10 de junho de 2026

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Alcolumbre se reúne com governo, mas adia definição sobre PEC do fim da escala 6×1

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), se reuniu com o ministro José Guimarães, responsável pela articulação política do governo Lula (PT), mas evitou se comprometer com um calendário para a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e proíbe a escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de folga). O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 27 de maio e agora aguarda que Alcolumbre o despache para análise na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Na semana passada, ele se queixou a aliados sobre cobranças nas redes sociais para que vote rapidamente a proposta e atribuiu os ataques a uma ação orquestrada pelo governo e pelos partidos de esquerda para pressioná-lo. Alcolumbre chegou a dizer em plenário que marcaria uma reunião com os líderes dos partidos esta semana para discutir o andamento da PEC, mas indicou a aliados que teria mudado de ideia. Ele também desmarcou uma reunião com o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), em que seria debatido o nome do relator da proposta, responsável por negociar alterações no texto. Apesar disso, Alcolumbre afirmou a senadores que o procuraram durante a sessão que resolverá todas essas questões na quarta-feira (10). Aliados ponderaram que o ritmo dependerá, principalmente, da CCJ, que pode acelerar as discussões para que o texto seja votado em julho, antes do início da campanha eleitoral. A meta do governo é que a aprovação ocorra o quanto antes, para que os dois dias de folga remunerada e a redução da jornada de trabalho para 42 horas semanais já esteja valendo antes da eleição –as iniciativas entrarão em vigor 60 dias após a promulgação da PEC, pelo texto aprovado pela Câmara. Esse cronograma visa fortalecer a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta terça (9), o presidente do Senado reclamou na tribuna sobre a pressão para votar temas com grande impacto na sociedade às vésperas da eleição. Ele não tratava especificamente da redução da jornada de trabalho, mas das demandas para aprovar projetos que criam pisos salariais para determinadas profissões, como médicos, fisioterapeutas e enfermeiros. “Infelizmente, a todos os instantes, eu estou sendo acusado por todos de ser o culpado de todos os problemas do Brasil”, afirmou. “No ano de eleição, isso aqui é muito complexo. Porque o que eu botar para votar, todo mundo vai votar ‘sim’ por conta da eleição, e vai ter que arrumar dez brasis para pagar. E aí fica sendo eu o culpado que não quer dar um piso para o médico.” A fala ocorreu após ele se reunir com Guimarães e os ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento, Bruno Moretti. Além da PEC 6×1, os ministros da área econômica alertaram para o impacto das propostas de elevação dos pisos salariais e da PEC que vincula os gastos com assistência social a um percentual das receitas da União para as contas públicas. O governo também solicitou que Alcolumbre destrave a PEC da Segurança Pública, que propõe uma integração entre as esferas federal, estadual e municipal para combate ao crime. O texto foi aprovado pela Câmara em 4 de março e, três meses depois, segue aguardando que o presidente do Senado o encaminhe para debate na CCJ. Outra solicitação foi que coloque em votação o projeto de lei que cria o marco legal para exploração de minerais críticos, aprovado pelos deputados em maio. “A reunião foi muito boa, muito boa”, disse Guimarães à Folha, sem entrar em detalhes. No encontro, o presidente do Senado não indicou um calendário para tramitação da PEC nem quem será o relator. Também não está previsto encontro dele com Lula para aparar as arestas. A relação conturbada de Alcolumbre com o governo começou quando Lula resolveu indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para vaga aberta no STF (Supremo Tribunal Federal). Ele defendia a escolha do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), seu aliado e amigo, e atuou diretamente para derrotar a escolha. Lula conta com apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para convencer Alcolumbre a acelerar a PEC 6×1. O parlamentar encampou esse tema como uma bandeira de sua gestão e tem conversado com o senador sobre isso. Além disso, a pauta de plenário da Câmara está trancada porque o governo ainda não retirou o regime de urgência para o projeto de lei que regulamenta o fim da escala de trabalho 6×1, como uma forma de manter o tema em evidência. A oposição, por sua vez, pressiona Alcolumbre a não pautar a PEC 6×1 e dar andamento a uma proposta alternativa, enviada por ele à CCJ no mesmo dia em que foi protocolada, e que autoriza o pagamento por hora trabalhada. A proposta ganhou apoio das confederações ligadas aos empresários e é defendida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em sua pré-candidatura à Presidência. Otto Alencar, no entanto, afirmou à reportagem que não tratará desse tema na CCJ. “Não vou indicar relator, independentemente da outra PEC [6×1] chegar ou não chegar na comissão”, disse. Autor/Veículo: Folha de S.Paulo

