponibilidade nos próximos meses.
- O risco não é a falta de produto, mas sim a necessidade de que os importadores brasileiros tenham que pagar prêmios maiores para conseguir as cargas em um mercado internacional mais disputado.
O período coincide com o pico da demanda nacional por diesel, devido à safra do agronegócio.
- E o clima pode complicar ainda mais o cenário: com a previsão de um El Niño forte este ano, o agronegócio pode antecipar a colheita.
- A expectativa de uma seca mais prolongada já está levando a Atem a antecipar a programação de cargas de diesel para garantir o suprimento do combustível na região Norte no segundo semestre.
Autor/Veículo: Eixos