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Petróleo fecha em queda amenizada por novas ameaças de Donald Trump ao Irã

O petróleo fechou em queda nesta terça-feira (9), ainda que tenha saído das mínimas do dia. Declarações de autoridades americanas sobre avanços diplomáticos no conflito no Oriente Médio e o aumento do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz chegaram a levar a commodity a uma queda de mais de 5% nas mínimas do pregão. O movimento foi amenizado, contudo, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com ameaças de novos ataques ao Irã. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para julho fechou em queda de 3,4% (US$ 3,10), a US$ 88,20 o barril. O petróleo Brent para agosto, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em queda de 2,97% (US$ 2,80), a US$ 91,45 o barril. Trump chegou a dizer que o fechamento de um acordo com o Irã está próximo, trazendo alívio para os preços do petróleo nesta terça-feira – uma alegação que ele já fez cerca de três dezenas de vezes nos últimos dois meses, segundo uma análise da CNN. O líder americano, porém, afirmou posteriormente que responderia ao ataque do Irã que derrubou um helicóptero militar durante uma patrulha sobre o Estreito de Ormuz, o que cortou parte da queda do petróleo. Adicionando otimismo aos mercados, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que o tráfego marítimo pelo trecho está aumentando “de forma muito significativa” conforme o conflito com o Irã continua. Segundo a Reuters, ele ponderou que levará muitos meses para que o fluxo de energia volte ao normal após o fim da guerra. Para o analista de inteligência de mercado da Stonex Bruno Cordeiro os investidores seguem precificando o cessar-fogo temporário entre Irã e Israel e a possibilidade de que essa medida contribua para um avanço mais intenso das negociações. “Se continuarmos observando um diálogo entre Teerã e Tel Aviv, é provável que os preços sigam em patamares mais baixos”, afirma. Enquanto isso, o Departamento de Energia americano (DoE, na sigla em inglês) manteve projeção para o preço médio do petróleo Brent neste ano e no próximo, prevendo que o Estreito de Ormuz continuará fechado até o terceiro trimestre de 2026. Já a União Europeia informou que está considerando adiar até janeiro um aumento previsto em seu limite de preço sobre o petróleo russo. Segundo o Financial Times, a ideia é impedir o aumento das receitas de Moscou diante dos preços mais altos do petróleo em decorrência da guerra no Irã. *Com informações da Agência Estado Autor/Veículo: CNN

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Durigan diz que Brasil e EUA podem negociar setores como etanol, açúcar e tecnologia

O ⁠ministro da Fazenda, ‌Dario Durigan, disse nesta terça-feira que o ‌diálogo comercial do Brasil com os Estados Unidos precisa passar por ⁠uma ‌negociação setorial, ⁠incluindo temas do agronegócio e de tecnologia. Em entrevista ao portal UOL, Durigan ​afirmou que os EUA têm demandas ​relacionadas a tarifas do etanol, enquanto o Brasil tem interesse no ‌comércio do ​açúcar. Ele mencionou ainda demandas na indústria aeronáutica, ⁠infraestrutura ​de ​telecomunicações e tecnologia de nuvem. Após ⁠os EUA ​fazerem novas ameaças de tarifas contra ​produtos brasileiros, o ministro afirmou que ​o ⁠governo trabalhará para que não ⁠haja uma punição geral ao Brasil. (Reuters) Autor/Veículo: InfoMoney

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Carro elétrico emite mais carbono na fabricação, exige quilometragem maior para benefício ambiental

A fabricação de carros elétricos emite até três vezes mais gases do efeito estufa em relação à manufatura de veículos a combustão, fazendo com que automóveis movidos a bateria precisem percorrer distâncias maiores para compensar a diferença e trazer benefícios ao meio ambiente. É o que aponta o estudo “Do berço ao portão: Pegada de carbono da produção de veículos leves fabricados no Brasil”, produzido pela FGV (Fundação Getulio Vargas) e pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), ao qual a Folha teve acesso com exclusividade. A pesquisa avaliou o ciclo de vida da indústria automobilística e abrangeu desde a extração da matéria-prima até o fim da manufatura nas fábricas. A análise detalhou as emissões para os segmentos hatch, sedã e SUV conforme quatro tecnologias de propulsão: As conclusões apontam que a fabricação de um SUV a combustão gera, em média, 5.366 kg de CO2e (dióxido de carbono equivalente), a medida padrão que considera diferentes gases do efeito estufa. Já a manufatura de um veículo elétrico do mesmo segmento emite mais que o dobro: são 12,5 mil kg de CO2e. No caso de um sedã, a disparidade é ainda maior: são 4.745 kg de CO2e no modelo a combustão, contra 16,2 mil kg de CO2e na versão elétrica. Veja abaixo os valores para cada categoria. O estudo calculou as emissões de fabricação com base nos veículos mais vendidos no país em 2023, segundo lista da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores. A pesquisa contou com dados de sete montadoras (General Motors, Honda, Jaguar Land Rover, Nissan, Stellantis, Toyota e Volkswagen), além de empresas que abastecem a indústria, como Bosch, Braskem, Gerdau e Usiminas. Os pesquisadores usaram as especificações para agregar a pegada de carbono em carros representativos do mercado brasileiro. Assim, os números apresentados dizem respeito a automóveis médios que ilustram o cenário atual no país. Juliana Picoli, pesquisadora e gestora de projetos do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, afirma que o estudo pode ajudar a gerenciar as emissões da fabricação de veículos, ao identificar as etapas onde há mais poluição. “Existia uma carência de dados primários sobre as emissões, com muitos estudos de avaliação de ciclos de vida usando ferramentas internacionais”, diz. O trabalho recebeu financiamento da Fundação de Apoio da Universidade Federal de Minas Gerais e faz parte do programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), do governo federal. O inventário das emissões considera os diferentes componentes presentes nos carros, como motor e carroceria. Em todas as categorias de veículos, mais de 90% da poluição gerada na manufatura ocorre na fase de extração e pré-processamento da matéria-prima, puxada por aço, alumínio e plásticos. No caso dos veículos elétricos, a fabricação da bateria responde, sozinha, por cerca de metade da pegada de carbono, diz Picoli. Por outro lado, um automóvel eletrificado emite menos CO2 ao longo da vida útil se for abastecido com energia renovável. Para detalhar essa diferença, a pesquisa calculou o chamado ponto de “break-even”, que representa a quilometragem a partir da qual um veículo elétrico passa a ter emissões acumuladas inferiores a outras alternativas. Conforme o estudo, um SUV elétrico precisa percorrer cerca de 93 mil km para igualar as emissões de seu equivalente flex, enquanto um híbrido plug-in do mesmo segmento só atinge a igualdade com 177 mil km rodados. Já a equivalência em relação a um veículo abastecido apenas com etanol é alcançada por volta dos 400 mil km. “O veículo elétrico, por ter maior massa, materiais mais sofisticados e bateria, acaba demandando uma rodagem maior. Então, esse ‘payback’, de se pagar do ponto de vista ambiental, pode levar alguns anos”, afirma Joaquim Seabra, professor da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp e um dos autores do estudo. A pesquisa também identificou que carros fabricados no Brasil podem ter pegada de carbono até 30% menor em relação a veículos fabricados no exterior, por conta da maior participação de renováveis na matriz elétrica brasileira. Porém, a vantagem varia conforme os modelos de automóveis e pode diminuir ou até se anular com perdas de materiais ao longo da cadeia. “Estamos um passo na frente, mas outros países estão mitigando as emissões rapidamente. Por isso, é importante usar essa janela de oportunidade agora para atrair ainda mais investimentos e explorar, no bom sentido, as condições nacionais de energia renovável”, diz Seabra. Autor/Veículo: Folha de São Paulo

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Motta pede ao governo para retirar urgência de projeto sobre o fim da escala 6×1, após Câmara aprova

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que pediu ao governo Lula para recuar do regime de urgência do projeto de lei que foi enviado para tratar do fim da escala de trabalho 6×1. Os deputados aprovaram no fim de maio uma proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o assunto. Um acordo feito entre Motta e governo estabeleceu que o projeto enviado pelo Palácio do Planalto serviria para regulamentar alguns pontos da PEC. O regime de urgência impede que a Câmara vote outros projetos enquanto o PL do fim da 6×1 não for analisado pelos deputados. Motta se reuniu na manhã desta terça-feira com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. O presidente da Câmara disse que o governo ainda não decidiu se vai retirar o pedido de urgência. – Não deram uma resposta firme se vão tirar ou não. A proposta foi votada na Câmara já. Estão avaliando — declarou ao chegar para participar da reunião de líderes da Casa. O governo não deve retirar, por ora, a urgência do projeto, segundo uma pessoa que acompanha as negociações de perto. A avaliação é que retirar essa urgência pode esfriar a discussão do tema no Senado, risco que o Planalto não quer correr neste momento. Apesar disso, governistas estão em contato com Hugo Motta para evitar ruído com o presidente da Câmara. A proposta prevê dois dias de folga na semana já neste ano e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas num período de 14 meses, depois de a votação ser concluída nas duas Casas. A PEC do fim da escala 6×1 tem sido articulada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma forma de impulsionar a sua popularidade para a campanha de reeleição. Ela agora precisa ser votada no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não definiu qual será o caminho que a PEC seguirá. Assim como Motta, Alcolumbre também se reúne com Guimarães nesta terça para debater a proposta. Autor/Veículo: O Globo

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PEC do fim da escala 6×1 concorre no Senado com proposta de contratação por hora

Com a proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e acaba com a escala 6×1 (seis dias de trabalho seguidos de uma folga) prestes a começar a ser discutida no Senado, após a aprovação no mês passado na Câmara, entidades empresariais divulgaram ontem uma carta pública defendendo a alternativa do senador Rogério Marinho (PL-RN), a PEC 12, do Trabalho Flexível. Em outra PEC, Marinho, coordenador da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para as eleições presidenciais de outubro, vai além da jornada e propõe uma reformulação do modelo de contratação do trabalho no país, disseram especialistas ouvidos pelo GLOBO. A reformulação está no incentivo à contratação por hora trabalhada. Isso já existe no contrato intermitente, introduzido na Reforma Trabalhista de 2017 — o projeto de lei da reforma foi relatado por Marinho, quando era deputado federal. Nesse modelo, o empregado é contratado sem jornada definida e fica à espera. Quando o empregador tem a necessidade, convoca sob demanda, e o trabalhador tem um prazo para responder se aceita — depois, ganha por hora efetivamente trabalhada. Um mesmo trabalhador pode ter vários contratos do tipo. A PEC do senador Marinho não altera a jornada. O limite máximo, na Constituição, seguiria em oito horas por dia e 44 horas semanais, com um dia de folga por semana. O impulso à contratação por hora vem do principal ponto da PEC: dar prevalência aos acordos individuais, entre empregado e empregador, que vêm junto do contrato de trabalho quando a carteira é assinada. Conforme a proposta, no que se refere à jornada, o contrato individual valeria mais do que os acordos coletivos e convenções, firmados pelos sindicatos. Acordos coletivos Hoje, os acordos coletivos têm servido de barreira aos contratos intermitentes. Conforme a advogada trabalhista Carolina Tupinambá, sócia do escritório Tupinambá Advogados e professora da Uerj e da UniRio, a oposição dos sindicatos vem prevalecendo, embora até haja questionamentos sobre essa oposição na Justiça do Trabalho. Com isso, em 2025, havia 517 mil contratos de trabalho intermitente, de um total de 45 milhões de vínculos, segundo levantamento do Dieese. E, entre os intermitentes, em torno de 60% não tiveram atividade, ou seja, os trabalhadores não aceitaram convocações dos empregadores, disse Adriana Marcolino, diretora técnica do Dieese. Segundo Agostinho Zechin Pereira, sócio da área Trabalhista do escritório Lemos Advocacia, os contratos intermitentes ficaram restritos a alguns nichos. É o caso de hotéis ou restaurantes que mantêm garçons contratados, mas sem trabalhar, para convocá-los apenas em momentos de pico de demanda. No geral, os acordos coletivos prevalecem. Pereira lembrou que os acordos individuais já prevalecem no caso do empregado “hipersuficiente” — o trabalhador que ganha acima de duas vezes o teto dos benefícios do INSS (cerca de R$ 17 mil por mês) e tem ensino superior: — A PEC faz uma releitura, jogando o “hipersuficiente” para todo mundo. Sindicatos sempre se opuseram à prevalência dos acordos individuais. Argumentam que a maioria dos empregados, especialmente os de baixa escolaridade e menor remuneração, costuma ter poucas condições de negociar com o empregador. — Com essa proposta, a jornada continuaria com o teto de 44 horas por semana e com um dia de descanso. A diferença é que as pessoas poderão ser contratadas para trabalhar poucas horas. Se quiser ter dois dias de descanso por semana e trabalhar menos, poderá, mas terá o ganho mensal reduzido — afirmou Adriana, do Dieese. Formalização Os defensores do contrato intermitente citam a possibilidade de maior formalização — afinal, o trabalhador que faz “bicos” pode passar a ter carteira assinada —, mas, como o modelo tem sido pouco usado, isso não ocorreu. A taxa de informalidade, medida pelo IBGE, está nas mínimas históricas, mas pouco abaixo do que era em 2017. Pereira, do Lemos Advocacia, considera difícil prever como o modelo de contratação por hora, que seria impulsionado pela PEC alternativa do senador Marinho, resultará em maior formalização. Rodrigo Chagas Soares, sócio do escritório Granadeiro Advogados, lembrou que, pela CLT, alterações em contratos de trabalho vigentes não podem ser lesivas ao empregado e devem ser de comum acordo. Passar a pagar por hora, garantindo todos os direitos, com pagamento proporcional, mesmo que o salário mensal diminua, não necessariamente seria lesivo — o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já reconheceu a legalidade do pagamento do salário mínimo por hora e não por mês, disse Soares. Já Alexandre de Almeida Cardoso, sócio na área de Direito Trabalhista e Previdenciário do escritório TozziniFreire, não crê numa substituição do modelo atual pela contratação por hora trabalhada: — A proposta prevê que o valor da hora seja proporcional ao salário mínimo. Não vejo problemas. E dá mais autonomia às negociações individuais, mas com a preservação dos direitos trabalhistas, que estão inclusive previstos na Constituição. As entidades empresariais reafirmaram ao GLOBO a posição da carta aberta de ontem. A CNC, do setor de comércio e serviços, defendeu “as negociações coletivas entre patrões e empregados”, respeitando peculiaridades de cada setor e diferenças regionais. Em vídeo, a CNA, da agropecuária, argumentou que a PEC do senador Marinho permite uma jornada mais “flexível e dinâmica”. Em áudio, Ricardo Alban, presidente da CNI, da indústria, ressaltou as vantagens da flexibilidade e demonstrou receio com elevações de custo de mão de obra. A Firjan criticou “um modelo único e rígido de jornada” para todo o país. Ontem, enquanto a PEC que acaba com a escala 6×1 aguardava o início da tramitação no Senado, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que pediu ao governo para retirar o regime de urgência do projeto de lei enviado para tratar do mesmo tema. Acordo feito entre Motta e governo estabeleceu que o projeto enviado pelo Palácio do Planalto serviria para regulamentar pontos da PEC, mas o regime de urgência trava outras votações na Câmara. Autor/Veículo: O Globo

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